Alta do petróleo acende alerta para preço do diesel e pode impactar agronegócio do Paraná
Brent se aproxima dos US$ 100 após ataques a petroleiros no Mar Vermelho; aumento dos custos preocupa setor de transportes e exportações brasileiras
Créditos: Tania Rego/Agência Brasil
A forte alta do petróleo no mercado internacional voltou a acender o alerta para possíveis impactos no preço do diesel e nos custos do transporte de cargas no Brasil. Nesta quinta-feira (23), o barril do petróleo Brent avançou 4,8% e atingiu US$ 98,59, o maior patamar desde o início de junho, após novos ataques dos rebeldes houthis contra petroleiros sauditas no Mar Vermelho.
O movimento aumenta a preocupação com o abastecimento global de petróleo e combustíveis, já que as tensões no Oriente Médio afetam duas das principais rotas marítimas utilizadas pelo comércio internacional.
Além do Brent, o petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subiu 3,9%, chegando a US$ 90,22 por barril.
Ataques elevam temor de interrupção no abastecimento
Segundo informações divulgadas pelos houthis, dois navios que transportavam petróleo da Arábia Saudita foram atingidos no Mar Vermelho.
Os ataques ampliam os riscos para a navegação no Estreito de Bab el-Mandeb, corredor estratégico para o transporte mundial de petróleo.
Ao mesmo tempo, o mercado acompanha as restrições à circulação de navios no Estreito de Ormuz, em meio às tensões envolvendo Estados Unidos e Irã.
De acordo com estimativa do banco Goldman Sachs, cerca de 9 milhões de barris de petróleo passam diariamente por Bab el-Mandeb. Caso o bloqueio das rotas se intensifique, aproximadamente 4 milhões de barris por dia teriam dificuldades para encontrar trajetos alternativos.
Diesel também sofre pressão internacional
A preocupação do mercado não está restrita ao petróleo bruto.
As margens internacionais do diesel atingiram US$ 66,25 por barril em 17 de julho e permaneceram próximas de US$ 65 nesta semana.
Entre os fatores que pressionam os preços estão a restrição às exportações russas do combustível e os riscos de redução da oferta no Oriente Médio.
Brasil depende de importações
O cenário internacional pode refletir no mercado brasileiro porque aproximadamente 25% do diesel consumido no país é importado.
Mesmo que a Petrobras mantenha temporariamente os preços praticados nas refinarias, a alta do petróleo, do diesel no exterior e dos custos do transporte marítimo pode elevar o valor pago pelas distribuidoras.
Atualmente, a Petrobras comercializa o diesel A às distribuidoras por R$ 3,30 o litro, preço mantido desde 1º de julho.
Na ocasião, a estatal reduziu o preço do combustível, mas encerrou um desconto temporário de igual valor, sem alteração no custo líquido para as distribuidoras.
Subsídio federal já foi encerrado
O governo federal também encerrou, em 1º de julho, o programa emergencial de subvenção ao diesel destinado às refinarias que processam petróleo nacional.
Nesta semana, a Petrobras recebeu R$ 1,7 bilhão referentes ao reembolso das vendas realizadas entre os dias 16 e 31 de maio, período em que o subsídio era de R$ 1,12 por litro.
Segundo a companhia, os pagamentos acumulados pelo programa já somam aproximadamente R$ 6,4 bilhões.
Como os recursos se referem a vendas passadas, eles não influenciam os preços praticados após a recente disparada do petróleo.
Paraná pode sentir efeitos no transporte e nas exportações
No Paraná, o aumento do diesel preocupa principalmente o setor de transporte rodoviário e o agronegócio.
Grande parte da produção de soja, milho, carnes, fertilizantes e demais produtos percorre centenas de quilômetros até o Porto de Paranaguá, principal corredor de exportação do estado.
Caso o diesel fique mais caro, o custo do frete tende a aumentar, reduzindo a margem dos produtores e elevando os custos logísticos das exportações.
Entre os dias 12 e 18 de julho, o preço médio do diesel S10 era de:
- Curitiba: R$ 7,00 por litro;
- Paranaguá: R$ 6,82;
- Ponta Grossa: R$ 6,72;
- Cascavel: R$ 6,84;
- Londrina: R$ 6,94.
Já o diesel comum apresentava média de R$ 5,95 em Curitiba e R$ 6,44 em Paranaguá.
Impacto ainda é incerto
Apesar da forte valorização do petróleo, ainda não existe estimativa oficial sobre os efeitos da cotação próxima de US$ 100 por barril nos preços do diesel ou no frete agrícola paranaense.
Também não há anúncio de um novo programa federal de subsídios ao combustível.
Especialistas apontam que a intensidade dos impactos dependerá da evolução da crise internacional, da duração das restrições às rotas marítimas e das decisões que vierem a ser adotadas pelo governo federal e pela Petrobras em relação à política de preços dos combustíveis.
