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Após suspensão de atendimentos, Romanelli alerta para colapso da Santa Casa de Jacarezinho e cobra intervenção estadual

Hospital que atende 22 municípios do Norte Pioneiro enfrenta crise financeira, restrições nos serviços e sucessivas mudanças na administração; deputado afirma que gestão municipal não conseguirá evitar o fechamento da unidade

Gazeta do Paraná · · 6 min de leitura
Santa Casa Jacarezinho
Santa Casa Jacarezinho — Crédito: Reprodução

A crise financeira e administrativa da Santa Casa de Jacarezinho, no Norte Pioneiro do Paraná, voltou ao centro do debate na Assembleia Legislativa nesta terça-feira (20). O deputado estadual Luiz Cláudio Romanelli fez um alerta sobre o risco de fechamento do hospital, que atende pacientes de 22 municípios da 19ª Regional de Saúde, e cobrou do governador Ratinho Junior uma intervenção estadual imediata. A manifestação ocorre após meses de denúncias sobre atrasos salariais, falta de insumos, dificuldades operacionais e, mais recentemente, restrições no recebimento de novos pacientes.

Durante o pronunciamento, Romanelli afirmou que a intervenção realizada pela Prefeitura de Jacarezinho não conseguiu estabilizar a situação da instituição e defendeu que a administração seja transferida à Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Paraná (Funeas), responsável pela gestão de unidades hospitalares estaduais. Segundo o parlamentar, a gravidade da crise exige uma solução que ultrapasse a capacidade financeira e administrativa do município.

"Eu estou preocupado porque os municípios, o hospital de referência é a Santa Casa de Jacarezinho. Não será resolvido dessa forma", declarou Romanelli, ao questionar a manutenção da intervenção exclusivamente municipal. O deputado acrescentou que a situação financeira da instituição está próxima de um limite que pode comprometer definitivamente a continuidade dos serviços. "Mais alguns dias, vai fechar a Santa Casa de Jacarezinho, porque está um verdadeiro caos do ponto de vista financeiro", alertou.

Crise se arrasta desde o primeiro semestre

Os problemas da Santa Casa não são recentes. Em maio, a Gazeta do Paraná já havia noticiado denúncias apresentadas na Assembleia pelo deputado Dr. Antenor, envolvendo atrasos no pagamento de profissionais, falta de medicamentos e insumos, dificuldades no atendimento e questionamentos sobre a administração da instituição. Na ocasião, a unidade realizava aproximadamente 400 internações e 4 mil atendimentos ambulatoriais por mês, demonstrando sua importância para a rede regional de saúde.

A situação também atingia a assistência obstétrica. Conforme os problemas relatados naquele período, a maternidade havia deixado de funcionar, obrigando gestantes a procurar atendimento em Santo Antônio da Platina. As dificuldades expuseram a dependência dos municípios do Norte Pioneiro em relação à estrutura hospitalar de Jacarezinho e os efeitos da crise sobre pacientes que necessitam de serviços especializados.

Em setembro, o quadro se agravou. A direção da Santa Casa anunciou a possibilidade de suspender os atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pelo Sistema de Assistência à Saúde (SAS) em um prazo de 60 dias. Na ocasião, foram relatadas dívidas abertas de aproximadamente R$ 25 milhões, além de passivos judiciais estimados em R$ 13 milhões, valores que evidenciavam a dimensão do desequilíbrio financeiro enfrentado pela instituição.

Diante do agravamento da crise, a Prefeitura de Jacarezinho assumiu a intervenção administrativa, com apoio anunciado pelo governo estadual. A medida, entretanto, não encerrou os problemas. Em outubro, foram divulgadas restrições temporárias ao recebimento de novos encaminhamentos regulados, embora a administração municipal tenha informado que o pronto-socorro continuava funcionando. Também surgiram informações sobre a possibilidade de interdição ética pelo Conselho Regional de Medicina, diante de irregularidades que precisariam ser corrigidas.

