Cinema de graça: veja onde assistir a bons filmes sem pagar assinatura
Tela Brasil, Itaú Cultural Play, Spcine Play e outras plataformas oferecem legalmente clássicos, produções premiadas e títulos recentes sem cobrar mensalidade
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Divulgação
Netflix, Prime Video, HBO Max, Disney+. Quem mantém mais de uma assinatura de streaming sabe que a conta pode crescer rapidamente no fim do mês. O que muita gente ainda não sabe é que existe uma outra prateleira de filmes na internet: plataformas públicas e culturais que permitem assistir gratuitamente e de forma legal a centenas de produções.
E não se trata apenas de filmes desconhecidos. Os catálogos incluem clássicos de Glauber Rocha, Eduardo Coutinho e Joaquim Pedro de Andrade, sucessos populares, documentários premiados e produções contemporâneas.
A Gazeta separou algumas das plataformas e títulos disponíveis para quem quer montar a sessão de cinema sem acrescentar mais uma assinatura ao cartão.
Tela Brasil: cinema nacional gratuito
Criado pelo Ministério da Cultura em parceria com a Universidade Federal de Alagoas, o Tela Brasil é uma plataforma pública dedicada ao audiovisual brasileiro.
O serviço reúne centenas de produções e o acesso é gratuito. Para entrar, o usuário utiliza sua conta Gov.br.
Para quem não sabe por onde começar, há alguns pesos-pesados da história do cinema brasileiro no catálogo.
- Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964): Dirigido por Glauber Rocha, é um dos marcos do Cinema Novo. A história acompanha Manuel e Rosa em uma travessia pelo sertão marcada por violência, religiosidade e desigualdade.
- Terra em Transe (1967): Também de Glauber Rocha, acompanha as disputas políticas do país fictício Eldorado. É uma das obras mais conhecidas do diretor e um dos títulos fundamentais do cinema brasileiro dos anos 1960.
- A Hora da Estrela (1985): Adaptação do romance de Clarice Lispector dirigida por Suzana Amaral. Marcélia Cartaxo interpreta Macabéa, jovem nordestina que vive em São Paulo e atravessa uma existência marcada pela solidão e pela precariedade.
- Cinema, Aspirinas e Urubus (2005): O filme de Marcelo Gomes acompanha o encontro entre um alemão que percorre o sertão vendendo aspirinas e um brasileiro que sonha em deixar a região. É uma ótima escolha para quem procura algo menos óbvio.
- O Menino e o Mundo (2013): A animação de Alê Abreu chegou a disputar o Oscar de melhor animação. Visualmente inventivo, o filme acompanha uma criança que deixa sua aldeia em busca do pai.
Para quem está com pouco tempo, existe ainda uma preciosidade de apenas alguns minutos: Ilha das Flores, curta de Jorge Furtado lançado em 1989 e que se tornou um clássico do audiovisual brasileiro.
Itaú Cultural Play tem um catálogo impressionante
Outra opção é o Itaú Cultural Play, plataforma gratuita voltada ao audiovisual brasileiro. Basta fazer cadastro para assistir.
É provavelmente onde o espectador que chega sem saber o que procurar terá algumas das escolhas mais fáceis.
- O Homem que Copiava (2003): Jorge Furtado dirige Lázaro Ramos, Leandra Leal, Pedro Cardoso e Luana Piovani em uma história que começa com um operador de fotocopiadora apaixonado pela vizinha e vai ficando progressivamente mais complicada. É uma das opções mais leves da lista.
- Saneamento Básico, o Filme (2007): Outra comédia de Jorge Furtado. Moradores de uma pequena comunidade precisam produzir um filme de ficção para conseguir utilizar uma verba pública destinada à realização de um vídeo. Fernanda Torres, Wagner Moura, Camila Pitanga, Bruno Garcia e Lázaro Ramos estão no elenco.
- Durval Discos (2002): A comédia dramática de Anna Muylaert começa dentro de uma loja de discos que insiste em vender vinil em plena ascensão do CD. O que parece uma história cotidiana muda radicalmente de rumo.
- Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2014): O longa de Daniel Ribeiro acompanha Leonardo, um adolescente cego em busca de maior independência, cuja rotina muda com a chegada de um novo colega à escola.
Para quem quer mergulhar nos clássicos, o catálogo fica ainda melhor. Estão disponíveis Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade; Eles Não Usam Black-Tie, de Leon Hirszman; Terra em Transe, de Glauber Rocha; e o documentário Cabra Marcado para Morrer, de Eduardo Coutinho.
Há ainda uma vantagem para quem quer aproveitar imediatamente: a plataforma mantém uma seção chamada “Saindo do catálogo”, indicando títulos cuja disponibilidade está perto do fim.
Entre os filmes atualmente nessa área estão Ilha das Flores, Arábia, O Que É Isso, Companheiro?, Macunaíma e O Padre e a Moça.
Spcine Play: streaming público
A Spcine Play se apresenta como a primeira plataforma pública de streaming do Brasil. Ligada à política audiovisual da cidade de São Paulo, reúne filmes brasileiros, clássicos, produções independentes, mostras e festivais.
O cadastro é gratuito e o conteúdo pode ser assistido em celulares, computadores, tablets e Smart TVs.
Entre os títulos que aparecem associados ao catálogo da plataforma estão produções importantes do cinema nacional, como Pixote, a Lei do Mais Fraco, de Hector Babenco, além de Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé.
O catálogo é rotativo, por isso vale conferir a disponibilidade antes de escolher a sessão.
Sesc também tem conteúdo gratuito
O Sesc Digital amplia essa lista. A plataforma reúne conteúdos de diferentes áreas culturais e pode ser acessada gratuitamente pelo aplicativo.
Além do audiovisual, o ambiente funciona como uma porta de entrada para outras produções culturais do Sesc, o que o diferencia dos serviços dedicados exclusivamente a filmes e séries.
Por onde começar?
Para quem quer simplesmente abrir uma plataforma e escolher um filme para hoje, dá para facilitar.
- Quero rir: Saneamento Básico, o Filme ou O Homem que Copiava.
- Quero um clássico: Deus e o Diabo na Terra do Sol ou Macunaíma.
- Quero um filme curto: Ilha das Flores.
- Quero documentário: Cabra Marcado para Morrer.
- Quero algo para assistir com crianças: O Menino e o Mundo.
- Quero romance e juventude: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho.
- Quero descobrir algo diferente: Cinema, Aspirinas e Urubus ou Durval Discos.
A principal diferença em relação aos grandes serviços comerciais está no modelo: em vez de uma mensalidade para acessar o catálogo, essas iniciativas são mantidas por instituições culturais ou pelo poder público e usam o streaming como instrumento de difusão do audiovisual.
Para o espectador, o resultado é bem mais simples: há muito cinema brasileiro disponível legalmente na internet sem precisar colocar o cartão de crédito.
Créditos: Redação
