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Bridgerton volta com novo olhar sobre intimidade e quebra tabus da era Regência

Nova temporada da série da Netflix troca o foco das cenas ousadas por debates sobre sexualidade, silêncio e representatividade

Bridgerton volta com novo olhar sobre intimidade e quebra tabus da era Regência Créditos: Netflix/Reprodução

A série Bridgerton retorna com uma proposta diferente da que a consagrou mundialmente. Desta vez, o drama de época ambientado na Inglaterra do século 19 coloca no centro da narrativa um tema pouco discutido naquele período: a falta de informação das mulheres sobre sexo e intimidade.

Na era da Regência, era socialmente aceito que homens jovens e ricos viajassem pela Europa vivendo experiências amorosas. Para as mulheres solteiras, porém, o acesso a qualquer conhecimento sobre o próprio corpo era praticamente inexistente até o casamento. É nesse contraste que a nova temporada se apoia.

A trama acompanha o retorno de Francesca Bridgerton, agora Lady Kilmartin, e de seu marido, John Stirling, a Mayfair após uma temporada nas Highlands. Recém-casados, os dois enfrentam dificuldades de conexão na intimidade, o que desperta inseguranças e dúvidas em Francesca.

Sem referências claras sobre prazer feminino, a personagem busca respostas em conversas com mulheres próximas, como a mãe, Lady Bridgerton, e a cunhada Penelope. A série mostra como o diálogo entre mulheres se torna uma das poucas formas de acesso à informação em uma sociedade marcada pelo silêncio.

A relação entre Francesca e John também evolui a partir da comunicação. Introvertidos, os dois precisam sair da zona de conforto para falar abertamente sobre sentimentos e expectativas, algo incomum para casais da época.

Representatividade em pauta

Além do debate sobre sexualidade, a temporada também chama atenção pela forma como retrata personagens que fogem dos padrões sociais. Francesca, por exemplo, foi identificada por parte do público como uma personagem com traços de neurodivergência, especialmente pela necessidade de silêncio e pela dificuldade em lidar com convenções sociais.

Embora essa não tenha sido uma característica planejada originalmente, a identificação do público ampliou o debate sobre representatividade e diversidade emocional na série.

Novo romance e novos cenários

Outro eixo central da temporada é a história de Benedict Bridgerton. O personagem se apaixona por Sophie, uma jovem misteriosa que conhece em um baile de máscaras. A narrativa segue um caminho inspirado em contos clássicos, mas amplia o universo da série ao mostrar, pela primeira vez, o cotidiano dos empregados da alta sociedade.

Esse novo recorte revela conflitos sociais pouco explorados até então e amplia o contraste entre luxo e realidade, um dos pilares do sucesso da produção.

Personagens clássicos seguem em destaque

Figuras centrais desde a primeira temporada, a rainha Charlotte e Lady Danbury continuam exercendo papel fundamental na trama. A amizade entre as duas passa por tensão quando a soberana impõe limites à liberdade de Danbury, colocando à prova uma relação construída ao longo dos anos.

O conflito abre espaço para reflexões sobre autonomia feminina, envelhecimento e o direito de escolher prioridades, temas que dialogam diretamente com o público contemporâneo.

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