🗳️ Eleições 2026: confira o resultado final da apuração Acompanhar →
Fag
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo
Público › Política

Requião Filho aciona Ministério Público Federal após ameaças de agressão a estudantes durante protestos na FAE, em Curitiba

Deputado estadual pede investigação e medidas de proteção após divulgação de mensagens que sugerem ataques a alunos identificados com o PT; denúncias ocorrem em meio à escalada da violência política no país, com 45 casos e dez mortes registrados pelo governo federal desde sábado (24)

Ana Zimermann · · 6 min de leitura
O deputado estadual Requião Filho (PDT) acionou o Ministério Público Federal após denúncias de ameaças de agressão contra estudantes durante manifestações políticas na FAE, em Curitiba.
O deputado estadual Requião Filho (PDT) acionou o Ministério Público Federal após denúncias de ameaças de agressão contra estudantes durante manifestações políticas na FAE, em Curitiba. — Crédito: Divulgação/Alep

🎧 Ouça esta matéria — narrado por IA

O deputado estadual Requião Filho (PDT) acionou, nesta quarta-feira (28), o Ministério Público Federal (MPF) e a reitoria da FAE Centro Universitário, em Curitiba, após receber denúncias de ameaças de agressão física contra estudantes identificados como apoiadores do Partido dos Trabalhadores (PT). O episódio ocorre em meio à tensão política provocada pelo resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2026 e à preocupação com atos de intimidação em instituições de ensino do Paraná. O parlamentar encaminhou representações à Procuradoria Regional Eleitoral e à direção da instituição, acompanhadas de registros de conversas em grupos de WhatsApp. As mensagens atribuídas a participantes de um grupo identificado com o ex-presidente Jair Bolsonaro mencionariam agressões a estudantes de posições políticas divergentes.

Os registros ainda dependem de apuração pelas autoridades competentes. A denúncia ganhou repercussão no mesmo dia em que o Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgou um levantamento nacional sobre violência política. De acordo com o governo federal, foram identificados 45 casos, com 47 vítimas e dez mortes, entre sábado (24) e quarta-feira (28). O Paraná aparece entre os cinco estados com maior concentração de ocorrências.

Mensagens mencionam cassetetes e spray de pimenta

Em uma das mensagens anexadas às representações, um integrante perguntou sobre a utilização desses objetos e recebeu uma resposta afirmativa do administrador do grupo. Também foram relatados episódios de filmagens de estudantes identificados com posições políticas contrárias e constrangimentos dentro da instituição. Uma manifestação contrária ao resultado das eleições estava prevista para ocorrer nesta quarta-feira (28), entre 9h e 19h. Segundo um estudante que preferiu não se identificar, uma mobilização menor já havia ocorrido na segunda-feira (26), quando alunos que utilizavam roupas ou acessórios associados ao apoio ao governo teriam sido importunados nos corredores. O estudante afirmou que havia receio de confrontos físicos e destacou que o prédio universitário também abriga atividades escolares de ensino fundamental e médio, ampliando a preocupação com a segurança. 

Deputado pede investigação e proteção aos alunos

Na representação encaminhada ao Ministério Público Federal, Requião Filho solicita a apuração das mensagens e a adoção das providências legais cabíveis. À reitoria da FAE, o parlamentar pediu medidas preventivas para garantir a integridade física dos estudantes, investigação interna dos episódios denunciados e canais seguros para o recebimento de relatos, sem exposição ou risco de represálias. Em declaração divulgada por sua assessoria, o deputado defendeu que o ambiente universitário seja preservado como espaço de liberdade de pensamento, diálogo e respeito às diferenças políticas. O acionamento do Ministério Público não significa, por si só, a abertura de inquérito ou a confirmação da prática de crime. Caberá aos órgãos competentes examinar os elementos apresentados, identificar eventuais responsáveis e avaliar a necessidade de medidas investigativas ou preventivas.

