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Novo exame de HPV começa a substituir o Papanicolau no SUS; entenda o que muda para as mulheres

Teste de DNA-HPV identifica o vírus antes do surgimento de alterações nas células e permite ampliar o intervalo entre os exames de rastreamento; Paraná iniciou distribuição de 300 mil testes à rede pública

Gazeta do Paraná · · 6 min de leitura
Papanicolau
Papanicolau — Crédito: JOÃO RISI/MS

O exame de Papanicolau, utilizado há décadas para identificar alterações nas células do colo do útero, está sendo gradualmente substituído por uma tecnologia mais sensível na rede pública de saúde. O novo teste de DNA-HPV permite detectar a presença de tipos do papilomavírus humano associados ao desenvolvimento do câncer do colo do útero, mesmo antes de surgirem alterações celulares. A mudança faz parte de uma estratégia nacional para ampliar a prevenção e identificar precocemente mulheres com maior risco de desenvolver a doença.

No Paraná, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) anunciou, em outubro, a distribuição de 300 mil testes de DNA-HPV para ampliar o acesso ao novo método. Até o levantamento divulgado no dia 15, aproximadamente 29,1 mil exames haviam sido distribuídos e a tecnologia já estava disponível em 38 municípios, com previsão de expansão para outros 217. A implantação ocorre de maneira gradual, conforme a organização da rede pública e a disponibilidade dos exames.

A principal novidade para as pacientes está na forma de identificar o risco de câncer. Enquanto o Papanicolau procura alterações nas células que podem indicar lesões precursoras da doença, o teste molecular busca diretamente o material genético de tipos de HPV considerados de alto risco. Isso permite reconhecer infecções que exigem acompanhamento antes mesmo de provocarem modificações detectáveis pelo exame tradicional.

 

Como é feito o novo exame?

Para a paciente, o procedimento é bastante semelhante ao Papanicolau. A coleta convencional é realizada em uma unidade de saúde, geralmente com a utilização de um espéculo, instrumento que permite visualizar o colo do útero. Um profissional capacitado recolhe uma pequena amostra de células e secreções da região, que será encaminhada para análise laboratorial.

A diferença está no que acontece depois da coleta. No Papanicolau, a amostra é examinada para identificar células com alterações que possam indicar lesões precursoras do câncer. No teste de DNA-HPV, o laboratório utiliza técnicas moleculares para pesquisar o material genético dos tipos do vírus associados ao desenvolvimento de tumores.

O procedimento costuma ser rápido e pode provocar algum desconforto, semelhante ao exame preventivo tradicional. A paciente não precisa ser submetida a uma biópsia para realizar o rastreamento. A biópsia poderá ser indicada posteriormente, caso os resultados e os exames complementares apontem alterações suspeitas.

Uma vantagem adicional da tecnologia é a possibilidade de utilização de amostras obtidas por autocoleta, quando essa modalidade estiver disponível e for adotada pelo serviço de saúde. Nesse procedimento, a própria paciente recolhe uma amostra vaginal com um dispositivo apropriado, seguindo orientações profissionais. A disponibilidade da autocoleta, entretanto, depende da organização e dos protocolos de cada serviço.

Qual é a diferença entre os exames?

A Secretaria da Saúde do Paraná informa que o novo método apresenta sensibilidade entre 60% e 70% maior do que a citologia convencional. Isso não significa que o teste diagnostique todos os casos de câncer, mas que possui maior capacidade de identificar situações que precisam de investigação e acompanhamento.

 

Quem deve fazer o exame e com que frequência?

A orientação nacional do Ministério da Saúde prevê o rastreamento com DNA-HPV para mulheres e outras pessoas com colo do útero, entre 25 e 64 anos, que já iniciaram a atividade sexual. Quando o resultado é negativo e não existem condições especiais de risco, o intervalo recomendado até a próxima coleta é de cinco anos.

