Lula é reeleito, faz história e chega ao 4º mandato após virada sobre Flávio
Lula terminou o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, mas virou a disputa no segundo turno e se tornou o primeiro presidente eleito quatro vezes pelo voto popular.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25) e fará, a partir de 2027, seu quarto mandato no Palácio do Planalto. A vitória encerra uma disputa marcada por uma virada no segundo turno e coloca o petista, às vésperas de completar 81 anos, como o primeiro presidente da história do Brasil eleito quatro vezes pelo voto popular.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a vitória às 21h08, quando 97% das urnas haviam sido apuradas. Naquele momento, Lula tinha 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% de Flávio Bolsonaro (PL).
A vitória veio depois de Lula terminar o primeiro turno atrás do adversário. Flávio havia alcançado 47% dos votos válidos, enquanto o petista somou 45%. Na segunda etapa, a campanha de Lula intensificou a mobilização nas ruas e nas redes sociais até conseguir inverter a vantagem.
O novo mandato começa mais de duas décadas depois da primeira eleição presidencial de Lula, em 2002. Entre uma vitória e outra, a trajetória do petista passou por derrotas eleitorais, prisão, condenações posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e o retorno ao Palácio do Planalto em 2023.
Da infância em Pernambuco ao movimento sindical
Lula nasceu em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns, no interior de Pernambuco. Era o sétimo dos oito filhos de Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Mello, conhecida como Dona Lindu.
O pai deixou Pernambuco quando Lula ainda era bebê para procurar trabalho no litoral paulista. Em dezembro de 1952, aos sete anos, Lula foi para São Paulo com a mãe e os irmãos, em uma viagem de caminhão pau de arara.
A família passou primeiro pelo Guarujá e, em 1956, mudou-se para a capital paulista. Mãe e filhos viveram em um pequeno cômodo nos fundos de um bar.
Ainda jovem, Lula trabalhou como vendedor ambulante, engraxate e office boy. Depois conseguiu emprego na Fábrica de Parafusos Marte e, aos 14 anos, ingressou na indústria.
Aos 17 anos, perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente de trabalho. Um ano depois, concluiu o curso de torneiro mecânico pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
A entrada no movimento sindical ocorreu enquanto trabalhava na Indústria Villares, em São Bernardo do Campo. Influenciado pelo irmão José, conhecido como Frei Chico, Lula passou a atuar no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema.
Foi suplente, primeiro-secretário e presidente da entidade. A atuação nas greves dos metalúrgicos do ABC durante a ditadura militar deu projeção nacional ao sindicalista.
Em 1980, após a repressão às greves, Lula ficou 31 dias preso com base na antiga Lei de Segurança Nacional. No mesmo ano, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), ao lado de políticos, sindicalistas, intelectuais e lideranças de diferentes setores.
Também teve participação na criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em 1983, e na campanha das Diretas Já, que levou multidões às ruas pela volta das eleições diretas para presidente.
As primeiras derrotas na política
A estreia eleitoral ocorreu em 1982, quando Lula disputou o governo de São Paulo e terminou em quarto lugar. Quatro anos depois, foi eleito deputado federal pelo estado e participou da Assembleia Nacional Constituinte responsável pela Constituição de 1988.
A primeira candidatura à Presidência veio em 1989, na eleição que marcou a retomada do voto direto para presidente desde 1960. Lula chegou ao segundo turno, mas perdeu para Fernando Collor de Mello.
Em 1994, voltou a disputar o Planalto e foi derrotado por Fernando Henrique Cardoso. A história se repetiu em 1998, novamente diante de FHC, impulsionado pelo resultado do Plano Real no combate à inflação.
Foram três derrotas antes da primeira vitória presidencial.
A chegada ao Planalto em 2002
Em 2002, Lula finalmente venceu a eleição. Recebeu 52,7 milhões de votos no segundo turno e derrotou José Serra (PSDB).
Em 1º de janeiro de 2003, tornou-se o primeiro operário a ocupar a Presidência da República.
O primeiro governo teve entre suas principais bandeiras o combate à miséria e à desigualdade. Nesse período, foram lançados ou ampliados programas como Fome Zero, Bolsa Família e ProUni.
Lula foi reeleito em 2006, desta vez com 58,2 milhões de votos, derrotando Geraldo Alckmin, então filiado ao PSDB. No segundo mandato, ganharam destaque o Minha Casa, Minha Vida e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Ao deixar a Presidência, em 2010, Lula tinha aprovação de 87%, segundo o material. Durante o período, também atuou politicamente para a eleição de Dilma Rousseff, sua ex-ministra, como sucessora.
A prisão e o retorno à Presidência
Lula ficou fora da disputa presidencial de 2018 após ser condenado em processos que posteriormente tiveram as condenações anuladas pelo STF. O período incluiu 580 dias de prisão.
O retorno às urnas ocorreu em 2022. Lula venceu Jair Bolsonaro no segundo turno, com 60,3 milhões de votos, e voltou ao Palácio do Planalto em 2023.
No terceiro mandato, recriou ministérios que haviam sido extintos no governo anterior e ampliou a estrutura administrativa federal. Entre as novas pastas estavam os ministérios da Igualdade Racial e dos Povos Indígenas.
O período também foi marcado por crises. Entre elas esteve o caso das fraudes no INSS envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões entre 2019 e 2024. O episódio levou à troca do comando do instituto, ao indiciamento de ex-dirigentes e à substituição de Carlos Lupi no Ministério da Previdência Social.
Outro episódio citado no material foi a autorização do ministro André Mendonça, do STF, para que a Polícia Federal investigasse suspeitas de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís da Silva, o Lulinha, no Ministério da Saúde e na Dataprev.
Em junho, Lula também retirou Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado depois de o parlamentar ser alvo da Operação Compliance Zero, que investigava um esquema de fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master.
Economia, programas sociais e conflitos
Na economia, o governo aprovou a reforma tributária no Congresso e ampliou a faixa de isenção do Imposto de Renda.
O Brasil voltou a sair do Mapa da Fome, segundo o material, enquanto programas de moradia e transferência de renda foram ampliados. O governo também adotou medidas nas áreas de saúde e investimentos.
Ao mesmo tempo, Lula enfrentou críticas pela condução econômica, principalmente em relação ao aumento dos gastos públicos e aos ataques ao Banco Central por causa da taxa básica de juros.
No cenário internacional, o presidente precisou lidar com conflitos no Oriente Médio e com a política tarifária dos Estados Unidos. As negociações comerciais e diplomáticas com o governo de Donald Trump estiveram entre os principais desafios do terceiro mandato.
Já na reta final do governo, Lula articulou mudanças que ganharam espaço durante a campanha eleitoral. Entre elas esteve o fim da cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50.
Também anunciou a proibição das apostas de quota fixa, incluindo jogos online e cassinos virtuais, e articulou no Congresso a mudança na legislação trabalhista que estabeleceu jornada de cinco dias de trabalho por dois de descanso.
Na mesma sessão em que foi promulgada a mudança sobre a jornada, também foi aprovada a aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias.
A campanha que levou à quarta vitória
Na reta final do terceiro mandato, Lula lançou medidas de forte apelo popular, como o Prospera MEI, voltado aos microempreendedores individuais, e o reajuste do Bolsa Família. Adversários classificaram as iniciativas como eleitoreiras.
No segundo turno de 2026, a campanha petista apostou fortemente nas redes sociais. Um dos principais instrumentos foi o canal “Exército do Lula”, coordenado pelo deputado André Janones (Rede-MG), que ultrapassou 10 milhões de inscritos.
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