Créditos: Marcello Casal/Arquivo
Paciente vindo do Congo é internado em SP com suspeita de Ebola
Homem de 37 anos, natural da República Democrática do Congo, está isolado e intubado no Instituto Emílio Ribas; Governo de SP avalia risco de transmissão no país como muito baixo
Um homem de 37 anos está internado no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, após apresentar sintomas compatíveis com ebola. O caso está sendo investigado pelas autoridades de saúde, que aguardam o resultado dos exames laboratoriais para confirmar ou descartar a infecção.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP), o paciente é natural da República Democrática do Congo e esteve recentemente no país africano, que enfrenta um surto da doença monitorado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O caso foi registrado no último sábado.
Segundo a pasta, o paciente apresentou sintomas compatíveis com febres hemorrágicas virais, entre eles febre alta, o que levou à adoção imediata dos protocolos previstos no Plano Nacional de Contingência. Entre as medidas estão o isolamento do paciente, a notificação das autoridades sanitárias e a abertura de investigação epidemiológica e laboratorial.
Antes de ser transferido para o Emílio Ribas, referência nacional no atendimento de doenças infecciosas, o homem procurou uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Conforme informou o Ministério da Saúde, ele apresentava febre elevada e exames inconclusivos para malária.
O quadro clínico evoluiu rapidamente. Segundo o ministério, o paciente chegou ao hospital com diarreia, desorientação e agravamento do estado geral de saúde, sendo necessária a intubação.
A investigação está sendo conduzida pela Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD) e pelo Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) do Estado de São Paulo.
A coordenadora em Saúde da CCD, Regiane de Paula, ressaltou que o caso segue sob análise e que todos os protocolos previstos para situações suspeitas foram colocados em prática.
“As medidas previstas foram adotadas a partir da identificação dos critérios clínicos e epidemiológicos. O procedimento inclui isolamento, notificação imediata, investigação laboratorial e monitoramento conforme os protocolos vigentes”, afirmou.
Protocolos de segurança
No Estado de São Paulo, qualquer suspeita de ebola ou outra febre hemorrágica viral deve ser comunicada imediatamente às autoridades de vigilância epidemiológica. O Instituto Emílio Ribas é a unidade de referência para atendimento desses pacientes, enquanto o Instituto Adolfo Lutz é responsável pelos exames laboratoriais e pelo diagnóstico diferencial.
Apesar da investigação em andamento, a Secretaria de Estado da Saúde avalia como muito baixo o risco de introdução da doença no Brasil e na América do Sul.
Segundo a pasta, diversos fatores contribuem para essa avaliação, entre eles a ausência de transmissão local da doença no continente, a inexistência de voos diretos entre a região afetada e a América do Sul e a forma de transmissão do vírus, que exige contato direto com sangue, secreções, fluidos corporais ou tecidos de pessoas infectadas e sintomáticas.
Como ocorre a transmissão
O ebola não é transmitido antes do aparecimento dos sintomas. Os sinais iniciais costumam incluir febre alta, dores musculares, dor de cabeça intensa, fadiga, náuseas, vômitos, diarreia e dores abdominais.
Nos casos mais graves, a doença pode evoluir para hemorragias, choque e falência múltipla de órgãos. O período de incubação varia entre dois e 21 dias.
A transmissão ocorre por meio do contato com fluidos corporais de pessoas infectadas.
Variante em circulação
De acordo com a Secretaria de Saúde paulista, o surto atualmente registrado na República Democrática do Congo envolve a cepa Bundibugyo do vírus Ebola.
A pasta informou que, até o momento, não existem vacinas licenciadas nem tratamentos específicos aprovados para essa variante. As vacinas disponíveis atualmente foram desenvolvidas para a cepa Zaire, responsável por surtos anteriores, e ainda não possuem eficácia comprovada contra a variante que circula atualmente.
Nesta semana, a Organização Mundial da Saúde informou que pesquisas envolvendo novos imunizantes e tratamentos seguem em andamento.
O Ministério da Saúde afirmou que acompanha permanentemente a situação epidemiológica internacional e mantém orientação aos serviços de saúde de todo o país para identificação rápida e manejo adequado de eventuais casos suspeitos.
