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Flávio Bolsonaro chega a Miami após deixar Brasil pela Argentina

Senador deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina com a esposa e as duas filhas, apesar de ordem de Moraes que proibia sua saída do país

Gabriel Porta · · 4 min de leitura
Flávio Bolsonaro chega a Miami
Flávio Bolsonaro chega a Miami — Crédito: Reprodução /X

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a esposa e as duas filhas chegaram aos Estados Unidos na manhã desta quarta-feira (28), dois dias depois de o parlamentar perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A família deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina na noite de terça-feira (27), embarcou em um avião particular em Puerto Iguazú e fez uma escala em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para a região de Miami. A entrada de Flávio na Argentina foi confirmada oficialmente pela Direção Nacional de Migrações do país.

O voo foi realizado em um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, operado pela empresa Baires Fly. Segundo dados de monitoramento aéreo, a aeronave seguiu do Equador para o aeroporto executivo Opa-locka, na região de Miami.

A rota evitou o espaço aéreo brasileiro. O avião passou pelo Paraguai, Bolívia e Peru antes de chegar ao Equador e, posteriormente, seguir para os Estados Unidos.

Entrada na Argentina foi registrada

A família cruzou a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones, às 22h50 de terça-feira, segundo o governo argentino.

Flávio, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro e as filhas Carolina e Luiza apresentaram documentos considerados válidos pelas autoridades migratórias e não tinham impedimentos para entrar na Argentina.

Cerca de 40 minutos depois, às 23h30, os quatro embarcaram no avião privado operado pela Baires Fly. O destino registrado inicialmente no plano de voo era Guayaquil, no Equador.

A confirmação oficial alterou informações que haviam circulado durante a terça-feira sobre o paradeiro do senador. Ao longo do dia, chegaram a surgir relatos de que Flávio já teria deixado o Brasil e estaria nos Estados Unidos.

Saída ocorreu após ordem de Moraes

Flávio deixou o país apesar de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia proibido o senador de deixar o território brasileiro e determinado a entrega de seus passaportes.

A decisão foi tomada no domingo (25), após a Polícia Federal apontar ao ministro riscos considerados concretos e atuais de fuga. Entre os elementos apresentados pela PF estavam uma declaração pública de Eduardo Bolsonaro defendendo que o irmão deixasse o Brasil caso perdesse a eleição, o poder econômico do senador e a existência de estruturas no exterior que poderiam facilitar uma permanência fora do país.

Moraes também determinou o cancelamento dos passaportes brasileiros de Flávio, incluindo o diplomático, e estabeleceu que eventuais documentos estrangeiros também deveriam ser entregues.

O senador tinha ainda um passaporte italiano, emitido em 2023.

Na segunda-feira (26), Flávio afirmou em vídeo que havia sido abordado por agentes da Polícia Federal ao deixar a casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na gravação, disse que entregaria os documentos e negou ter intenção de deixar o Brasil.

“Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é Justiça?”, afirmou Flávio ao comentar a decisão de Moraes.

Trump diz aprovar ida de Flávio aos EUA

O governo dos Estados Unidos informou que concederia vistos a Flávio e aos familiares. O presidente Donald Trump também afirmou que aprovava a entrada do senador no país.

Questionado por jornalistas nesta quarta-feira, Trump voltou a criticar a eleição brasileira, na qual Flávio foi derrotado por Lula, e disse considerar o resultado “muito estranho”.

Flávio ainda é investigado no STF em inquéritos relacionados a suspeitas de lavagem de dinheiro e a possíveis irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. No caso envolvendo o advogado Willer Tomaz, a investigação tramita sob sigilo.

O senador nega irregularidades e afirmou que o pedido de financiamento relacionado ao filme envolvia uma captação privada de recursos.

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