Docentes pressionam governo e não descartam greve nas universidades estaduais
Defasagem salarial dos docentes pode chegar a 52% em maio; sindicatos cobram reposição imediata da inflação acumulada, alertam para curto prazo eleitoral e admitem paralisação ou greve no Paraná
Por Gazeta do Paraná
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Reuniões realizadas nesta semana em Curitiba ampliaram o grau de mobilização dos docentes das universidades estaduais do Paraná e colocaram, de forma explícita, a possibilidade de paralisação e greve no centro do debate da campanha salarial de 2026. A Adunioeste — Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Oeste do Paraná — participou dos encontros, que reuniram diferentes entidades sindicais para definir pauta, estratégias e calendário de luta.
Na quarta-feira, representantes de seis seções sindicais estiveram reunidos no Comando Sindical Docente (CSD), onde foi construída a pauta unificada de reivindicações. Segundo o presidente da Adunioeste, Gilberto Calil, o encontro foi decisivo para alinhar as demandas da categoria. “Conseguimos construir um consenso em torno da nossa pauta de reivindicações, que contempla a data-base e a reposição das perdas acumuladas, junto com todo o funcionalismo público, além de uma pauta específica dos docentes”, afirmou.
Entre os pontos centrais dessa pauta específica estão a defesa do piso nacional do magistério como base da carreira docente e a regulamentação do professor titular dentro do plano de carreira. Para Calil, essas medidas representam não apenas recomposição salarial, mas também valorização estrutural da docência nas universidades estaduais.
Outro tema que gerou forte preocupação entre os sindicatos foi a implementação da chamada Meta 4. De acordo com Gilberto Calil, a medida “coloca em risco uma série de direitos nossos, como promoções e progressões, e possibilita diferentes formas de interferência indevida do governo, afrontando a autonomia universitária”. Ele também alertou para os impactos diretos sobre o funcionamento sindical. “A Meta 4 gera um enorme prejuízo aos sindicatos, porque dificulta o desconto em folha. Neste mês e, provavelmente, no próximo, teremos que fazer os descontos de forma individual, filiado por filiado”, disse.
A reunião também abordou a contagem do tempo de serviço durante a pandemia. As entidades cobram que o Governo do Paraná cumpra a legislação federal recentemente aprovada, que descongela esse período para fins de quinquênios. Segundo Calil, há distorções que penalizam os docentes no momento da aposentadoria. “Nas universidades esse tempo vem sendo contabilizado, mas quando o docente se aposenta, muitas vezes o Paraná Previdência desconsidera esse período, o que faz o servidor perder um quinquênio inteiro, com prejuízo financeiro significativo”, afirmou.
Na quinta-feira, a Adunioeste participou da reunião do Fórum de Entidades Sindicais, que contou com ampla representação do funcionalismo público estadual. O foco foi o planejamento da campanha salarial e a análise do cenário econômico. Conforme os dados apresentados, a defasagem salarial acumulada pode chegar a 52% em maio. “Desde o último reajuste, em agosto de 2023, já acumulamos uma inflação superior a 12%”, destacou Calil.
Segundo ele, a reivindicação imediata é que o governo reconheça essa defasagem e conceda ao menos a reposição inflacionária mais recente. “Estamos exigindo, no mínimo, o pagamento desses 12%, o que seria possível dentro da margem prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal”, afirmou.
O calendário eleitoral também impõe limites ao processo de negociação. Calil lembrou que reajustes que ultrapassem a inflação precisam ser concedidos até seis meses antes das eleições. “Qualquer ganho além da inflação do último ano precisa ser efetivado até o início de abril. Por isso, a necessidade de uma mobilização muito rápida”, explicou.
Diante do curto prazo e da ausência, até o momento, de sinalização concreta por parte do governo estadual, a possibilidade de paralisação passou a ser considerada de forma objetiva. “A gente entende a necessidade de paralisação e da construção de uma greve”, afirmou o presidente da Adunioeste.
Como primeira ação unificada, as entidades já definiram a realização de um grande ato público estadual no dia 17 de março, em Curitiba. Segundo Calil, essa mobilização marca o início de uma nova fase da campanha salarial. “Essa é a primeira atividade unificada de planejamento da luta pela campanha salarial”, concluiu.
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