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A Copa de 1970: o Mundial do tricampeonato do Brasil

Em 1970, o México foi o anfitrião de uma Copa do Mundo pela primeira vez e foi solo fértil para o Brasil

Por Luciano Neves

A Copa de 1970: o Mundial do tricampeonato do Brasil Créditos: Fifa.com

A contagem regressiva para a Copa do Mundo de 2026 continua com mais uma reportagem especial da série da Gazeta do Paraná. A primeira delas recordou curiosidades da Copa de 1986, disputada no México. E como o Mundial deste ano será na América do Norte, nos Estados Unidos, no México e no Canadá, continuamos neste território que foi um solo fértil para Brasil e Argentina. Afinal de contas, dois dos cinco títulos brasileiros foram na América do Norte, o tetra nos Estados Unidos, em 1994, e o tri, em 1970, no México.

Aliás, na reportagem desta edição vamos recordar justamente as curiosidades do Mundial de 70 e a belíssima campanha do tricampeonato brasileiro. Aquela Copa, a nona da história, foi a primeira com a presença de cinco campeãs mundiais. Isso porque, o Mundial teve a presença dos bicampeões Brasil, Itália e Uruguai, além da Alemanha, que até então tinha apenas um título, conquistado em 1954, na Suíça, e a Inglaterra, que havia entrado para o panteão de campeãs e foi para o México como detentora da taça, já que havia conquistado o Mundial pela primeira – e única vez – quatro anos antes em casa.

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E em 70, a Copa do Mundo teve, pela primeira vez, quatro campeãs mundiais nas semifinais. O Brasil, então bicampeão, fez uma das semis contra o também bicampeão Uruguai. A seguir, relembraremos os destaques desta partida. Na outra semifinal, a bicampeã Itália cruzou com a Alemanha, que buscava o segundo título. Adiante, vamos recordar a batalha épica entre as duas potências do futebol europeu.

Mas foi uma Copa marcada por ausências. Portugal, que havia terminado no terceiro lugar quatro anos antes, na Inglaterra, inclusive, ajudando a eliminar o Brasil na primeira fase, não se classificou. Outra ausência de peso do continente europeu foi a Holanda. Posteriormente, os holandeses chegariam em duas finais seguidas na Copa. E a Argentina também não conseguiu a vaga entre as seleções da América do Sul. Hoje, os hermanos são tricampeões mundiais e vão para a América do Norte com a taça na mão. A primeira conquista ocorreu em 1978, quando a Argentina sediou a Copa. E o bicampeonato ocorreu no México, em 1986, como relembramos na reportagem anterior. Mas em 70, a América do Sul tinha apenas três vagas e foram ocupadas por Brasil, Uruguai e Peru.

A Copa de 70 foi a última com 16 seleções. No Mundial seguinte, em 1974, na Alemanha, a Fifa aumentou o número de participantes para 24 seleções. Logo, conquistar uma vaga via eliminatórias se tornava era bem mais difícil. Por exemplo, a Concacaf, confederação da América do Norte, teve apenas o anfitrião México e El Salvador. Logo, Estados Unidos e Canadá, que receberão jogos da Copa em 2026, não se classificaram. E a única seleção africana na Copa foi Marrocos, que será adversário do Brasil na primeira rodada do Mundial de 2026. 

Israel

Israel está envolvido em conflitos no Oriente Médio, que até podem impactar na atual edição da Copa do Mundo. E vivenciou isso antes da Copa de 70. Aliás, aquela foi a única participação da seleção israelense num Mundial. Na ocasião, Israel competia no grupo da Ásia e da Oceania. E foi o único representante dos dois continentes. E foi uma classificação polêmica. Países árabes se recusaram a jogar contra Israel. A Coreia do Norte também se retirou, facilitando o caminho de Israel na classificatória. Em 1991, Israel passou a disputar as eliminatórias pela Europa. E já havia feito isso antes, nas Eliminatórias para os Mundiais de 1962 e 1966.

Naquela Copa, Israel até deu trabalho no chamado ‘grupo da morte’, mesmo sem vencer. Perdeu para o Uruguai por 2 a 0 na estreia, depois empatou com a Suécia em 1 a 1 e empatou com a Itália sem gols, ficando fora das quartas de final.

