Exportações de mel do Paraná caem 25% em volume, apesar da valorização do produto
Estado embarcou 3,5 mil toneladas entre janeiro e agosto de 2026; preço médio de exportação subiu 7,4%, mas não foi suficiente para compensar a redução na quantidade comercializada
As exportações de mel do Paraná registraram uma retração expressiva nos primeiros oito meses de 2026. Entre janeiro e agosto, o Estado comercializou 3.509 toneladas do produto no mercado internacional, volume 25,3% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. A queda ocorreu apesar da valorização do mel brasileiro no exterior, com aumento de 7,4% no preço médio de exportação.
Os dados constam de levantamento divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), e revelam um cenário de contrastes para a apicultura paranaense. Embora o produto tenha alcançado preços mais elevados por unidade comercializada, a redução no volume embarcado limitou os resultados do comércio exterior.
A situação chama atenção para os desafios de um setor que reúne produtores de diferentes portes, incluindo agricultores familiares que utilizam a apicultura como atividade complementar de geração de renda. Além da produção de mel, a criação de abelhas desempenha um papel importante na polinização de culturas agrícolas e na manutenção da biodiversidade.
Queda no volume supera valorização
A retração de 25,3% significa que, para cada 100 toneladas de mel exportadas pelo Paraná nos oito primeiros meses de 2025, aproximadamente 75 toneladas foram comercializadas no mesmo intervalo de 2026.
A valorização de 7,4% no preço médio internacional amenizou parcialmente o impacto da redução no volume, mas não foi suficiente para neutralizá-lo.
Considerando exclusivamente essas duas variações, o valor total das exportações teria apresentado uma queda aproximada de 19,8% na comparação anual. O percentual resulta da combinação entre a quantidade exportada e o preço médio, não representando necessariamente a variação exata do faturamento informada pelas estatísticas oficiais.
O resultado mostra que preços mais elevados não significam, obrigatoriamente, maior receita para uma atividade econômica. Quando a quantidade comercializada diminui em proporção superior à valorização do produto, o resultado financeiro agregado tende a recuar.
Para os produtores, entretanto, os efeitos podem variar conforme os contratos comerciais, os custos de produção, a qualidade do mel e a participação de cada estabelecimento nas exportações.
Receita das exportações recua quase 20%
Em valores, as exportações paranaenses de mel movimentaram US$ 12,401 milhões entre janeiro e agosto de 2026, contra US$ 15,470 milhões no mesmo período de 2025. A diferença representa uma perda de aproximadamente US$ 3,07 milhões em receita cambial, equivalente a uma retração de 19,8%.
O Paraná permanece como o terceiro maior exportador brasileiro de mel in natura, com preço médio de US$ 3.533,94 por tonelada. Apesar da redução nas vendas, o resultado demonstra a importância do Estado no fornecimento do produto ao mercado internacional.
O desempenho paranaense contrasta com o cenário nacional. No conjunto do Brasil, as exportações de mel totalizaram 25.077 toneladas nos oito primeiros meses do ano, queda de apenas 3,2% em volume. A receita brasileira, por outro lado, aumentou 2,8%, alcançando US$ 88,688 milhões.
Isso significa que, enquanto o Brasil conseguiu ampliar o faturamento mesmo exportando menos, o Paraná enfrentou redução simultânea na quantidade comercializada e na receita obtida.
A diferença também aparece na intensidade da retração. A queda de 25,3% no volume exportado pelo Paraná foi quase oito vezes superior à redução de 3,2% registrada nacionalmente.
Canadá e Alemanha ampliam compras
Apesar do desempenho negativo nas exportações paranaenses, alguns mercados internacionais apresentam sinais de expansão para o mel brasileiro. Entre janeiro e agosto, o Canadá aumentou em 59,3% o volume adquirido do Brasil, enquanto a Alemanha registrou crescimento de 249,4% nas compras.
Os resultados indicam oportunidades de diversificação comercial, especialmente em mercados que valorizam características como origem, qualidade e rastreabilidade dos produtos.
Entretanto, a ampliação das compras desses países não significa necessariamente aumento das vendas paranaenses. Os percentuais divulgados pelo Deral se referem às exportações brasileiras, e não exclusivamente aos embarques realizados pelo Estado.
A possibilidade de conquistar novos compradores também depende do atendimento às exigências sanitárias e comerciais estabelecidas pelos países importadores.
União Europeia pode abrir nova oportunidade
Uma perspectiva importante para o setor está relacionada ao mercado europeu. Em 28 de setembro, a Comissão Europeia divulgou relatório de auditoria técnica que atestou a conformidade dos controles sanitários brasileiros nas cadeias da apicultura e da avicultura.
O documento representa uma etapa relevante para a possível retomada das exportações brasileiras de produtos dessas cadeias à União Europeia, mas a liberação ainda depende de procedimentos regulatórios.
Uma votação do comitê europeu está prevista para os dias 20 e 21 de outubro. Até que haja decisão formal, não é possível considerar o mercado reaberto.
Para o Paraná, a eventual ampliação dos destinos comerciais poderá representar uma oportunidade de recuperação das vendas, embora seus efeitos dependam da capacidade de produção, da competitividade dos exportadores e das condições de acesso ao mercado.
Apicultura também tem importância ambiental
Além de sua participação no comércio exterior, a apicultura desempenha uma função relevante na economia rural. A atividade pode ser desenvolvida em propriedades de diferentes tamanhos e permite diversificar as fontes de renda, especialmente na agricultura familiar.
A criação de abelhas também está associada à polinização, processo fundamental para a reprodução de diversas espécies vegetais e para a produtividade de determinadas culturas agrícolas.
Por isso, o desempenho da atividade não pode ser avaliado exclusivamente pelo volume exportado. O mercado interno, os custos de produção, as condições ambientais e a disponibilidade de floradas também influenciam os resultados dos apicultores.
Os dados do comércio exterior não permitem concluir, isoladamente, que houve redução na produção estadual de mel ou queda generalizada na renda dos produtores. Para estabelecer essas relações, seria necessário analisar os indicadores de produção e os preços efetivamente recebidos nas propriedades.
Ainda assim, a retração das exportações evidencia um desafio para a cadeia produtiva paranaense: recuperar espaço no mercado internacional em um período no qual o mel brasileiro apresenta valorização e alguns países ampliam suas compras.
Com a possibilidade de mudanças nas condições de acesso ao mercado europeu, os próximos meses poderão ser importantes para definir as perspectivas comerciais do setor.
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