BRB admite necessidade de R$ 8,8 bilhões para cobrir riscos ligados ao Banco Master
Presidente da instituição afirma que banco é hoje “o maior problema” do sistema financeiro nacional e defende medidas para garantir sua sobrevivência
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Lula Marques/Agência Brasil
O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, confirmou nesta terça-feira (9) que a instituição precisa constituir uma reserva de R$ 8,8 bilhões para enfrentar possíveis perdas relacionadas a operações realizadas com o Banco Master. A medida, segundo ele, é necessária para preservar a saúde financeira do banco estatal e evitar riscos à continuidade das operações.
A necessidade do provisionamento foi identificada após uma auditoria interna analisar cerca de R$ 30 bilhões em títulos adquiridos do Banco Master. De acordo com Souza, ao menos R$ 8,8 bilhões desses ativos apresentam fragilidades que podem resultar em perdas para o BRB. Desse total, R$ 2,6 bilhões não possuem lastro, ou seja, não contam com garantias que assegurem o ressarcimento dos valores investidos.
Durante audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o presidente do BRB explicou que a provisão não se limita aos recursos sem garantia. Segundo ele, outros ativos analisados pela instituição também apresentam elevado grau de risco, o que levou à definição do valor total de R$ 8,8 bilhões.
Para reforçar o caixa da instituição, o Governo do Distrito Federal (GDF), controlador de 53,7% das ações do banco, estruturou um projeto de lei que permitirá a contratação de um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A operação recebeu homologação do Supremo Tribunal Federal (STF) no fim de maio e ainda depende de aprovação da Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Outra frente de captação envolve a securitização de créditos do GDF. Segundo Souza, o mecanismo já garantiu ao BRB o ingresso de R$ 1,17 bilhão em uma primeira etapa realizada em maio. A expectativa é arrecadar pelo menos mais R$ 3 bilhões por meio da operação estruturada com participação do BTG Pactual.
Com esses recursos, o banco precisaria de aproximadamente R$ 2,2 bilhões adicionais para atingir o montante considerado necessário para absorver eventuais perdas.
Ao defender a aprovação do projeto de lei, Souza classificou a medida como fundamental para a sobrevivência do BRB. Ele reconheceu que a instituição enfrenta um momento delicado e afirmou que a recuperação não tem sido simples.
O presidente destacou ainda a relevância do banco para o sistema financeiro e para a economia do Distrito Federal. Atualmente, o BRB administra cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais de tribunais de justiça de quatro estados e do Distrito Federal, além de responder por aproximadamente 64% do financiamento imobiliário da capital federal.
Apesar das dificuldades, Souza afirmou que o banco segue operando normalmente e cumprindo todas as suas obrigações. Segundo ele, após as medidas adotadas nos últimos meses, a instituição já apresenta uma situação mais saudável do que a observada no fim de 2025.
