Alexandre Ramagem foi preso nos EUA e solto dois dias depois pelo ICE
Ex-diretor da Abin ficou dois dias sob custódia em Orlando por questão migratória; caso também envolveu delegado da PF que atuava junto ao ICE
O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem foi detido pelo serviço de imigração dos Estados Unidos em abril e permaneceu dois dias sob custódia em Orlando, na Flórida. A prisão ocorreu em meio a questões relacionadas à sua situação migratória no país.
Ramagem foi liberado em 15 de abril, sem que tenha sido identificado pagamento de fiança no material divulgado sobre o caso. A sequência chamou atenção porque, após a soltura, aliados do ex-deputado agradeceram publicamente ao governo de Donald Trump pela libertação.
A detenção havia ocorrido dois dias antes. O caso também ganhou um novo capítulo poucos dias depois, quando os Estados Unidos determinaram a saída do país do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava como oficial de ligação junto ao Immigration and Customs Enforcement (ICE), em Miami.
Documentos e registros públicos confirmam que o episódio envolvendo Ramagem levou autoridades brasileiras e americanas a discutir a atuação do policial federal. A Câmara dos Deputados chegou a solicitar informações ao Ministério da Justiça sobre a participação de Marcelo Ivo no caso.
Soltura ocorreu dois dias após a prisão
Ramagem foi preso pelo ICE em 13 de abril e deixou a custódia dois dias depois. A própria Folha registrou que ele havia permanecido duas noites em um centro de detenção na Flórida e que um documento indicava problema relacionado ao visto.
Na ocasião, aliados bolsonaristas divulgaram manifestações de agradecimento a Trump. Paulo Figueiredo, que afirmou ter prestado assistência a Ramagem por meio de sua consultoria de imigração, publicou uma mensagem dirigida ao presidente americano.
O deputado Eduardo Bolsonaro também agradeceu a Trump e ao secretário de Estado americano, Marco Rubio. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, afirmou que Rubio havia participado das articulações para acelerar a libertação.
Não há, porém, comprovação no material disponível de que Trump ou Rubio tenham determinado pessoalmente a soltura de Ramagem.
Ramagem dizia ter apoio nos Estados Unidos
Antes da prisão, o próprio Ramagem havia afirmado que sua permanência nos Estados Unidos era conhecida pelas autoridades locais.
Em vídeo publicado em novembro de 2025, após o Supremo Tribunal Federal determinar sua prisão no Brasil, ele disse que estava nos Estados Unidos com conhecimento do governo americano e afirmou ter recebido manifestações de apoio de autoridades do país.
A prisão pelo ICE ocorreu posteriormente por uma questão migratória. A Polícia Federal brasileira confirmou na época a detenção em Orlando.
Delegado brasileiro foi afastado após operação
Cinco dias depois da libertação de Ramagem, o governo americano determinou que Marcelo Ivo de Carvalho deixasse os Estados Unidos. O delegado atuava em Miami como oficial de ligação da Polícia Federal junto ao ICE e participou da cooperação que levou à localização de Ramagem.
A decisão provocou questionamentos no Brasil. A Câmara dos Deputados chegou a abrir requerimento para obter informações sobre a atuação do policial e sobre o episódio que envolveu a prisão de Ramagem.
O Itamaraty afirmou posteriormente que a expulsão de Marcelo Ivo não seguiu as boas práticas diplomáticas entre os dois países e informou que adotaria uma medida de reciprocidade.
Há, entretanto, uma ressalva importante: segundo a própria Polícia Federal, Marcelo Ivo já havia sido substituído formalmente na função antes do episódio envolvendo Ramagem, embora sua permanência nos Estados Unidos tivesse sido prorrogada até agosto.
O caso, portanto, reúne dois episódios distintos: a detenção de Ramagem por questões migratórias e, posteriormente, a saída do delegado brasileiro que atuava junto ao ICE e havia participado da cooperação para localizá-lo.
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