Romanelli critica troca de interventores

Na tribuna, Romanelli afirmou que já havia defendido uma intervenção em setembro, mas destacou que sua proposta era diferente da solução adotada. Em vez da administração municipal, o deputado queria que o governo estadual assumisse diretamente a responsabilidade pela instituição, por meio da Funeas.

"Eu defendi, não foi uma intervenção municipal, como acabou acontecendo, onde o prefeito Palhares fez a intervenção municipal. O que eu defendi foi uma intervenção estadual", explicou o parlamentar.

Romanelli também criticou a instabilidade administrativa da Santa Casa. Segundo ele, o prefeito de Jacarezinho substituiu o interventor que havia sido nomeado inicialmente e designou um secretário municipal para assumir a função. A mudança, na avaliação do deputado, não representa uma solução estrutural para o hospital, cuja situação financeira exige uma reorganização mais ampla.

"Essa semana ainda, na sexta-feira, o prefeito Palhares efetivamente exonerou quem havia sido nomeado para ser interventor, trocou o interventor, colocou o secretário municipal", relatou. Para Romanelli, a sucessão de mudanças administrativas não resolve o problema central, que envolve a capacidade de financiamento e a manutenção dos serviços prestados à população regional.

Deputado quer Funeas na administração

A alternativa defendida por Romanelli é a transferência da gestão da Santa Casa para a Funeas, fundação estadual que já administra o Hospital Regional de Santo Antônio da Platina, também localizado no Norte Pioneiro. O parlamentar argumentou que a experiência da entidade permitiria reorganizar as finanças, regularizar as relações de trabalho e garantir a continuidade da assistência.

"É fundamental que a Funeas assuma a gestão, porque isso saneia do ponto de vista financeiro, regulariza o trabalho dos profissionais, médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, ou seja, todo o pessoal de apoio da Santa Casa", sustentou.

O deputado ressaltou que a instituição não atende exclusivamente os moradores de Jacarezinho, mas funciona como referência para os 22 municípios que integram a 19ª Regional de Saúde. Por essa razão, considera inadequado concentrar na Prefeitura a responsabilidade pela recuperação de uma estrutura que presta serviços a toda a região.

"A Prefeitura de Jacarezinho não tem condições financeiras de fazer a gestão de um hospital que é regional. O hospital regional atende os 22 municípios da 19ª Regional de Saúde de Jacarezinho. É um problema gravíssimo que o Norte Pioneiro está enfrentando", afirmou.

Romanelli também comparou a situação da Santa Casa com a de outras unidades hospitalares da região, citando o Hospital Regional de Santo Antônio da Platina e instituições de Cornélio Procópio como exemplos de estruturas que, segundo sua avaliação, apresentam melhores condições de funcionamento.

Apelo direto ao governador

Ao encerrar o pronunciamento, Romanelli dirigiu um apelo ao governador Ratinho Junior e à Secretaria de Estado da Saúde para que o Estado assuma a condução da crise antes que a situação se torne irreversível. O parlamentar afirmou que a continuidade da atual administração pode levar ao comprometimento definitivo dos atendimentos, com consequências para milhares de moradores que dependem exclusivamente do SUS.

"Ou a gente toma uma providência enquanto é tempo, ou, de fato, se instaurará o caos completo na gestão hospitalar do Norte Pioneiro, e quem sofre é a população, população que depende do funcionamento do Sistema Único de Saúde", advertiu.

O deputado concluiu defendendo que a intervenção estadual seja acompanhada da transferência da administração à Funeas. "O meu apelo aqui para que o governo do Estado, através da Secretaria Estadual de Saúde, faça a intervenção estadual e coloque a Funeas a fazer a gestão hospitalar da Santa Casa de Jacarezinho", declarou.

Embora Romanelli tenha alertado para a possibilidade de fechamento, a informação de restrições a novos encaminhamentos não significa que a unidade tenha encerrado integralmente suas atividades. A Prefeitura havia informado que o pronto-socorro permanecia funcionando. O pronunciamento desta terça-feira, entretanto, evidencia que, mesmo após a intervenção municipal e o apoio anunciado pelo governo estadual, a crise continua provocando preocupação sobre o futuro de um dos principais hospitais do Norte Pioneiro.

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