Créditos: Rogério Machado/Alep
Curi defende diálogo e diz que será combativo contra abusos do STF
Candidato ao Senado pelo Republicanos afirmou, em sabatina do Grupo RIC, que pretende negociar com diferentes forças políticas, mas também defendeu impeachment de Alexandre de Moraes e mudanças no STF
O candidato ao Senado Alexandre Curi (Republicanos) defendeu nesta quarta-feira (16), durante sabatina do Grupo RIC, uma atuação política baseada no diálogo entre diferentes forças. Presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, ele afirmou que pretende levar ao Senado a experiência de articulação construída no Estado.
Curi disse que a capacidade de negociar será necessária para aprovar propostas que dependem de apoio de diferentes partidos e regiões. Como exemplo, citou a revisão do pacto federativo.
“Eu sempre dialoguei com todos, e é isso que me diferencia dos demais candidatos. Sempre dialoguei com quem pensa como eu e também respeito e dialogo com quem pensa de forma diferente. É o diálogo que está faltando neste país”, afirmou.
Segundo o candidato, as divergências políticas não precisam impedir acordos em torno de projetos de interesse dos estados. Ele citou a relação entre a Assembleia Legislativa e o governo do Paraná como exemplo.
“O Paraná é um grande exemplo de pacificação. Há quanto tempo você não vê o presidente da Assembleia brigando com o governador do Estado? Essa pacificação é fruto do diálogo”, disse.
Críticas à polarização em Brasília
Durante a entrevista, Curi criticou o ambiente político do Congresso Nacional e afirmou que a disputa entre grupos tem ocupado espaço que, na avaliação dele, deveria ser destinado à discussão de projetos.
“Quando você assiste a uma sessão do Senado, vê um lado tentando destruir o outro e ninguém debatendo o Brasil”, afirmou.
O candidato disse que pretende adotar posições firmes em temas nacionais, mas sem abandonar a negociação política. Entre os assuntos citados estão segurança pública, reforma tributária, infraestrutura e mudanças no funcionamento do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Pode ter certeza de que serei um senador combativo contra os abusos e excessos cometidos pelo Supremo Tribunal Federal, mas também um senador aberto ao diálogo. O discurso combativo é importante, mas, sozinho, não resolve”, declarou.
Curi também afirmou ser favorável ao impeachment do ministro Alexandre de Moraes. A declaração ocorreu um dia após uma sessão extraordinária do STF marcada por divergências entre ministros e interrompida depois de um pedido de vista de Flávio Dino.
Paraná e relação com o próximo governo
Curi afirmou que pretende manter uma relação institucional com o próximo governador do Paraná independentemente da composição partidária do governo.
Ao lado de Sandro Alex, candidato ao governo estadual, Curi defendeu a continuidade da parceria institucional construída nos últimos anos e disse que pretende atuar no Senado para ampliar investimentos federais no Paraná.
“Eu sempre coloquei o meu Estado em primeiro lugar”, afirmou.
Entre os projetos citados estão a Nova Ferroeste, o contorno ferroviário de Curitiba, investimentos em rodovias e uma nova ligação entre o Paraná e Mato Grosso do Sul.
O candidato também defendeu mudanças no pacto federativo para ampliar a autonomia financeira de estados e municípios. Outra proposta apresentada foi a criação de um Fundo Sul, reunindo Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, para financiar investimentos e atender situações emergenciais.
Segurança pública
Na área de segurança, Curi defendeu maior autonomia para os estados. Ele afirmou que pretende discutir uma mudança constitucional que permita às assembleias legislativas atuar em questões relacionadas à legislação penal.
O candidato também avaliou que a PEC da Segurança Pública avançou em relação ao texto inicial, mas defendeu que a proposta seja mais discutida antes de uma votação definitiva.
Curi ainda falou sobre a proposta de redução da jornada de trabalho. Ele afirmou ser favorável à medida, mas disse que a mudança deveria vir acompanhada de mecanismos de compensação para pequenas e médias empresas.
“Preciso ser muito sincero com o trabalhador: eu defendo a redução de sua jornada, mas quero preservar o seu emprego”, afirmou.
Segundo Curi, a redução da jornada precisa ser discutida junto com encargos e tributos para evitar que o aumento dos custos para as empresas resulte em demissões.
Curi promete cumprir oito anos de mandato
Questionado sobre a possibilidade de disputar o governo do Paraná no futuro, Curi afirmou que, caso seja eleito senador, pretende cumprir os oito anos de mandato.
“Eu sempre cumpri os meus mandatos e as minhas tarefas. Vou exercer os oito anos de mandato como senador”, declarou.
O candidato afirmou que mantém o projeto de disputar o governo estadual em algum momento, mas disse que uma eventual candidatura ficaria para depois do mandato no Senado.
Ao final da entrevista, Curi voltou a resumir sua proposta de atuação em Brasília com o lema adotado na campanha: “É menos Brasília e mais Paraná”.
Segundo o candidato, a combinação entre posições definidas e capacidade de diálogo deve orientar sua atuação no Senado e a defesa dos interesses do Estado.
