Três prontos atendimentos de Londrina acumulam atrasos e enfrentam incertezas para funcionar em 2027
Obras que deveriam ter sido concluídas em 2025 somam R$ 18,7 milhões; vereador Chavão aponta necessidade de reforço de R$ 30 milhões no orçamento da Saúde
As obras dos três Prontos Atendimentos Municipais (PAMs) de Londrina, iniciadas em 2024 e previstas inicialmente para conclusão em 2025, continuam sem entrega definitiva. Apesar de estarem em estágio avançado, a disponibilidade de recursos e profissionais para colocar as unidades em funcionamento foi questionada durante a sessão da Câmara Municipal de terça-feira (20).
O vereador Chavão (Republicanos) afirmou que a Secretaria Municipal de Saúde necessita de um reforço de aproximadamente R$ 30 milhões na previsão orçamentária para 2027. Segundo ele, a informação foi discutida com a secretária municipal de Saúde, Vivian Feijó.
Não ficou esclarecido, porém, se o valor seria destinado exclusivamente aos três PAMs ou se corresponde a necessidades mais amplas da rede municipal.
Obras atrasadas somam R$ 18,7 milhões
De acordo com a prestação de contas da Prefeitura de Londrina, em setembro de 2026, o investimento atualizado nas três construções somava R$ 18,74 milhões. O PAM Norte apresentava 93,31% de execução, com custo de R$ 6,1 milhões. Na região Leste, a obra estava 88,66% concluída, com investimento de R$ 7 milhões. Já o PAM Sul registrava 85,09% de execução e custo de R$ 5,63 milhões.
Os empreendimentos foram anunciados em fevereiro de 2024, com recursos estaduais e contrapartida municipal, mas tiveram os cronogramas alterados sucessivamente.
Na zona sul, a construção chegou ao 15º termo aditivo contratual. Em setembro, a Secretaria Municipal de Obras confirmou nova prorrogação, estabelecendo 2 de novembro de 2026 como previsão de conclusão. A última alteração acrescentou aproximadamente R$ 250 mil ao contrato.
Segundo a Prefeitura, parte dos atrasos decorre de adequações no sistema de climatização previsto nos projetos originais, problema que também afetou as outras duas unidades.
Recursos e falta de servidores preocupam vereadores
Durante a sessão, Chavão cobrou esclarecimentos sobre a disponibilidade financeira para a abertura dos prontos atendimentos. O parlamentar mencionou a necessidade de R$ 30 milhões adicionais e também citou um montante de R$ 120 milhões, sem detalhar a relação entre os valores.
A discussão ocorre durante a análise do orçamento municipal de 2027. Além da conclusão das obras, o funcionamento dos PAMs depende de despesas permanentes com profissionais, medicamentos, insumos, manutenção e serviços de apoio.
Outro problema foi levantado pelo vereador Sidney Matias, que apontou a existência de 136 cargos vagos na Secretaria Municipal de Saúde, decorrentes de aposentadorias, exonerações e falecimentos.
Ainda não está esclarecido se essas vagas correspondem apenas à reposição de servidores da rede atual ou se incluem os profissionais necessários para os novos atendimentos.
Estado destinou R$ 6 milhões para equipamentos
Além dos investimentos nas obras, o Governo do Paraná anunciou, em 2025, a destinação de R$ 6 milhões para aquisição de equipamentos para os três PAMs, conforme a Resolução nº 527/2025 da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).
Os relatórios municipais registram repasses realizados em novembro e dezembro daquele ano, mas ainda não há confirmação, nas informações analisadas, de que todos os equipamentos tenham sido adquiridos e instalados.
Abertura das unidades ainda depende de esclarecimentos
Com as construções próximas da conclusão, a principal preocupação passa a ser a capacidade do município de colocar os serviços em funcionamento.
Embora os vereadores tenham alertado para possíveis dificuldades financeiras e de pessoal, não há confirmação oficial de que a abertura dos PAMs será adiada por falta de recursos.
A Prefeitura ainda precisa esclarecer o cronograma de entrega de cada unidade, o custo previsto de operação, a necessidade de contratação de profissionais e quanto do orçamento de 2027 será destinado aos novos atendimentos.
Enquanto essas informações não forem apresentadas, permanece a incerteza sobre quando a população das regiões Norte, Leste e Sul poderá utilizar as estruturas, que já representam investimento atualizado de mais de R$ 18 milhões em obras.
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