Alep pode reabrir caso Banestado com CPI após duas décadas
Deputado anuncia intenção de investigar esquema bilionário de evasão de divisas e reacende debate sobre impactos do escândalo no Paraná
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Divulgação
A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) voltou a colocar em pauta um dos maiores escândalos financeiros da história do Estado. Durante a sessão desta terça-feira (7), o deputado Arilson Chiorato anunciou a intenção de propor a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para revisitar o caso Banestado, investigado nos anos 1990 e 2000.
A fala foi feita em plenário, em meio a um discurso sobre a necessidade de retomar episódios que, segundo o parlamentar, não foram suficientemente aprofundados no âmbito político estadual. “Essa casa tem que retomar essa discussão para ver o que houve no caso do Banestado aqui dentro, o que aconteceu com o dinheiro e quais foram os impactos para a sociedade paranaense”, afirmou.
O caso Banestado revelou um esquema bilionário de evasão de divisas por meio das chamadas contas CC5, utilizadas para envio ilegal de recursos ao exterior. As investigações, conduzidas ao longo dos anos 1990 e início dos anos 2000, envolveram doleiros, empresários e operadores financeiros, e são consideradas um dos maiores episódios do tipo no país.
Ao defender a CPI, Arilson indicou que a proposta teria como foco esclarecer pontos que, na avaliação dele, permaneceram obscuros. O deputado citou nomes ligados às investigações, como Alberto Youssef e o empresário Tony Garcia, que poderiam ser chamados a depor em eventual comissão.
Apesar da avaliação de que o tema não foi suficientemente aprofundado, a Assembleia Legislativa chegou a instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o caso no início dos anos 2000. À época, o trabalho teve como um de seus principais nomes o deputado Neivo Beraldin, que conduziu parte relevante das apurações.
A CPI produziu relatórios, reuniu documentos e buscou esclarecer a dinâmica das operações financeiras envolvendo as contas CC5. O trabalho foi considerado, à época, como um dos esforços mais consistentes do Legislativo estadual para compreender o alcance do esquema.
Ainda assim, o histórico do caso mostra que a maior parte das investigações avançou na esfera federal, com desdobramentos judiciais que se estenderam por anos e envolveram diversos órgãos de controle.
A discussão sobre o Banestado tem sido retomada com frequência recente no debate público paranaense. Em conteúdos publicados ao longo das últimas décadas, a Gazeta do Paraná destacou que o escândalo não se encerrou com o fim do banco e que seus efeitos financeiros e institucionais ainda reverberam no Estado, inclusive com passivos e disputas judiciais prolongadas.
A proposta de nova CPI, no entanto, ainda não foi formalizada. Para que a comissão seja instalada, é necessário o apoio de um número mínimo de deputados, o que exigirá articulação política nas próximas semanas. Até o momento, não há indicação de quantos parlamentares já aderiram à ideia.
Se avançar, a CPI poderá representar uma nova tentativa da Alep de revisitar institucionalmente o caso Banestado mais de duas décadas após sua revelação, com o objetivo de reavaliar seus desdobramentos e efeitos para o Paraná.
Créditos: Redação
