Amiga de jovem perdido no Pico Paraná promete “reviravolta” e diz ter prints, fotos de “coisinhas”
Após críticas de Roberto, Thayane Smith reage, afirma que escondeu fatos para protegê-lo, acusa vitimização, fala em provas não exibidas na TV e diz que contará sua versão em reels.
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Reprodução redes sociais
O caso do jovem Roberto, que ficou quase cinco dias perdido na mata após uma trilha no Pico Paraná, ganhou um novo capítulo marcado por troca pública de acusações, desabafos nas redes sociais e um impasse jurídico entre Polícia Civil e Ministério Público.
Depois de Roberto conceder entrevistas dizendo que a amiga Thayane Smith “não deveria ter feito isso” ao seguir a trilha sem ele, a jovem passou a publicar uma série de stories no Instagram prometendo divulgar sua versão dos fatos e afirmando ter prints, fotos e provas que, segundo ela, foram escondidas da imprensa.
Em resposta a um seguidor que perguntou quando ela contaria sua versão, Thayane publicou:
“Não serei lembrada como uma mulher que manteve a boca fechada. E estou bem com isso.”
Logo depois, anunciou que iria à delegacia resolver “um probleminha” e que começaria a gravar vídeos para contar sua história:
“Amanhã irei na delegacia resolver um probleminha, mas de amanhã não passa. Assim que eu estiver livre eu irei começar a gravar a primeira parte de como tudo começou. A história é muito longa, irei soltando por partes nos reels pra vocês entenderem tudo o que aconteceu.”
Ela afirmou que não pretende contar apenas o que chamou de versão “fantasiosa” de Roberto:
“Não irei fazer como certa pessoa que só contou seu lado ‘fantasioso’ e ocultou o que realmente aconteceu antes dele errar sozinho.”
“Tenho prints, fotos de coisinhas”
Em outra publicação, ao ser questionada por que não explicava exatamente o que aconteceu no dia da trilha, Thayane respondeu:
“Irei fazer, irei fazer reels falando tudo o que ele esconde que eu não falei na televisão.”
Na mesma troca de mensagens, ela reforçou que Roberto já deu sua versão:
“Sim, ele já deu a entrevista dele, falou a versão dele, agora vai vir a outra versão que tô escondendo pra não prejudicar ele, mas ele tá me prejudicando e se achando um alfa.”
Em outro story, afirmou que está aguardando o desfecho de um processo:
“Estamos só esperando o resultado desse processo do MP e ver no que vai dar, mas tenho umas coisinhas, prints, fotos e provas aqui guardadinhas esperando um deslize pra acabar com essa farsa toda de bom mocinho sonso.”
Thayane também publicou um texto mais longo, em tom de desabafo, em que acusa Roberto de mentir e se vitimizar:
“Sorriso de tranquilidade de quem escondeu coisas das emissoras e internet pra desmascarar tal pessoa, mas eu cansei já desse teatro.”
Ela afirmou que há conteúdos que teriam sido cortados pela televisão:
“Tenho muita coisa pra falar que a televisão cortou. Tenho prints, fotos de coisinhas que mandaram eu jogar no lixo pra não prejudicar tal pessoa, mas ele tá me prejudicando demais se vitimizando.”
E concluiu:
“Eu bato no peito e assumo meus B.O sozinha e não fico calada não. Aguardem.”
“Ela não deveria ter feito isso”, diz Roberto
Antes da reação pública da amiga, Roberto havia comentado à imprensa sobre o momento em que eles se separaram na trilha. Em entrevista, o jovem disse:
“Ela não deveria ter feito isso.”
A frase se referia ao fato de Thayane ter seguido com outro grupo pela trilha enquanto ele passou mal durante a descida e acabou ficando sozinho em um trecho de mata considerada difícil e perigosa.
A atitude gerou forte debate entre trilheiros e internautas sobre responsabilidade em trilhas e a conduta de quem deixa um companheiro para trás.
MP aponta omissão de socorro e pede indenização
Paralelamente à disputa pública de versões, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) avaliou o caso e entendeu que houve omissão de socorro por parte de Thayane.
Segundo o parecer, ela teria deixado Roberto sozinho mesmo ciente das dificuldades físicas dele e dos riscos do local.
O MP propôs que a jovem responda por omissão de socorro no Juizado Especial Criminal, com uma transação penal que inclui: indenização de cerca de R$ 4.863,00 a Roberto; pagamento de aproximadamente R$ 8.105,00 ao Corpo de Bombeiros de Campina Grande do Sul, que coordenou as buscas; prestação de serviços comunitários por três meses junto aos bombeiros.
A avaliação do MP diverge da conclusão da Polícia Civil do Paraná, que encerrou o inquérito entendendo que não houve crime e recomendou o arquivamento do caso por ausência de indícios penais suficientes.
A diferença de entendimento entre as duas instituições mantém o episódio em aberto no campo jurídico.
O episódio que mobilizou o país
Roberto e Thayane subiram ao Pico Paraná no dia 31 de dezembro, com a intenção de ver o nascer do sol. Na descida, em 1º de janeiro, eles se separaram em um trecho da trilha.
Sem sinal de celular e debilitado, Roberto acabou se perdendo na mata e caminhou por dias até chegar a uma área rural próxima a Antonina, onde conseguiu pedir ajuda.
O resgate mobilizou bombeiros militares e voluntários. Roberto foi localizado com vida após quase cinco dias, com sinais de desidratação leve e escoriações, e recebeu alta após atendimento hospitalar.
Agora, além da apuração jurídica, o caso entra em uma nova fase de disputa pública de narrativas. De um lado, Roberto mantém a crítica à atitude da amiga ao deixá-lo para trás.
Do outro, Thayane promete divulgar uma versão ainda não apresentada e afirma ter provas guardadas.
“Não serei lembrada como uma mulher que manteve a boca fechada”, escreveu ela. E concluiu: “Aguardem.”
Créditos: Redação
