Copel Horta

Adolescente confessa atentado que matou duas pessoas em Campo Mourão e diz que agiu por vingança

Jovem de 15 anos se apresentou à Polícia Civil, entregou a arma usada no crime e afirmou que pretendia atingir apenas uma mulher; investigação também apura possível ligação com o tráfico de drogas

Adolescente confessa atentado que matou duas pessoas em Campo Mourão e diz que agiu por vingança Créditos: Reprodução / Captura de Tela

O adolescente de 15 anos investigado pelo atentado a tiros que deixou duas pessoas mortas e outras três feridas em uma conveniência de Campo Mourão, no Centro-Oeste do Paraná, confessou o crime após se apresentar à Polícia Civil na manhã desta segunda-feira (20). Segundo os investigadores, ele afirmou que agiu por vingança e permanecerá apreendido.

O ataque ocorreu na noite de sexta-feira (17) e, conforme o depoimento do adolescente, tinha como único alvo a empresária Veridiana Gaya Menin Machado Sate, de 40 anos, que segue internada em estado grave.

Ao se apresentar, o jovem também entregou a arma utilizada no atentado, que foi apreendida e será submetida à perícia.

Adolescente disse que agiu por vingança

De acordo com o delegado Nilson Rodrigues da Silva, o adolescente confessou a autoria do crime durante o interrogatório.

"Esse menor se apresentou, confessou o crime e apresentou a arma do crime", afirmou o delegado.

Segundo ele, o jovem demonstrou arrependimento e relatou que não tinha experiência no manuseio de armas de fogo.

Ainda conforme o depoimento, o revólver utilizado no ataque pertencia ao irmão do adolescente, que morreu em 2024.

Polícia aponta vingança por morte do irmão

A investigação aponta que a motivação do atentado estaria relacionada à morte do irmão do adolescente.

Segundo a delegada Laís Mendonça Alves, responsável pelo caso, o jovem teria alimentado um sentimento de vingança após o episódio.

"Ele teria guardado essa mágoa", afirmou.

A delegada explicou que o irmão morreu em uma ocorrência na qual o próprio adolescente e a mãe também foram vítimas de uma tentativa de homicídio.

Apesar dessa linha de investigação, a Polícia Civil informou que ainda apura todas as circunstâncias do caso.

Tráfico de drogas também é investigado

Além da hipótese de vingança, a Polícia Civil investiga se o atentado pode ter alguma relação com o tráfico de drogas.

Segundo a delegada Laís Mendonça Alves, nenhuma possibilidade foi descartada.

"Vamos continuar com as diligências. O objetivo é apurar a verdade. A gente não adota integralmente o que é mencionado, vamos apurar todas as linhas e possibilidades", declarou.

A delegada informou ainda que o adolescente e o irmão possuem histórico criminal, mas não divulgou detalhes sobre os registros.

Alvo era apenas uma mulher, diz investigação

Em depoimento, o adolescente afirmou que pretendia matar apenas Veridiana Gaya Menin Machado Sate.

Segundo a Polícia Civil, no dia do crime ele soube que a mulher estava na conveniência e passou diversas vezes em frente ao estabelecimento para confirmar sua presença.

Depois, retornou ao local usando uma balaclava, aproximou-se a pé e efetuou diversos disparos.

Os investigadores acreditam que a distância em relação ao alvo e a falta de habilidade do adolescente com a arma fizeram com que outros frequentadores da conveniência fossem atingidos.

Além de Veridiana, uma mulher de 23 anos e um homem de 41 anos ficaram feridos.

As vítimas fatais foram Marcio Bertholdi Geraldo, de 43 anos, e Michael Zachytko Cavalcante, de 38 anos, sepultados no último domingo (19).

Delegado lamenta ataque

Para o delegado Nilson Rodrigues, o atentado provocou grande comoção em Campo Mourão.

"Esse indivíduo cometeu esse crime bárbaro. Causou comoção muito grande na cidade. São pessoas conhecidas, comerciantes, lutadoras. É lamentável o fato acontecido, o local em que se deu, uma lanchonete, com as pessoas se divertindo. Chega um indivíduo e pratica essa barbaridade. Cabe à polícia trazer uma solução", afirmou.

Mãe foi liberada e namorada segue investigada

Durante as buscas realizadas após o atentado, a mãe do adolescente foi presa em flagrante depois que policiais encontraram material explosivo, antenas para bloqueador de sinal, duas munições e uma pequena quantidade de drogas na residência da família.

O Esquadrão Antibombas foi acionado para recolher o material com segurança.

Posteriormente, a mulher foi colocada em liberdade e responderá à investigação.

Em depoimento, o adolescente afirmou que os explosivos foram encontrados por ele durante uma pescaria e levados para casa. A Polícia Civil investiga a origem do material.

A namorada do adolescente também é investigada por suspeita de ter dado apoio logístico durante a fuga.

Segundo a delegada Laís Mendonça Alves, ela confirmou que ajudou o jovem após o atentado, mas afirmou que não sabia da prática do crime.

A jovem foi ouvida pela polícia e optou por permanecer em silêncio durante parte do depoimento. As investigações prosseguem para esclarecer o grau de participação de cada um dos envolvidos e todas as circunstâncias do atentado.

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