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Ataque à Arábia Saudita ameaça até 4% da oferta mundial de petróleo

Oleoduto estratégico usado para contornar o bloqueio no Estreito de Ormuz foi atingido por drones e suspenso; estoques no Mar Vermelho podem sustentar exportações por poucos dias

Por Gazeta do Paraná

Ataque à Arábia Saudita ameaça até 4% da oferta mundial de petróleo Créditos: AFP/Andrej Isakovic

O ataque que atingiu um dos principais oleodutos da Arábia Saudita acendeu um novo alerta sobre o abastecimento mundial de petróleo. A interrupção do sistema Leste-Oeste, rota estratégica utilizada pelos sauditas para contornar os problemas no Estreito de Ormuz, coloca em risco um fluxo equivalente a aproximadamente 4% da oferta global da commodity.

O oleoduto atravessa cerca de 1,2 mil quilômetros da Península Arábica e transporta petróleo dos campos localizados no leste do país até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho. Desde que a circulação de petroleiros pelo Estreito de Ormuz foi severamente afetada pela guerra entre Estados Unidos e Irã, a estrutura tornou-se uma das principais alternativas para manter as exportações sauditas.

O problema agora é que justamente essa rota alternativa também entrou na linha de fogo. Drones lançados a partir do território iraquiano atingiram o sistema e levaram a Arábia Saudita a suspender temporariamente seu funcionamento.


Até 4 milhões de barris

A dimensão do risco está no volume transportado. Aproximadamente 4 milhões de barris por dia estavam sendo desviados pelo oleoduto em direção a Yanbu, segundo estimativas do mercado. Isso representa uma parcela expressiva do abastecimento mundial e transforma qualquer interrupção prolongada em um problema internacional.

A Arábia Saudita possui petróleo armazenado em Yanbu que permite manter embarques mesmo com o oleoduto parado. O colchão de segurança, porém, é limitado. Estimativas apontam que os estoques disponíveis no terminal podem ser suficientes para aproximadamente cinco a sete dias caso o fluxo pelo oleoduto não seja restabelecido.

Há reservas adicionais em terminais no Egito, mas elas também são limitadas. Quanto maior o tempo necessário para reparar a estrutura, maior será a pressão sobre a capacidade saudita de manter seus compromissos de exportação.

O cenário chama ainda mais atenção porque a produção e a oferta de petróleo da Arábia Saudita já vinham sofrendo forte redução. O país, historicamente um dos principais responsáveis pela estabilidade do mercado internacional, enfrenta dificuldades justamente no momento em que outras importantes rotas de transporte estão ameaçadas pela escalada militar no Oriente Médio.

 

Duas rotas ameaçadas

O Estreito de Ormuz é uma das passagens marítimas mais importantes do planeta para o comércio de petróleo. Com o conflito entre Estados Unidos e Irã, o tráfego de petroleiros pela região foi drasticamente reduzido, obrigando a Arábia Saudita a aumentar o uso do oleoduto Leste-Oeste.

O sistema permitia levar o petróleo diretamente ao Mar Vermelho e evitar Ormuz. Agora, entretanto, o avanço dos conflitos também coloca pressão sobre essa saída.

No Iêmen, forças houthis ampliaram sua presença em áreas próximas ao Estreito de Bab el-Mandeb, outra passagem estratégica para o transporte marítimo. O estreito conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e ao Oceano Índico e é fundamental para embarcações que seguem entre a Ásia, o Oriente Médio e a Europa.

Na prática, a crise começa a pressionar simultaneamente diferentes caminhos utilizados para colocar o petróleo do Golfo no mercado internacional.

 

Oferta saudita despenca

Os ataques ocorrem depois de uma queda expressiva na quantidade de petróleo saudita que efetivamente chega ao mercado.

Dados da Agência Internacional de Energia indicam que a oferta da Arábia Saudita caiu 2,3 milhões de barris por dia em agosto, chegando a aproximadamente 6 milhões de barris diários. Foi o menor nível registrado em mais de três décadas.

Entre os fatores apontados estão ataques contra navios próximos ao Estreito de Bab el-Mandeb, contra a refinaria de Jazan e contra embarcações na região de Yanbu, além de ações contra instalações petrolíferas sauditas.

Os embarques do país também recuaram. A redução aumenta a importância de qualquer infraestrutura ainda disponível para manter as exportações.

 

Pressão nos preços

A sequência de ataques já produz reflexos no mercado internacional. O petróleo Brent, utilizado como referência global, voltou a superar a barreira dos US$ 100 por barril durante a escalada das tensões no Oriente Médio.

O temor do mercado não está relacionado apenas aos danos causados por um ataque isolado, mas à possibilidade de interrupções simultâneas em diferentes pontos da cadeia de abastecimento.

A Arábia Saudita ocupa posição central nesse sistema. Além de ser uma das maiores produtoras e exportadoras do mundo, o país historicamente dispõe de capacidade para aumentar sua produção em momentos de escassez e ajudar a estabilizar os preços.

Com oleodutos, terminais e rotas marítimas sob pressão ao mesmo tempo, essa margem de segurança diminui.

Uma interrupção prolongada pode significar menos petróleo chegando às refinarias internacionais, maior disputa pelos carregamentos disponíveis e nova pressão sobre as cotações. O movimento pode posteriormente atingir os preços de gasolina, diesel e outros derivados em diversos países.

O ataque ao oleoduto saudita, portanto, ultrapassa as fronteiras do conflito no Oriente Médio. A duração da paralisação passa a ser acompanhada de perto pelo mercado porque, se os reparos demorarem e os estoques começarem a diminuir, o problema pode deixar de ser apenas uma ameaça e se transformar em uma nova restrição concreta à oferta mundial de petróleo.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp