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Desvalorização da Sanepar levanta suspeitas sobre possível caminho para privatização

Desvalorização dos papéis, incertezas regulatórias e redução da rentabilidade levantam questionamentos sobre o futuro da estatal paranaense

Por Gazeta do Paraná

Desvalorização da Sanepar levanta suspeitas sobre possível caminho para privatização Créditos: Sanepar

A queda das ações da Sanepar em 2026 voltou a alimentar discussões sobre o futuro da companhia de saneamento do Paraná e levantou questionamentos de especialistas, sindicalistas e setores contrários à privatização sobre os impactos que uma eventual desvalorização da empresa poderia ter em possíveis planos de venda do controle estatal.

Os papéis preferenciais da companhia (SAPR4) acumulam recuo próximo de 8% no ano, refletindo um cenário marcado pela redução do lucro, incertezas regulatórias e perspectivas menos favoráveis para distribuição de dividendos extraordinários. Embora a empresa continue apresentando fundamentos considerados sólidos, a perda de valor de mercado ocorre em um momento de crescente debate sobre o papel das estatais no Paraná.

Entre os fatores que pressionam a companhia está a discussão envolvendo quase R$ 4 bilhões em precatórios recebidos pela empresa. A Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Paraná (Agepar) abriu consulta pública para definir o destino dos recursos e a orientação técnica é que o montante seja revertido aos consumidores por meio de redução tarifária ou investimentos, frustrando expectativas de parte do mercado que enxergava a possibilidade de dividendos extraordinários.

Além disso, o balanço do primeiro trimestre de 2026 mostrou lucro líquido de R$ 352,7 milhões, queda de 70,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Mesmo desconsiderando efeitos extraordinários registrados em 2025, a retração ajustada foi de 16,9%, enquanto o Ebitda recuou 24,4%.

Outro elemento observado pelos investidores é a revisão tarifária homologada pela Agepar para o ciclo 2025-2028. O reajuste de 3,77% ficou abaixo da inflação acumulada no período, limitando o potencial de crescimento das receitas futuras da companhia.

Apesar dos resultados mais fracos, a Sanepar continua apresentando indicadores considerados robustos. A empresa possui baixo nível de endividamento, com relação dívida líquida/Ebitda de 0,71 vez, além de negociar abaixo do seu valor patrimonial. Ainda assim, o mercado passou a incorporar maiores riscos regulatórios ao preço das ações.

Para críticos de privatizações, esse cenário desperta preocupações. Eles argumentam que processos de desvalorização de empresas públicas frequentemente acabam sendo utilizados para justificar futuras vendas de ativos estratégicos. A lógica seria simples: quanto menor o valor de mercado, menor a resistência para apresentar a privatização como solução para recuperar eficiência e atrair investimentos.

O debate não é novo no Paraná. Desde a privatização da Copel, setores da oposição e entidades representativas dos trabalhadores têm manifestado receio de que outras empresas estatais possam seguir o mesmo caminho. Com a entrega de serviços e ações da Sanepar para mercados de terceirização, a combinação entre queda das ações, redução da lucratividade e pressões regulatórias vem sendo acompanhada com atenção por diferentes segmentos.

Por outro lado, defensores de uma eventual abertura maior ao capital privado argumentam que oscilações no mercado acionário fazem parte da dinâmica das empresas listadas em bolsa e não representam, necessariamente, perda estrutural de valor ou preparação para um processo de venda.

Enquanto isso, investidores acompanham os próximos capítulos envolvendo a destinação dos precatórios, os efeitos da revisão tarifária e a capacidade da companhia de recuperar suas margens operacionais. O desempenho desses fatores será decisivo para determinar se a atual desvalorização representa apenas um ajuste de mercado ou o início de uma mudança mais profunda no futuro da maior empresa de saneamento do Paraná.

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