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Mpox: infectologista diz que não há necessidade de vacinação em massa no Brasil

Para a infectologista Carolina Lázari, as medidas preventivas tomadas cedo se mostram eficazes

Gabriel Porta · · 3 min de leitura
Vacina Mpox
Vacina Mpox — Crédito: Matheus Oliveira/ Agência Saúde DF

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O Brasil registrou 665 casos de mpox até outubro deste ano, sem nenhuma morte, segundo a infectologista Carolina Lázari, da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML). Diante dos casos de 2026, o Ministério da Saúde decidiu comprar até 20 mil doses da vacina contra a doença, em caráter preventivo e estratégico.

A mpox começa com erupções na pele e manchas que viram bolhas e formam crostas. Os sintomas aparecem com mais frequência no rosto, nas mãos, nos pés, na boca e na região genital, e podem vir acompanhados de ínguas na virilha.

Para Carolina Lázari, não há necessidade de vacinação em massa neste momento. Ela avalia que as medidas preventivas tomadas cedo pelo Ministério da Saúde têm se mostrado eficazes. Segundo a médica, a prioridade no país são os homens jovens que vivem com HIV/Aids e têm a imunidade comprometida, além das pessoas que manipulam o vírus em laboratório. Quem cuida de pacientes e tem contato diário com eles também pode se contaminar.

Surtos anteriores

A infectologista lembrou dois surtos recentes. Em 2022, houve uma epidemia que virou emergência internacional, e o Brasil registrou 10.821 casos, causados pelo vírus 2B. Em 2024, um surto grave na República Democrática do Congo levou à disseminação de uma nova variante, a 1B, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou Emergência de Saúde Pública de Interesse Internacional. “Essa infecção foi mais disseminada e levou também crianças a óbito”, disse.

Situação no Rio de Janeiro

A Secretaria de Estado de Saúde do Rio (SES-RJ) informou, em nota, que monitora o aumento dos casos, principalmente na capital. Mais de duas mil doses fornecidas pelo Ministério da Saúde na quarta-feira (04) serão destinadas ao município do Rio, que concentra o maior número de casos: 207 dos 298 confirmados no estado entre janeiro e 6 de novembro deste ano, sem registro de mortes. Em 2025, foram 119 casos.

Por causa da alta, a SES-RJ mantém a vigilância ativa junto aos municípios e diz que o Sistema Único de Saúde (SUS) está preparado para diagnosticar, tratar e monitorar os casos. A secretaria vai emitir uma nota técnica com critérios e definições para orientar as cidades fluminenses e organiza treinamento das equipes técnicas, para qualificar o trabalho dos profissionais das prefeituras na identificação e no encaminhamento dos casos.

Como a doença é transmitida

A mpox é uma doença infecciosa causada por um vírus do gênero Orthopoxvirus, que provoca erupções e lesões na pele. Segundo o infectologista Rafael Galliez, do Instituto Estadual de Infectologia São Sebastião, o vírus passa de uma pessoa a outra por contato íntimo e por gotículas respiratórias.

Para reduzir o risco, a orientação é evitar contato direto com quem tem lesões suspeitas e procurar uma unidade de saúde diante de possíveis sintomas. Além das lesões, a doença pode causar aumento dos gânglios linfáticos, febre, dor de cabeça, dores musculares, calafrios e cansaço.

“Como tudo que envolve doenças infecciosas e transmissíveis, a percepção sobre o aumento de casos nos leva a uma maior atenção. Estamos observando essa tendência e orientando a procura pelos serviços de saúde em casos suspeitos”, explica Galliez.

Quem pode se vacinar

A vacinação é destinada, em primeiro lugar, a grupos específicos, de acordo com critérios epidemiológicos definidos pelo Ministério da Saúde. A imunização prioriza as pessoas que vivem com HIV e têm maior risco de agravamento da doença, mediante levantamento prévio e agendamento.

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