Corbelia Abril

20ª Semana Cultural Indígena leva mais de 7 mil pessoas à escola da aldeia Añetete

Evento realizado anualmente em Diamante D’Oeste, com apoio da Itaipu aproxima não indígenas da realidade dos Ava Guarani

Por Eliane Alexandrino

20ª Semana Cultural Indígena leva mais de 7 mil pessoas à escola da aldeia Añetete Créditos: Divulgação

Encerra-se nesta quinta-feira (16), na comunidade Tekoha Añetete, em Diamante D’Oeste, a 20ª edição da Semana Cultural Indígena Guarani. O evento, realizado anualmente, costuma atrair a participação de escolas de todo o Oeste do Paraná. Em três dias de programação, foram mais de 7 mil visitantes. Os estudantes vêm conhecer de perto a cultura, as tradições e os costumes dos Ava Guarani, etnia que está presente na região da fronteira trinacional há pelo menos 5 mil anos. 

O município de Diamante D’Oeste abriga duas comunidades indígenas vizinhas (Añetete e Itamarã), que se revezam todos os anos para sediar a Semana Cultural. Porém, ambas se envolvem diretamente na organização das atividades, o que faz desse evento um marco no calendário das 180 famílias que ali vivem. 

“A gente fica muito feliz que as pessoas venham conhecer a nossa aldeia, a nossa realidade”, conta o cacique da Tekoha Itamarã, Cipriano Alves. “É um momento de festa na comunidade.” 

As aldeias fazem parte das comunidades indígenas apoiadas pela Itaipu Binacional, que investe em melhorias na infraestrutura (como a construção de casas e pavimentação de acessos viários), assistência técnica para a produção de alimentos e ações de valorização da cultura e promoção da saúde. Essas iniciativas são desenvolvidas em parceria com a Prefeitura Municipal e os colégios indígenas.

Durante a Semana Cultural, a propósito, as atividades ocorrem nas escolas de cada comunidade. No caso da Añetete, no Colégio Estadual Indígena Kuaa Mbo’e. Ao longo de corredores, salas de aula e playground, estudantes indígenas e não indígenas interagem livremente.

Além de apresentações musicais e do artesanato, os visitantes podem receber uma pintura tradicional, ver uma exposição fotográfica sobre o dia a dia dos indígenas, ou fazer uma trilha pela comunidade. Um apito que imita o canto de um passarinho é um dos itens preferidos entre os produtos do artesanato guarani. E o burburinho das crianças e jovens, entrecortado pelos sons do apito, dá o tom da trilha sonora no local. 

Para a professora Jociane Martins Pedroso, de Cascavel, essa interação é fundamental para que os alunos não indígenas conheçam mais sobre os Guarani e sua importância para a história do País e da região. Esta é a segunda vez que ela participa da Semana Cultural, acompanhando 75 alunos. 

“Quando eles vêm aqui, eles veem como os indígenas se expressam, como construíram suas comunidades”, afirma Jociane, que é coordenadora de prática de formação do Colégio Estadual Wilson Jofre, nas disciplinas de Desenvolvimento Humano e Metodologia da Arte. 

“O grande ganho educacional é justamente essa interação, essa troca de saberes, com uma cultura ancestral de milhares de anos. É a oportunidade que esses estudantes não indígenas têm de colocar o pé numa aldeia”, acrescenta o diretor do Colégio Kuaa Mbo’e, Jairo César Bortolini. 

Além do intercâmbio cultural, a Semana é uma oportunidade para promover a superação de preconceitos, na opinião do gestor da Itaipu para as ações junto às comunidades indígenas, Paulo Porto. “E como você combate o preconceito? Dando visibilidade, apresentando essa riqueza cultural que são os Guarani. É uma semana em que eles abrem a comunidade de maneira acolhedora e respeitosa”, afirma.

Foto: Divulgação

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