Fim da 6x1 vira vitória política para Lula nas manchetes internacionais
Financial Times, The Guardian, El País, Clarín e La Nación destacaram a redução da jornada e o impacto político da aprovação antes do segundo turno
A aprovação do fim da escala 6x1 pelo Senado repercutiu fora do Brasil com destaque para o impacto sobre os trabalhadores e para o momento político em que a medida foi aprovada. Jornais internacionais classificaram a mudança na jornada como uma vitória para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a poucos dias do segundo turno da eleição presidencial.
O Senado aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) na noite de quarta-feira (14), por 75 votos a 1. O texto reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, estabelece dois dias de descanso remunerado e prevê uma transição gradual.
O Financial Times, do Reino Unido, destacou a aprovação como uma vitória política para Lula e chamou atenção para as críticas de grupos empresariais, que apontam aumento de custos com a mudança.
O The Guardian também associou a decisão ao momento eleitoral. O jornal britânico afirmou que a redução da jornada representa uma vitória para Lula antes do segundo turno e estimou que a mudança pode alcançar mais de 30 milhões de trabalhadores.
A leitura dos jornais sobre a eleição
A proximidade do segundo turno aparece como um dos principais elementos da cobertura internacional.
Na Espanha, o El País destacou no título de sua reportagem que milhões de trabalhadores terão um segundo dia de descanso e relacionou a aprovação a uma vitória política de Lula.
O argentino Clarín tratou a aprovação como uma estratégia política do presidente a menos de duas semanas da votação. Já o também argentino La Nación classificou a medida como uma das principais apostas de Lula antes do segundo turno.
A votação ocorreu 11 dias antes da eleição presidencial, marcada para 25 de outubro. Lula disputa a Presidência com Flávio Bolsonaro (PL).
Mudança de posição de Flávio também ganhou destaque
A posição do adversário de Lula também entrou na cobertura internacional. Flávio Bolsonaro havia se manifestado contra a proposta, mas mudou de posição antes da votação e passou a apoiar a aprovação da PEC.
O The Guardian destacou essa mudança e informou que o senador passou a defender uma alternativa relacionada ao pagamento por horas trabalhadas.
A agência Associated Press também chamou atenção para o apoio de Flávio e de aliados à proposta durante a votação. O texto aprovado recebeu 75 votos favoráveis e apenas um contrário, do ex-vice-presidente Hamilton Mourão.
O que muda com o fim da 6x1
A PEC determina que a jornada semanal máxima passe de 44 para 40 horas, sem redução salarial. O trabalhador também terá direito a dois dias de descanso remunerado por semana.
A mudança não será imediata. Após a promulgação, haverá um período de 60 dias para a primeira etapa. Nesse momento, a jornada máxima passará para 42 horas semanais.
Depois de mais 12 meses, o limite será reduzido novamente, chegando às 40 horas semanais previstas no texto.
A proposta também começou a ser associada internacionalmente a um movimento criado nas redes sociais em defesa da redução da jornada. O The Guardian citou o movimento Vida Além do Trabalho, que ganhou espaço no debate brasileiro antes de ser incorporado à agenda política.
A aprovação ocorre em meio à disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro pelo segundo turno. A votação será realizada em 25 de outubro.
Matérias relacionadas
Flávio Bolsonaro votou pelo fim da escala 6x1, mas também defende proposta que flexibiliza jornada e remuneração
PEC da Segurança: penas mais duras contra facções podem não reduzir crimes, avaliam especialistas
MP investiga contrato de R$ 10,6 milhões entre IAT e Celepar em meio à privatização da estatal
Comércio do Paraná cresce 5,78% em julho; Maringá tem queda no ano
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.