Conta de luz deve subir acima da inflação em 2026 com risco de seca e aumento de subsídios
A tarifa residencial pode subir até quatro pontos percentuais acima da inflação, chegando a 7,95%
Por Bruno Rodrigo
Créditos: Divulgação/Copel
A conta de luz deve voltar a pressionar o orçamento das famílias em 2026. Após ter sido um dos principais fatores de impacto na inflação no ano passado, a energia elétrica tem previsão de alta entre 5,1% e 7,95% neste ano, segundo estimativas de consultorias e bancos. O percentual pode ficar acima da inflação projetada, hoje em 3,95% pelo IPCA, conforme o boletim Focus. As informações são do Jornal OGlobo.
A principal explicação está no cenário hidrológico. Com reservatórios abaixo da média histórica e a possibilidade de transição do fenômeno La Niña para El Niño, cresce o risco de chuvas irregulares e período seco mais intenso. Esse quadro pode exigir maior acionamento de usinas termelétricas, cuja geração é mais cara, elevando os custos repassados ao consumidor.
A consultoria PSR projeta que a tarifa residencial pode subir até quatro pontos percentuais acima da inflação, chegando a 7,95%. Já o economista-chefe do Banco BMG, Flávio Serrano, trabalha com alta de 5,1%, mas alerta que o clima será determinante. No pior cenário, com acionamento da bandeira vermelha patamar 2 até o fim do ano, o reajuste poderia alcançar cerca de 12%.
O sistema de bandeiras tarifárias funciona como um sinalizador de custos. Quando há necessidade de utilizar fontes mais caras, como as térmicas, a conta recebe cobrança adicional. Atualmente vigora a bandeira verde, sem taxa extra, mas esse quadro pode mudar com o avanço do período seco.
Dados recentes do Operador Nacional do Sistema Elétrico indicam que os reservatórios registraram recuperação no início do ano, com níveis considerados satisfatórios no Sistema Interligado Nacional. Ainda assim, especialistas avaliam que a situação pode se deteriorar nos próximos meses, especialmente nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul.
Outro fator de pressão é a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo que financia subsídios do setor elétrico. Para 2026, estão previstos R$ 47,8 bilhões em subsídios, valor 17,7% superior ao de 2025. Esses recursos bancam, por exemplo, descontos para famílias de baixa renda, produtores rurais e irrigantes, e são pagos principalmente pelos consumidores por meio da tarifa.
Levantamento da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia aponta que, nos últimos 15 anos, a conta de luz acumulou alta de 177%, frente a 122% da inflação no mesmo período. Em 2025, a energia residencial subiu 12,31%, segundo o IBGE, sendo o item de maior impacto individual no índice oficial de preços.
O aumento ocorre em um contexto paradoxal: o país possui capacidade instalada de geração superior à demanda. Esse excesso tem levado o Operador a determinar cortes na produção de usinas eólicas e solares para manter o equilíbrio do sistema e evitar sobrecargas, resultando em perdas financeiras para as empresas do setor.
Entre as alternativas para atenuar a alta estão a utilização de receitas provenientes da renovação antecipada de concessões de geração e um cenário de chuvas mais favorável, que reduza a necessidade de térmicas. Até lá, especialistas indicam que a conta de luz deve seguir como fator de atenção para consumidores e para o controle da inflação em 2026.
