Kassab condiciona aproximação do PSD a governo Lula voltado ao centro
Presidente do PSD defendeu equilíbrio fiscal e uma equipe econômica forte para que o partido aprofunde a relação com o quarto governo de Lula
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisará conduzir o quarto mandato com uma agenda econômica voltada ao centro para ampliar a aproximação com o partido.
A declaração foi dada neste domingo (1º), durante entrevista ao programa Canal Livre, da Band. Kassab afirmou que o PSD poderá participar da base do governo caso Lula sinalize compromisso com o equilíbrio das contas públicas e com uma agenda que dialogue com o centro político.
“Se ele [Lula] quiser um governo também voltado ao centro, ele terá uma chance maior”, afirmou o dirigente.
Kassab também defendeu que o presidente concilie os compromissos sociais assumidos durante a campanha com medidas de controle dos gastos públicos. Para ele, o próximo governo precisará cortar despesas, subsídios e privilégios.
Referência em Palocci e Meirelles
Na avaliação de Kassab, Lula deveria buscar uma equipe econômica com força política e autonomia para conduzir as contas públicas. O presidente do PSD citou como referência a dupla formada por Antonio Palocci, então ministro da Fazenda, e Henrique Meirelles, que comandou o Banco Central no primeiro mandato de Lula.
“O que o Lula precisa fazer agora é encontrar a sua dupla Meirelles-Palocci, delegar o comando, empoderar para que eles possam atingir o objetivo de trazer equilíbrio fiscal, tranquilizar o mercado”, afirmou.
Kassab também defendeu que o governo tenha dois nomes centrais na condução econômica, um no Ministério do Planejamento e outro na Fazenda. Segundo ele, o primeiro deveria ter capacidade para revisar despesas e promover cortes, enquanto o segundo precisaria transmitir segurança ao mercado.
O dirigente ainda defendeu que o ajuste das contas seja feito sem aumento da carga tributária, com redução de gastos, subsídios e privilégios.
PSD pode ampliar relação com Lula
A declaração ocorre depois de Kassab afirmar, em entrevista ao jornal O Globo, no sábado (31), que o governo Lula já havia procurado o PSD. Segundo ele, uma relação “mais profunda” entre o partido e o próximo governo dependeria de medidas econômicas capazes de promover equilíbrio fiscal e aproximar o Planalto do centro político.
O PSD já participou do atual governo, mas Kassab afirmou que a legenda não se considerava formalmente parte da base. Para o próximo mandato, a possibilidade de uma aproximação maior está em discussão.
A legenda terá 43 deputados na Câmara a partir de 2027, cinco a menos do que na atual legislatura. Ainda assim, o partido será uma das forças que Lula precisará considerar nas negociações para formar uma base de apoio no Congresso.
Kassab fala sobre oposição
Durante a entrevista, Kassab também avaliou o cenário da oposição após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Lula na eleição presidencial.
Para o presidente do PSD, Jair Bolsonaro continua sendo a principal referência da direita. “A direita tem um líder, Jair Bolsonaro”, afirmou.
Kassab também avaliou, em entrevista anterior ao O Globo, que a escolha de Flávio como candidato presidencial dividiu o eleitorado de centro e contribuiu para o resultado da eleição.
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