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Caso Banco Master: como citação de Toffoli pode afetar desdobramentos

Parte dos ministros considera a situação delicada pelo fato de o nome do magistrado aparecer em conversas ligadas ao objeto da investigação

Por Bruno Rodrigo

Caso Banco Master: como citação de Toffoli pode afetar desdobramentos Créditos: Rosinei Coutinho/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli determinou que a Polícia Federal encaminhe ao tribunal, na íntegra, os dados de todos os celulares e mídias apreendidos na investigação sobre o Banco Master. A ordem foi dada após a corporação entregar ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, um relatório de perícia no aparelho de Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira, no qual há menções ao nome do próprio relator do caso.

O conteúdo das mensagens permanece sob sigilo. Na decisão, Toffoli requisitou não apenas as conversas, mas também laudos periciais e dados telemáticos, informáticos e telefônicos relacionados às apreensões. Entre investigadores, o movimento foi interpretado como uma tentativa de aprofundar a análise do material após a entrega do relatório.

A investigação apura suspeitas de fraudes financeiras bilionárias envolvendo o Master e a tentativa de compra do banco pelo BRB. O processo chegou ao STF depois que a defesa de Vorcaro apontou a existência de citações a um deputado federal entre os materiais apreendidos, o que levou à remessa para a Corte e ao sorteio que definiu Toffoli como relator.

Menções ao ministro

O relatório da PF não pediu formalmente o afastamento do ministro, mas citou dispositivos do regimento interno do STF sobre eventual impedimento em situações semelhantes. A Procuradoria-Geral da República solicitou acesso ao documento para avaliar o caso.

Nos bastidores do tribunal, a permanência de Toffoli na relatoria passou a ser discutida. Parte dos ministros considera a situação delicada pelo fato de o nome do magistrado aparecer em conversas ligadas ao objeto da investigação. O presidente do STF encaminhou o relatório ao próprio relator para manifestação.

Em nota, o gabinete de Toffoli afirmou que eventual pedido de suspeição por parte da PF seria juridicamente inadequado, pois a polícia não integra o processo como parte. O texto também classificou como “ilações” as interpretações feitas a partir das mensagens.

A defesa de Daniel Vorcaro, por sua vez, declarou preocupação com vazamentos seletivos de informações, afirmando que eles poderiam gerar constrangimentos e prejudicar o direito de defesa.

Sociedade empresarial

No mesmo contexto, Toffoli admitiu integrar o quadro societário da empresa Maridt Participações, administrada por familiares. A companhia foi sócia do grupo responsável pelo resort Tayayá, no interior do Paraná, até fevereiro de 2025.

Parte das cotas do empreendimento foi vendida em 2021 ao Fundo Arleen, administrado pela gestora Reag, ligada ao Banco Master, por cerca de R$ 3,2 milhões. O restante da participação foi alienado em 2025 à PHB Holding. Segundo o ministro, todas as operações ocorreram a valor de mercado e foram declaradas à Receita Federal.

O gabinete destacou que a Lei Orgânica da Magistratura permite a magistrados participação societária e recebimento de dividendos, vedando apenas atuação na gestão. Toffoli também afirmou não ter recebido valores de Daniel Vorcaro nem de seu cunhado, Fabiano Zettel, ligado ao fundo comprador.

O ministro declarou ainda que só se tornou relator do caso quando a empresa familiar já não integrava mais o grupo do resort.

Pressões e desdobramentos

A investigação ganhou dimensão política dentro do Supremo. Parlamentares já haviam pedido o afastamento do relator anteriormente, alegando possível conflito de interesses, pedido arquivado pela PGR. Também foram citadas viagens do ministro na companhia de advogado ligado a investigados e pagamentos de diárias de segurança na região do resort.

Investigadores afirmam que o material apreendido pode abrir novas frentes de apuração, inclusive sobre eventuais pagamentos relacionados ao banco. A PF pretende concluir o relatório final até meados de março, dentro do prazo fixado pelo próprio relator.

Enquanto isso, o foco do tribunal se volta para duas decisões: se haverá análise formal de impedimento e quais serão os próximos passos do inquérito. A expectativa, segundo interlocutores da Corte, é que a Procuradoria-Geral da República e a presidência do STF definam o encaminhamento após a manifestação de Toffoli.

O caso permanece sob sigilo judicial.

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