Delegado tenta localizar motorista que usou carro do padre e matou uma pessoa
O acidente que envolveu o veículo do padre Genivaldo Oliveira dos Santos ocorreu há seis anos. O religioso teria emprestado o carro, que foi conduzido por um jovem de 18 anos na época.

Eliane Alexandrino/Cascavel
O delegado adjunto da 15ª SDP (Subdivisão Policial) de Cascavel concedeu entrevista coletiva à imprensa na manhã desta sexta-feira (29) para apresentar novos desdobramentos sobre o caso do carro do padre Genivaldo Oliveira dos Santos, 41 anos, que está preso temporariamente acusado de abuso sexual.
O acidente com o veículo Peugeot 307 do padre aconteceu em outubro de 2019, no Bairro Periolo. No entanto, não era ele quem dirigia, mas sim um rapaz de 18 anos, que atropelou e matou Luiz Edimar Lima dos Santos, 30 anos.
Na coletiva, o delegado abordou apenas o acidente envolvendo o carro do religioso. Ele explicou que, até o momento, três pessoas foram ouvidas, entre elas parentes da vítima e o vereador Sidney Mazzutti. Também esclareceu por que o inquérito policial não foi instaurado na época, mas somente agora, seis anos depois.
“Nós constatamos que o inquérito não havia sido instaurado no sistema. Por essa razão, determinei a instauração e já iniciamos diligências para evitar a prescrição. Foi ouvido o vereador, que afirmou categoricamente que não esteve no local do acidente. Assim, as alegações contra ele não são verídicas”, afirmou o delegado.
Segundo o delegado, o condutor do veículo era Lucas, suposto enteado do padre Genivaldo.
“A princípio, de acordo com o boletim de ocorrência, era o Lucas que dirigi o veículo naquela noite. Isso foi inclusive relatado pela tia da vítima, que disse que, ao chegar para reconhecer o corpo do sobrinho, viu o condutor do veículo no camburão da Polícia Militar, foi detido por motivo de segurança na época”, explicou Fontana.
Lucas tinha 18 anos na ocasião e estava com CNH provisória. O delegado disse não saber por que o inquérito não foi formalizado em 2019, já que ele não atuava em Cascavel naquele período. A polícia tenta localizar Lucas, que estaria morando e trabalhando no estado de São Paulo. O padre Genivaldo também será ouvido nos próximos dias.
“Pretendo ouvi-lo para saber por que Lucas estava de posse do carro dele e em quais circunstâncias”, acrescentou o delegado.
Sobre a dificuldade em investigar o caso seis anos após o crime, ele destacou:
“A princípio, a questão é de diligência: testemunhas e localização de filmagens da época. Hoje, as imagens são fundamentais para reforçar investigações, tanto em relação à vítima quanto ao condutor. Quando não há dolo em acidentes, isso precisa ser esclarecido”, disse.
De acordo com a polícia, o teste do bafômetro foi realizado na época e deu negativo. Ainda nesta sexta-feira (29), serão ouvidos um policial militar e uma testemunha que presenciou o atropelamento.
A mãe da vítima, Neusa Lima, esteve na delegacia na quinta-feira (28) para prestar depoimento. Em entrevista ao Portal CGN, ela desabafou: “Meu filho morreu igual um cachorro e até agora ninguém fez nada”, disse, emocionada.
O que diz a defesa do Mazzutti?
Quanto às suspeitas envolvendo o vereador Sidney Mazzutti, a polícia afirmou que ele não esteve no local do acidente. Segundo o delegado, o parlamentar conhecia o padre apenas das atividades religiosas da comunidade. “A princípio, foi ouvido apenas como informante. Ele não estava presente no dia do acidente, não presenciou os fatos e afirmou que não acompanhava o padre naquele momento. Para nós, a declaração é suficiente. Ele disse apenas que auxiliava nas festas da comunidade católica”, explicou o delegado.
A Gazeta do Paraná também ouviu o advogado do vereador, Armando Souza, que negou qualquer parentesco com a vítima. Ele afirmou que Mazzutti já prestou esclarecimentos e está à disposição da polícia.
“O vereador deixou claro ao delegado que tinha conhecimento do acidente, mas naquele momento estava em uma missa. Em nenhum instante esteve no local do atropelamento ou teve envolvimento. O vereador e toda a comunidade católica estão abalados com os fatos graves que vieram à tona sobre o padre. Ele segue à disposição da polícia e da Justiça para esclarecer os fatos”, disse Souza.
Secretário de Segurança
O secretário estadual de Segurança Pública, coronel Hudson Teixeira, esteve em Cascavel na quinta-feira (28) onde falou com a imprensa e afirmou que também verificará por que o inquérito não foi instaurado em 2019.
“Isso tudo foi apontado agora. Estamos verificando o motivo de não ter sido instaurado um procedimento em relação a este veículo. Para nós, ainda é cedo. O fato chegou agora, é grave, e está sendo analisado. É claro que os fatos serão apurados, mas temos conhecimento de que estão relacionados à mesma pessoa”, disse Teixeira.
Foto: Eliane Alexandrino
