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Bosque da Copel, onde está o “Chapéu Pensador”, tem tombamento contestado e reacende debate sobre destino de patrimônio da companhia

Área de 47 mil m² no Bigorrilho concentra ativo avaliado em R$ 191 milhões e passa a simbolizar disputa sobre bens ligados à Copel após privatização

Por Gazeta do Paraná

Bosque da Copel, onde está o “Chapéu Pensador”, tem tombamento contestado e reacende debate sobre destino de patrimônio da companhia Créditos: Luiz Costa/SMCS

A decisão do Conselho Municipal do Meio Ambiente de Curitiba de rejeitar a moção de apoio ao tombamento do Bosque da Copel, no bairro Bigorrilho, trouxe para o centro do debate um ponto sensível do processo de privatização da companhia: o destino do patrimônio físico vinculado à empresa.

A área, com cerca de 47 mil metros quadrados de vegetação, abriga o chamado “Chapéu Pensador”, estrutura já identificada em apurações da Gazeta do Paraná como um dos ativos de maior valor associados à Copel. Estudos realizados pela consultoria Ernst & Young estimaram o bem em aproximadamente R$ 191 milhões.

A moção analisada pelo conselho ambiental dizia respeito apenas ao apoio institucional ao tombamento — processo que segue em tramitação no Conselho Municipal de Patrimônio Cultural. Ainda assim, a rejeição por 11 votos a 7 evidencia resistência relevante à transformação da área em bem protegido.

Entre os votos contrários estão representantes de órgãos públicos e entidades com influência direta em políticas urbanas e econômicas, como Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Associação Comercial do Paraná (ACP), OAB-PR e o Instituto Água e Terra (IAT), responsável pelo licenciamento ambiental no estado.

Na prática, a decisão mantém aberto o futuro do terreno, que permanece sem proteção definitiva enquanto avança o processo de análise patrimonial.

 

Um ativo dentro do bosque

O peso do caso está diretamente ligado à presença do “Chapéu Pensador” dentro da área. Diferentemente de outros debates ambientais, não se trata apenas de preservar vegetação urbana, mas de um espaço que reúne valor ambiental e econômico.

O ativo já havia sido incluído em estudos e reorganizações patrimoniais ligados ao processo de desestatização da Copel. Segundo documentos analisados pela reportagem, o bem integra um conjunto mais amplo de imóveis e estruturas que passaram por avaliação e reclassificação durante a reestruturação da companhia.

Esse movimento, à época, levantou questionamentos sobre critérios de valoração, transparência e destinação de bens originalmente vinculados ao patrimônio público.

Com o bosque e o ativo ocupando o mesmo espaço físico, a discussão sobre tombamento ganha uma camada adicional: proteger a área significa, na prática, limitar usos futuros de um ativo de alto valor econômico.

 

Decisão amplia tensão entre preservação e interesse econômico

A rejeição da moção pelo conselho ambiental não encerra o processo, mas sinaliza o ambiente de disputa que envolve o caso. De um lado, há a defesa da preservação ambiental e do reconhecimento do valor histórico e simbólico da área. De outro, a manutenção de margem para decisões futuras sobre uso e eventual exploração do espaço.

O fato de parte significativa dos votos contrários ter vindo de representantes de estruturas públicas e institucionais reforça a complexidade do cenário, indicando que o impasse não se restringe a uma oposição entre setor público e privado, mas atravessa diferentes esferas de decisão.

 

Do bosque ao debate sobre a Copel

O episódio ocorre em paralelo à retomada do debate político sobre o futuro da Copel. Nos últimos dias, o jornalista Marcos Formighieri defendeu publicamente a reestatização da empresa, associando a proposta à perda de controle sobre ativos estratégicos e à condução de decisões sem participação direta da população.

No programa Tijolinho, Formighieri mencionou o “Chapéu Pensador” como exemplo de patrimônio que, segundo ele, ilustra os efeitos da privatização para além da operação da empresa.

Nesse contexto, o Bosque da Copel deixa de ser apenas uma área verde em discussão e passa a funcionar como um ponto concreto onde se cruzam três dimensões: valor ambiental, valor econômico e disputa política.

 

Processo segue sem prazo

O tombamento do bosque segue em análise no Conselho de Patrimônio Cultural, sem prazo definido para conclusão. Até lá, a área permanece sem proteção definitiva, e o debate sobre seu futuro continua aberto.

Enquanto isso, o caso reforça um movimento mais amplo: o de revisão pública sobre os efeitos da privatização da Copel, especialmente no que diz respeito ao destino de seus ativos e ao grau de controle exercido sobre eles após a mudança de gestão.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp