Vereador denuncia ameaças e intolerância política contra apoiadores de Lula em Maringá
Mário Verri (PT) relata agressões, listas de boicote, mensagens racistas e referências ao nazismo; denúncias surgem em meio a episódios de violência política registrados em diferentes estados após as eleições
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Na sessão desta terça-feira (27), o vereador Mário Verri (PT) denunciou supostos episódios de agressão e perseguição contra apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre as situações mencionadas estão a circulação de listas de boicote a empresários e influenciadores, mensagens racistas e de apologia ao nazismo atribuídas a estudantes de Medicina da UniCesumar, em Maringá, além de ameaças contra professores de escolas particulares.
Após a vitória de Lula no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no último domingo (25), manifestações de revolta de apoiadores da família Bolsonaro ganharam espaço nas redes sociais. Em meio à polarização política, também surgiram denúncias de ameaças, agressões e campanhas de boicote contra pessoas identificadas com a esquerda.
No Paraná, um dos episódios que geraram repercussão envolve um vídeo de uma estudante de Medicina de uma faculdade particular de Cascavel, no oeste do estado. Na gravação, a jovem utiliza palavras de baixo calão para se referir a eleitores petistas e afirma desejar que eles passem fome. Outro caso envolve capturas de tela de conversas atribuídas a integrantes de uma turma de Medicina, nas quais aparecem ofensas racistas, manifestações discriminatórias e mensagens que expressam o desejo de que mulheres identificadas como petistas sejam vítimas de violência sexual.
Durante seu pronunciamento, Mário Verri citou ainda um vídeo no qual um homem identificado como apoiador de Bolsonaro teria afirmado já ter agredido cinco petistas. Segundo o parlamentar, o episódio foi levado à delegacia e registrado em boletim de ocorrência.
O vereador também relatou que estudantes de Medicina da UniCesumar, em Maringá, estariam ameaçando um colega bolsista por seu apoio a Lula. De acordo com a denúncia, mensagens compartilhadas entre estudantes continham comentários racistas e xenofóbicos, além de imagens e manifestações com referências ao nazismo.
Outra preocupação levantada pelo parlamentar envolve professores de escolas particulares de Maringá, que estariam sendo ofendidos por alunos e familiares devido a seus posicionamentos políticos. Segundo Verri, haveria inclusive a elaboração de listas com nomes de profissionais identificados como apoiadores da esquerda.
As denúncias ainda dependem de apuração para esclarecer a autoria das mensagens, as circunstâncias dos episódios e a existência de eventuais responsabilidades individuais.
Agressões e mortes marcam episódios de violência política pelo país
Uma reportagem do Brasil de Fato reuniu relatos de agressões, ataques e mortes ocorridos em diferentes regiões do Brasil durante a reta final da disputa presidencial. Os episódios incluem situações de suposta motivação política, algumas ainda sob investigação.
Além dos ataques físicos, também foram registradas movimentações nas redes sociais incentivando empresários a demitir funcionários identificados como petistas. Estabelecimentos comerciais administrados por pessoas de esquerda também passaram a ser alvo de ameaças de boicote.
Na capital paulista, uma mulher foi esfaqueada no Terminal Rodoviário do Tietê durante um ataque de suposta motivação política e homofóbica. Segundo testemunhas, o agressor se aproximou de um casal de mulheres lésbicas e mencionou o nome e o número do candidato do PL à Presidência da República. Após uma das mulheres pedir que ele se afastasse, o homem sacou uma faca e a atingiu na mão.
Em Santos, no litoral paulista, o engenheiro ambiental Marcelo de Oliveira Rocha, de 30 anos, teve a morte encefálica confirmada pela família no domingo (25), um dia após sofrer uma agressão. Ele participava de uma apresentação musical em apoio à reeleição de Lula quando se afastou dos amigos e foi encontrado desacordado, com sinais de espancamento. As circunstâncias e a motivação do crime são objeto de investigação.
Em Bonito, no Mato Grosso do Sul, Ewerton Rodrigues da Silva, de 34 anos, foi morto a tiros na noite de sábado (24), em um posto de combustíveis, após uma carreata política de apoio a Flávio Bolsonaro. Outro homem, de 30 anos, também foi baleado. Um adolescente de 16 anos foi apontado como suspeito do crime e, segundo os relatos divulgados, teria fugido com a ajuda do pai, de 47 anos. As identidades dos demais envolvidos não foram divulgadas.
Também em Mato Grosso do Sul, na cidade de Corumbá, um homem de 50 anos foi baleado por volta das 20h de sábado (24), na Avenida Gaturama, no bairro Maria Leite. Segundo o Corpo de Bombeiros, o disparo atingiu a região do tórax. A vítima foi socorrida e encaminhada ao Pronto-Socorro Municipal.
Ainda conforme as informações divulgadas pelos bombeiros, a esposa da vítima relatou que o tiro teria sido disparado por um homem que estava em uma caminhonete integrante de uma caravana política bolsonarista que passava pelo local.
Em Montes Claros, Minas Gerais, a vereadora Iara Pimentel (PT) ficou gravemente ferida após sofrer um ataque durante uma carreata em apoio à reeleição de Lula, na noite de sábado (24). Imagens divulgadas nas redes sociais mostram um grupo de pessoas vestidas com camisas amarelas cercando um veículo ocupado por apoiadores do presidente e arremessando objetos, como pedras e garrafas.
Segundo os relatos, a parlamentar foi atingida na cabeça por um tijolo e caiu desacordada. O caso também passou a ser alvo de investigação.
Intolerância política e ameaças preocupam
A sequência de denúncias evidencia a preocupação com a escalada de hostilidades entre grupos de diferentes posicionamentos políticos, especialmente nas redes sociais e em ambientes escolares e profissionais.
A divulgação de listas de boicote, os incentivos à demissão por preferência partidária, as manifestações discriminatórias e as ameaças de agressão levantam questionamentos sobre possíveis violações de direitos e responsabilidades previstas na legislação brasileira.
É necessário, contudo, distinguir manifestações políticas, ainda que ofensivas, de condutas que possam configurar crimes, como ameaças, racismo e incitação à violência. Também cabe às autoridades determinar, em cada ocorrência, se houve motivação político-partidária.
A Gazeta do Paraná segue acompanhando as denúncias e os desdobramentos dos casos relatados. Até o momento, não foi possível confirmar a existência de medidas coordenadas anunciadas pelas autoridades especificamente para conter os episódios mencionados nesta reportagem.
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