FAE afirma ter adotado providências de segurança

A FAE Centro Universitário informou que adotou providências para garantir a segurança dos estudantes e que permanece atenta a eventuais riscos. A instituição declarou que as manifestações foram pontuais, de pequenas proporções e sem registro de confusões. Também reafirmou seu compromisso com a cidadania, o livre pensamento e a pluralidade de ideias. A universidade ressaltou que mantém neutralidade nas disputas políticas e que manifestações organizadas por estudantes não representam seu posicionamento institucional.

Apesar da manifestação, não foram detalhados publicamente os procedimentos adotados para apurar a autoria das mensagens, eventuais medidas disciplinares ou alterações específicas no esquema de segurança. A Polícia Civil do Paraná, por sua vez, informou que não havia localizado no sistema o boletim de ocorrência mencionado por um dos estudantes entrevistados. A corporação orientou que as possíveis vítimas formalizem as denúncias pelos canais policiais competentes.

Repercussão ultrapassa a FAE e envolve outras universidades

As denúncias na FAE se somam a episódios de intolerância política relatados em outras instituições de ensino superior do Estado, como: Universidade Tuiuti do Paraná e o Centro Universitário da Fundação Assis Gurgacz (FAG), em Cascavel, com episódios de apologia ao nazismo e à xenofobia, além de vandalismo contra instalações estudantis da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Na madrugada entre segunda-feira (26) e terça-feira (27), o espaço do Grêmio de Arquitetura e Urbanismo da UFPR, no Centro Politécnico, em Curitiba, foi alvo de vandalismo. 

Os episódios têm circunstâncias próprias e não há, nas informações consultadas, comprovação de que tenham sido praticados por um mesmo grupo ou que estejam diretamente relacionados às ameaças denunciadas na FAE. A repercussão registrada até esta quarta-feira inclui a atuação do parlamentar, os relatos de estudantes, as manifestações da FAE e a cobertura da imprensa regional. Não foi identificada, nas fontes examinadas, uma decisão pública do MPF sobre a representação específica apresentada por Requião Filho.

Governo federal registra dez mortes e anuncia medidas contra violência política

A gravidade do cenário nacional levou o governo federal a anunciar, nesta quarta-feira (28), medidas de prevenção, investigação e enfrentamento à violência política. Segundo levantamento divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, foram registrados 45 casos com 47 vítimas entre os dias 24 e 28 de outubro. Desse total, dez casos foram classificados inicialmente como homicídios, incluindo três vítimas indígenas. As ocorrências mapeadas incluem: agressões físicas, espancamentos, ataques com armas brancas, atropelamentos intencionais, disparos de armas de fogo e denúncias envolvendo agentes de segurança. Os cinco estados com maior concentração de ocorrências foram, nesta ordem: Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina. 

Quais podem ser os próximos desdobramentos?

A representação apresentada por Requião Filho poderá resultar na abertura de procedimento para examinar as mensagens, identificar seus autores e verificar se houve ameaças concretas ou outras condutas previstas na legislação penal. O Ministério Público também poderá solicitar informações à instituição de ensino, requisitar diligências policiais ou encaminhar os fatos ao órgão com atribuição legal para investigá-los. A depender do conteúdo e das circunstâncias das mensagens, os fatos poderão ser analisados à luz do crime de ameaça, previsto no artigo 147 do Código Penal, e de outros dispositivos legais. O enquadramento específico como violência política ou crime eleitoral dependerá da finalidade da conduta, das provas e da competência dos órgãos responsáveis. A FAE também poderá desenvolver procedimentos administrativos internos, observando suas normas institucionais e os direitos dos estudantes envolvidos.

No plano nacional, o Ministério da Justiça anunciou a articulação entre a Procuradoria-Geral da República, a Procuradoria-Geral Eleitoral, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão e órgãos policiais para apurar casos de violência política. As medidas incluem a atuação da Polícia Federal em investigações de competência federal e a articulação com Ministérios Públicos estaduais. Não há, entretanto, confirmação de que a representação referente à FAE tenha sido incluída nessa iniciativa nacional.

 

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.