Campanha do tri

Antes de falarmos da campanha impecável da Seleção Brasileira, é bom lembrar que o time de Zagallo foi para o México sob contestações. Isso em virtude do fracasso na Copa de 66, na Inglaterra. Pelé esteve na eminência de abandonar a camisa amarelinha. E no período pré-Copa houve mudança no comando técnico. O treinador escolhido pela CBD (Confederação Brasileira de Desportos), atual CBF, foi o jornalista João Saldanha. Com ele no comando, o Brasil teve ótimos resultados antes do Mundial, o que deu moral para buscar o tri. Só que situações políticas colocaram João Saldanha na berlinda. A CBD anunciou que desfez a comissão técnica no dia 17 de março de 1970, dois meses e meio antes do Mundial. Após tentar Dino Sani, que foi campeão com o Brasil em 1958, e Oto Glória, que conduziu Portugal ao terceiro lugar em 1966, a CBD fechou com Mário Jorge Lobo Zagallo, bicampeão com a Seleção Brasileira em 1958 e 1962. E ele se tornou o primeiro homem na face da Terra a ser campeão mundial como jogador e como treinador.

Zagallo formou aquela que foi considerada a melhor seleção de todos os tempos.

O Brasil foi cabeça de chave do Grupo 3, considerado difícil porque tinha a atual campeã Inglaterra, a Tchecoslováquia, duas vezes vice-campeã, e a Romênia. Já na estreia, a Seleção de Zagallo deu o cartão de visitas e goleou os tchecos por 4 a 1, no dia 03 de junho, gols de Rivelino, Pelé e Jairzinho, duas vezes.

Na segunda rodada, um jogo duro, mas o Brasil derrotou os ingleses por 1 a 0, gol de Jairzinho. E na terceira rodada, a Seleção fez outro jogo pegado contra os romenos, com vitória por 3 a 2, gols de Jairzinho e Pelé duas vezes. Nas quartas de final, o Brasil sobrou diante dos peruanos, com goleada de 4 a 2. Rivelino, Tostão, duas vezes, e Jairzinho marcaram duas vezes.

O caminho do tri teve dois confrontos contra sul-americanos. Nas semifinais, o Brasil reencontrou o Uruguai e teve que encarar o fantasma da Copa de 50, quando perdeu para a Celeste Olímpica em casa. O clássico ocorreu no dia 17 de junho, em Guadalajara. O Brasil até tomou um susto e saiu atrás no placar. Cubilla marcou para o Uruguai. Mas Clodoaldo, Jairzinho e Rivelino garantiram a vaga na decisão. E foi nesse jogo que Pelé protagonizou o lance magistral sobre o goleiro Mazurkiewcz. O drible de corpo, a meia-lua e a bola caprichosamente foi para fora no arremate.

O primeiro tri

No dia 21 de junho, os comandados de Zagallo entraram no gramado do Estádio Azteca para a grande decisão contra os italianos. A Itália havia feito uma primeira fase irregular, mas havia goleado os anfitriões mexicanos por 4 a 1 nas quartas e feito um jogo épico contra a Alemanha nas semifinais, com vitória por 4 a 3, numa partida que foi para a prorrogação. Como ambas as seleções haviam conquistado a Copa do Mundo duas vezes, daquele confronto sairia o primeiro tricampeão. A nossa sorte é que a Seleção Brasileira era recheada de talentos. E foi magistral na final: goleada de 4 a 1. Pelé fez 1 a 0. Bonisegna empatou para a Azzurra. Mas Gérson, Rivelino e Carlos Alberto Torres fechou a conta arrematando de primeira aquela ajeitada de Pelé. Jairzinho marcou gols nos seis jogos, mas foi o vice-artilheiro da Copa com sete gols. Ficou atrás do alemão Gerd Müller, autor de dez gols. Pelé sagrou-se tricampeão como jogador e até hoje é o único atleta a conseguir esse feito. 

Nota dez

Jairzinho, Gérson, Tostão, Pelé e Rivelino usavam a camisa 10 em seus respectivos clubes (Botafogo, São Paulo, Cruzeiro, Santos e Corinthians). Mas a honra da camisa 10 do tri foi de Pelé. Jairzinho foi o camisa 7, Gerson ficou com a 8, Tostão usou a 9 e Rivelino ficou com a camisa 11. Era ou não era um time impecável! E imbatível!

Créditos: Luciano Neves Acesse nosso canal no WhatsApp