A ampliação do intervalo não representa redução da proteção. Como o teste molecular apresenta maior sensibilidade, um resultado negativo oferece maior segurança para o acompanhamento durante esse período. A recomendação, porém, não se aplica automaticamente a todas as pacientes.

Pessoas com imunossupressão, incluindo aquelas que vivem com HIV, podem precisar de exames mais frequentes. Quem já apresentou lesões importantes no colo do útero ou recebeu tratamento também pode necessitar de acompanhamento específico, conforme avaliação profissional.

 

O que acontece quando o resultado é positivo?

Receber um resultado positivo para HPV de alto risco não significa ter câncer. A infecção é frequente entre pessoas sexualmente ativas e, em muitos casos, o próprio organismo consegue eliminá-la ou controlá-la sem que ocorram complicações.

O resultado indica a necessidade de avaliar o risco de desenvolvimento de lesões. A conduta depende do tipo viral identificado, do histórico da paciente e dos protocolos clínicos. Quando são detectados os tipos HPV 16 ou 18, associados a maior risco de câncer do colo do útero, pode haver encaminhamento direto para colposcopia, exame que permite observar o colo do útero com maior detalhamento.

Em outras situações, o acompanhamento pode incluir citologia complementar, repetição do teste ou outros procedimentos. O Papanicolau, portanto, não desaparece completamente: ele continua tendo utilidade em determinadas etapas da investigação e durante a transição entre os métodos.

 

Como conseguir o exame gratuitamente no Paraná?

O teste de DNA-HPV está sendo incorporado ao Sistema Único de Saúde. Para saber se a tecnologia já está disponível no município, a orientação é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência. A equipe poderá informar qual exame está sendo utilizado e avaliar a necessidade de agendamento.

A Sesa informou, em 15 de outubro, que 29.100 testes haviam sido distribuídos e que a nova tecnologia já estava em utilização em 38 municípios. Outros 217 estavam em fase de implementação, com a meta de alcançar 255 cidades até o fim de 2026.

Segundo a secretaria, a distribuição dos materiais ocorre de forma fracionada e monitorada mensalmente, acompanhando a capacidade de atendimento dos municípios. A pasta também informou que 2,5 mil profissionais da rede pública já receberam capacitação para a implantação do método.

O processamento das amostras conta com a participação do Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), sediado em Curitiba. A instituição integra a estrutura de apoio laboratorial à implementação do rastreamento molecular no Estado.

Enquanto a nova tecnologia não estiver disponível em toda a rede, o Papanicolau continuará sendo realizado normalmente. Por isso, mulheres que estão na faixa etária recomendada não devem adiar o exame preventivo apenas para aguardar a chegada do DNA-HPV ao município.

 

Vacinação continua sendo fundamental

A incorporação do novo exame não substitui a vacinação contra o HPV. As duas estratégias são complementares: a vacina busca prevenir infecções pelos principais tipos do vírus associados ao câncer, enquanto o rastreamento permite identificar infecções de risco e alterações que exigem acompanhamento.

No Paraná, a cobertura vacinal informada pela Sesa alcança 83,59% do público feminino e 80,09% do masculino. A vacinação de rotina é destinada a meninas e meninos de 9 a 14 anos, com estratégias de resgate para adolescentes de 15 a 19 anos que ainda não foram imunizados.

Mesmo mulheres vacinadas devem realizar o rastreamento quando atingirem a faixa etária recomendada, pois a proteção oferecida pela vacina não abrange todos os tipos de HPV capazes de provocar câncer.

O câncer do colo do útero está entre os principais tumores que atingem mulheres brasileiras, mas também entre aqueles com maior potencial de prevenção. A combinação entre vacinação, rastreamento adequado e tratamento das lesões precursoras pode evitar grande parte dos casos.

Para a população, a principal orientação é não abandonar o acompanhamento preventivo. O novo exame representa um avanço na capacidade de identificar riscos, mas sua eficácia depende de que as pacientes tenham acesso à coleta, recebam os resultados e sejam encaminhadas para investigação e tratamento sempre que necessário.

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