Por que Marcelo Paz saiu do Corinthians? Veja o que pesou na decisão
Executivo deixou o clube após sequência negativa, pressão da Gaviões da Fiel, insatisfação de jogadores e novo atraso nos direitos de imagem
A saída de Marcelo Paz do Corinthians foi resultado de um desgaste que se acumulou em diferentes setores do clube. Segundo apuração dos jornalistas Gabriel Oliveira, Vitor Chicarolli e Yago Rudá, do ge, a sequência negativa dentro de campo, a pressão da Gaviões da Fiel e a insatisfação de parte do elenco pesaram para a decisão da diretoria.
O capítulo final da passagem do executivo pelo Corinthians aconteceu após um novo atraso no pagamento dos direitos de imagem dos jogadores. Segundo o ge, Marcelo Paz conversou por telefone com o presidente Osmar Stabile para questionar a situação. Depois disso, os dois participaram de uma reunião no CT Joaquim Grava que terminou com a saída do dirigente.
A apuração aponta que o desempenho esportivo foi o principal fator para a demissão. Contratado em dezembro do ano passado, Marcelo Paz chegou ao clube com a missão de montar um elenco competitivo em meio às dificuldades financeiras e aos constantes transfer bans enfrentados pelo Corinthians.
Crise dentro de campo aumentou pressão
No segundo semestre, a situação esportiva do Corinthians se agravou. O time foi eliminado da Copa do Brasil e da Conmebol Libertadores e, na sequência, acumulou oito derrotas consecutivas no Campeonato Brasileiro.
A série negativa foi interrompida na última segunda-feira (19), com o empate por 1 a 1 diante do Vitória. O resultado, porém, não foi suficiente para afastar a preocupação com a parte de baixo da tabela.
A ameaça de rebaixamento e a dificuldade para encontrar soluções aumentaram a pressão sobre Marcelo Paz. O cenário também se tornou mais complicado porque o Corinthians chegou à reta final da temporada ainda convivendo com problemas financeiros e políticos.
Gaviões da Fiel também pressionou pela saída
A pressão externa foi outro fator apontado na apuração do ge.
Na semana passada, representantes da Gaviões da Fiel estiveram no Parque São Jorge para uma reunião com Osmar Stabile. Segundo a reportagem, os integrantes da principal torcida organizada do Corinthians pediram a demissão de Marcelo Paz e também o afastamento de Memphis Depay.
A cobrança aumentou a pressão sobre o executivo. Ainda segundo o ge, Marcelo Paz e sua esposa passaram a ser alvos de ameaças nas redes sociais.
Parte do elenco cobrava postura mais firme
A relação com os jogadores também contribuiu para o desgaste.
Segundo a apuração, parte do elenco considerava que Marcelo Paz não era suficientemente combativo na defesa dos interesses dos atletas. O Corinthians acumulou, ao longo do ano, pendências relacionadas a salários, premiações e direitos de imagem.
Nesse cenário, jogadores insatisfeitos esperavam que o executivo tivesse uma postura mais incisiva nas conversas com a presidência e cobrasse soluções para os pagamentos atrasados.
Funcionários do CT Joaquim Grava descreviam Marcelo Paz como uma pessoa educada, polida e preocupada em manter uma relação cordial com Osmar Stabile. Para parte dos jogadores, porém, essa postura fazia com que o executivo aceitasse com facilidade as posições do presidente e não confrontasse a diretoria em defesa das demandas do elenco.
A reportagem também aponta que o perfil mais técnico e empresarial de Marcelo Paz contribuiu para o distanciamento em momentos de maior instabilidade.
Comparação com Fabinho Soldado
A diferença de perfil em relação a Fabinho Soldado, antecessor de Marcelo Paz, também pesou na avaliação dos jogadores.
Ex-jogador, Fabinho tinha uma postura considerada mais combativa e era visto por integrantes do elenco como alguém mais próximo dos atletas e disposto a defender as reivindicações do grupo diante da diretoria.
Segundo a apuração do ge, essa diferença de comportamento contribuiu para aumentar a insatisfação de parte do elenco com Marcelo Paz. Em um momento de forte pressão dentro do clube, a capacidade do executivo de intermediar os conflitos internos passou a ser questionada.
Atraso nos direitos de imagem antecedeu demissão
Na terça-feira (20), um novo atraso nos pagamentos de direitos de imagem dos jogadores provocou uma conversa entre Marcelo Paz e Osmar Stabile.
De acordo com as informações apuradas pelo ge, o executivo telefonou para o presidente para questionar a situação. A conversa aconteceu pouco antes da reunião no CT Joaquim Grava que confirmou a saída de Marcelo Paz.
Pessoas ligadas ao executivo afirmaram à reportagem que ele não esperava deixar o cargo naquele momento da temporada e ficou chateado com a decisão.
Marcelo Paz deixa o Corinthians após dez meses de trabalho. No período, comandou a estrutura do futebol em 56 jogos, com 20 vitórias, 16 empates e 20 derrotas.
Durante a passagem pelo clube, o dirigente também precisou lidar com problemas extracampo, entre eles os seguidos transfer bans impostos pela Fifa e pela CBF e as limitações orçamentárias.
Mesmo diante das dificuldades, Marcelo Paz participou das negociações para as contratações de Gabriel Paulista, Jesse Lingard, Allan, Zakaria Labyad, Kaio César, Pedro Milans e Matheus Pereira.
No período em que esteve no Corinthians, o executivo trabalhou com os técnicos Dorival Júnior, Fernando Diniz e Clarence Seedorf.
Marcelo Paz deixa o clube com a conquista da Supercopa Rei como principal título de sua passagem pelo Timão.
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