Condenado na trama golpista, Ramagem é preso nos Estados Unidos pelo ICE
Prisão está relacionada a questões migratórias e ocorre no contexto de cooperação internacional entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado
Por Da Redação
Créditos: Tomaz Silva/Agência Brasil
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) foi preso pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE), segundo confirmação da Polícia Federal brasileira. A detenção ocorreu em Orlando, no estado da Flórida, onde ele foi encaminhado a um centro de detenção. Até o momento, não há detalhes oficiais sobre o processo de eventual retorno ao Brasil.
De acordo com a Polícia Federal, a prisão está relacionada a questões migratórias e ocorre no contexto de cooperação internacional entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado. “Ramagem é um cidadão foragido da Justiça brasileira e, segundo autoridades norte-americanas, está em situação migratória irregular”, afirmou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por crimes ligados à tentativa de golpe de Estado, incluindo organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A decisão faz parte do julgamento sobre a chamada trama golpista investigada após os atos de 8 de janeiro.
Segundo investigações da Polícia Federal, o ex-parlamentar deixou o Brasil de forma clandestina em setembro de 2025, antes do término do julgamento. Ele teria atravessado a fronteira terrestre entre Roraima e a Guiana, seguindo até Georgetown, de onde embarcou para os Estados Unidos.
O nome de Ramagem foi incluído na lista de difusão vermelha da Interpol por determinação do ministro Alexandre de Moraes, o que permitiu sua localização e eventual detenção por autoridades estrangeiras. Em janeiro de 2026, o Ministério da Justiça já havia formalizado o pedido de extradição ao governo norte-americano, com envio de documentação ao Departamento de Estado dos EUA por meio da embaixada brasileira em Washington.
As investigações também apontam que a fuga contou com apoio logístico de terceiros. A Polícia Federal indica que familiares de um empresário ligado ao garimpo teriam auxiliado Ramagem na saída do país, além de facilitar sua permanência nos Estados Unidos e a obtenção de documentos falsos. Um dos suspeitos de participação no esquema foi preso recentemente em Manaus.
Aliados do ex-deputado afirmavam que ele pretendia solicitar asilo político em território norte-americano. No entanto, com a prisão por autoridades migratórias, o cenário pode acelerar os trâmites relacionados ao pedido de extradição.
Enquanto esteve fora do país, Ramagem sofreu sanções administrativas e políticas. Após a condenação, a Câmara dos Deputados determinou a cassação de seu mandato e o cancelamento do passaporte diplomático, além do bloqueio de vencimentos parlamentares.
Delegado da Polícia Federal desde 2005, Ramagem ganhou projeção ao chefiar a segurança do então candidato à Presidência Jair Bolsonaro durante a campanha de 2018. Posteriormente, assumiu o comando da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), cuja gestão foi alvo de investigações no caso conhecido como “Abin Paralela”.
Em 2022, foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro. Já em 2024, disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro, terminando em segundo lugar. Sua trajetória política, no entanto, foi interrompida após a condenação criminal e os desdobramentos das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado.
As autoridades brasileiras seguem em contato com o governo dos Estados Unidos para acompanhar o caso e definir os próximos passos do processo.
