Paraná amplia apoio psicológico a mães de bebês prematuros
Método Canguru e atendimento multiprofissional ajudam a reduzir risco de depressão pós-parto
Créditos: Coordenadoria de Comunicação Social da Ebserh
O nascimento de um bebê prematuro e a internação em UTI Neonatal aumentam o risco de sofrimento emocional para as famílias. No Paraná, a Secretaria de Estado da Saúde reforça o atendimento multidisciplinar para apoiar mães e recém-nascidos durante esse período.
Pesquisa publicada em revistas científicas internacionais aponta que mães de bebês prematuros internados em UTIs têm 2,5 vezes mais chances de desenvolver depressão pós-parto. Cerca de 40% relatam sintomas depressivos, 26% apresentam ansiedade e 30% enfrentam estresse pós-traumático.
Método Canguru fortalece vínculo
Um dos principais instrumentos adotados no Estado é o Método Canguru. A estratégia é aplicada no Hospital de Clínicas do Paraná, em Curitiba, unidade de gestão tripartite e referência estadual na assistência a prematuros.
O método prevê contato pele a pele entre o bebê de baixo peso e os pais, na posição vertical, pelo maior tempo possível. A prática contribui para estabilizar temperatura, frequência cardíaca e oxigenação do recém-nascido. Também fortalece o vínculo afetivo e reduz o estresse materno.
O atendimento envolve equipe multiprofissional com médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, assistentes sociais e neuropediatras.
Segundo o secretário estadual da Saúde, Beto Preto, o cuidado com o prematuro inclui atenção à saúde mental da mãe. Ele afirma que uma mãe amparada tem melhores condições de estabelecer o vínculo necessário ao desenvolvimento do bebê.
Acompanhamento começa no pré-natal
De acordo com a coordenação da UTI Neonatal do Hospital de Clínicas, o suporte psicológico começa ainda no ambulatório de pré-natal de alto risco. Quando há indicação de possível internação do recém-nascido, a equipe já prepara a família para o processo.
Na Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Canguru, as mães permanecem internadas 24 horas por dia ao lado dos filhos. A convivência fortalece o aprendizado sobre os cuidados, mas também exige acompanhamento constante para evitar sobrecarga emocional.
A psicóloga clínica da unidade destaca que a ida do bebê para a UTI provoca instabilidade emocional imediata. O retorno para casa sem o recém-nascido intensifica o sofrimento. Por isso, o acolhimento contínuo é considerado essencial.
Após a alta hospitalar, mães que ainda apresentam sinais de ansiedade ou depressão são encaminhadas para acompanhamento na Atenção Primária à Saúde, por meio da Unidade Básica de Saúde de referência.
Nascimentos prematuros
Dados preliminares da Secretaria de Estado da Saúde, com base no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos do Ministério da Saúde, indicam que o Paraná registrou 15,9 mil nascimentos prematuros em 2025.
O Estado mantém a estratégia de integrar assistência neonatal e apoio psicológico como parte da política pública de atenção materno-infantil.
