No discurso da vitória, Lula anuncia prioridades para o 4º mandato
Presidente Lula prometeu ampliar participação popular e comunicação digital e anunciou planos para saúde, educação, segurança e economia
Reeleito presidente da República neste domingo (25), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou o discurso da vitória para antecipar as prioridades que pretende levar para o quarto mandato. O presidente prometeu mudar a forma de governar, ampliar a participação popular nas decisões e dar mais espaço à comunicação digital, além de apresentar planos para educação, saúde, segurança pública, meio ambiente e economia.
Com 99,99% das urnas apuradas às 22h48, Lula tinha 51,79% dos votos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL). A posse do novo mandato está prevista para 5 de janeiro de 2027.
A fala ocorreu diante de aliados, integrantes da campanha e apoiadores. Antes de assumir o microfone, Lula passou a palavra ao vice-presidente Geraldo Alckmin, que agradeceu aos eleitores e afirmou que o presidente, pela segunda vez, teria “salvado a democracia brasileira”.
Lula respondeu destacando a relação com Alckmin e classificando a vitória como resultado de uma construção conjunta com o eleitorado.
Lula diz que vai falar diretamente com o eleitor
Uma das principais mudanças anunciadas pelo presidente envolve a comunicação do governo. Lula afirmou que pretende usar mais as plataformas digitais para conversar diretamente com a população.
Segundo ele, a eleição mostrou a necessidade de ampliar esse contato. O presidente disse que pretende falar com os brasileiros “muitas vezes por dia” e afirmou que não quer depender da interpretação de jornalistas para transmitir suas posições.
A mudança também aparece relacionada à estratégia política para o próximo mandato. Lula afirmou que pretende fazer a população participar mais das decisões do governo.
O presidente agradeceu ainda ao deputado André Janones pelo trabalho realizado durante a campanha e destacou a atuação da militância nas redes sociais.
Críticas às plataformas digitais
Lula dedicou parte do discurso à influência das plataformas digitais nas eleições. Para ele, a vitória representou uma reação ao que classificou como interferência externa por meio dessas ferramentas.
O presidente defendeu que crimes praticados no ambiente digital sejam tratados com a mesma seriedade daqueles cometidos fora da internet. Também criticou grandes empresas de tecnologia que, segundo ele, movimentam bilhões, não pagam impostos no país e tentam influenciar resultados eleitorais.
Lula classificou a eleição como uma derrota do negacionismo e da mentira. Durante a fala, também fez críticas ao adversário e afirmou ter ficado constrangido em alguns momentos dos debates.
Congresso mais conservador será desafio
O quarto mandato começará com um Congresso Nacional mais alinhado à oposição. A composição informada no material aponta 33 senadores mais à direita, 19 mais à esquerda e dois mais ao centro. Na Câmara, são 276 deputados mais à direita, 124 mais à esquerda e 113 mais ao centro.
Lula afirmou que não vê a composição do Congresso como um impedimento para governar. Segundo ele, os parlamentares foram escolhidos pelo eleitor e será necessário trabalhar com essa composição para aprovar as propostas do governo.
O presidente também afirmou que, depois da eleição, não considera mais os adversários como inimigos do governo. Disse que terá de governar para todos os brasileiros e para todas as cidades.
Educação e inteligência artificial
Na educação, Lula afirmou que pretende manter o que chamou de “revolução” no setor e aumentar a atenção para áreas como matemática e engenharia.
O presidente também colocou a inteligência artificial entre as prioridades. Disse que não quer que o Brasil fique dependente de tecnologias desenvolvidas por China ou Estados Unidos e defendeu a criação de uma inteligência artificial brasileira.
Outra proposta apresentada foi aproveitar o potencial energético do país para atrair data centers. Lula afirmou que pretende ampliar os investimentos na economia digital, na economia verde e na economia criativa.
A meta apresentada no discurso é transformar o Brasil em um país desenvolvido, com maior participação nas decisões econômicas e políticas internacionais.
Saúde, câncer e novas UTIs
Na saúde, Lula afirmou que pretende ampliar os investimentos e estabeleceu como uma das metas aumentar a capacidade brasileira de tratamento contra o câncer.
Ele também citou um projeto de hospital inteligente e afirmou que o país deverá contar com 15 UTIs inteligentes. Segundo Lula, a intenção é reduzir mortes relacionadas à falta de tratamento ou à demora no atendimento.
O presidente disse ainda que uma das motivações da campanha foi impedir, em sua avaliação, uma eventual privatização do Sistema Único de Saúde (SUS).
Mulheres, idosos e liberdade religiosa
Lula afirmou que a política de cuidados com os idosos terá mais atenção no próximo mandato. Ele também prometeu ampliar o respeito às mulheres.
Na questão religiosa, disse que todas as religiões deverão ser tratadas em igualdade de condições e defendeu a liberdade de culto dentro de um Estado laico.
A defesa da democracia voltou a aparecer em diferentes momentos do discurso. Lula agradeceu especialmente aos jovens que, segundo ele, foram às ruas durante o segundo turno para defender essa pauta.
Também citou idosos que, mesmo com dificuldades de locomoção e problemas de saúde, foram votar. Para o presidente, a participação dessas pessoas demonstrou a importância atribuída ao processo eleitoral.
Meio ambiente entra entre as prioridades
Na área ambiental, Lula afirmou que pretende ampliar a atuação brasileira na política climática internacional. Segundo ele, o país registrou quatro anos consecutivos de redução do desmatamento.
O presidente agradeceu à ministra Marina Silva e a Capobianco pelo trabalho na área e disse que pretende fazer do Brasil um país central nas discussões sobre clima e paz.
Segurança pública terá mais participação federal
A segurança pública também foi citada como uma área que deverá receber uma nova abordagem no próximo mandato.
Lula afirmou que a Constituição de 1988 atribuiu aos estados grande parte da responsabilidade pela segurança, mas avaliou que os governos estaduais não conseguem enfrentar sozinhos o problema.
O presidente disse que o governo federal pretende ampliar sua participação para garantir mais tranquilidade aos trabalhadores.
“Para o povo trabalhador, a gente vai dar proteção. Para o bandido, a gente vai dar prisão”, afirmou.
Lula promete dedicar 24 horas ao governo
Aos 80 anos, Lula afirmou que completará 81 na próxima terça-feira (27) e prometeu se dedicar integralmente ao novo mandato.
O presidente disse que pretende passar os dois meses seguintes discutindo o próximo governo com empresários, educadores, cientistas e mulheres.
Também falou sobre o peso histórico da vitória. Lula destacou ser, segundo sua própria definição, o único metalúrgico sem diploma universitário eleito quatro vezes democraticamente para a Presidência.
Ao final, afirmou que pretende fazer “o melhor mandato que um presidente já fez na história deste país” e dedicar 24 horas por dia à construção do país que considera ideal.
Lula encerrou o discurso anunciando que seguiria para a Avenida Paulista e voltou a associar a vitória ao que chamou de “exército da democracia” brasileira.
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