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Flávio Bolsonaro propõe suspender dívidas, e ministro chama medida de “calote geral”

Dario Durigan diz que proposta pode travar o crédito; campanha de Flávio afirma que suspensão daria alívio a famílias e empresas

Gabriel Porta · · 3 min de leitura
Flávio Bolsonaro (PL) durante entrevista à jornalista Renata Lo Prete, na TV Globo, na sexta-feira (16), quando apresentou declarações sobre economia, segurança pública e Banco Master.
Flávio Bolsonaro (PL) durante entrevista à jornalista Renata Lo Prete, na TV Globo, na sexta-feira (16), quando apresentou declarações sobre economia, segurança pública e Banco Master. — Crédito: Reprodução/TV Globo

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou como “calote geral” a proposta de Flávio Bolsonaro (PL) de suspender temporariamente o pagamento de dívidas de pessoas e empresas. Segundo Durigan, a medida poderia comprometer a circulação de recursos no sistema financeiro e dificultar a concessão de novos empréstimos.

A proposta foi apresentada por Flávio durante o debate presidencial da Band, no domingo (18). O candidato defendeu a compra de dívidas pelo governo e a suspensão dos pagamentos por um período de até um ano.

Na avaliação de Durigan, o problema está justamente na interrupção do fluxo de pagamentos. Os bancos deixariam de receber parcelas de empréstimos já contratados e, segundo o ministro, isso reduziria os recursos disponíveis para novos financiamentos.

“Nenhum governo tem o poder de implementar um calote geral na economia que, na prática, travaria todos os sistemas de crédito”, afirmou Durigan em vídeo publicado nas redes sociais.

Ministro diz que dívida continuaria crescendo

Durigan também contesta a ideia de que a suspensão das parcelas resolveria o problema do endividamento. Segundo ele, a medida apenas adiaria o pagamento do principal, enquanto juros e outros encargos continuariam incidindo sobre o saldo devedor.

“Essa proposta, na verdade, seria paga por você, porque o prejuízo ficaria no seu bolso e os juros continuariam aumentando a sua dívida”, declarou.

O ministro defende que o caminho para reduzir a inadimplência seja a renegociação dos débitos. Ele citou a próxima etapa do programa federal Desenrola e afirmou que a iniciativa permitirá a compra e a quitação de dívidas com descontos superiores a 90%.

“A solução não é por toque de mágica, nem com promessas impossíveis, mas com um programa sustentável, sem calote e com muita responsabilidade”, disse Durigan.

O que prevê a proposta de Flávio

A campanha de Flávio Bolsonaro afirma que a suspensão dos pagamentos teria como objetivo oferecer um alívio imediato para famílias e empresas que enfrentam dificuldades para manter as contas em dia.

A equipe do candidato sustenta que a medida seria emergencial e permitiria que trabalhadores e pequenos negócios ganhassem tempo antes de retomar os pagamentos.

“O objetivo do plano apresentado no debate é proteger o orçamento dos trabalhadores e das pequenas empresas diante da atual crise econômica, permitindo que as pessoas respirem antes de retomar os pagamentos”, afirmou a assessoria.

A campanha também defende que a suspensão pressione os bancos a renegociarem as dívidas em condições consideradas mais favoráveis aos devedores. Segundo a equipe de Flávio, as instituições financeiras teriam condições de suportar uma pausa temporária nos pagamentos.

“Os bancos precisam dar a sua contrapartida social neste momento difícil, e a suspensão das parcelas é o caminho viável para forçar os credores a facilitarem os termos de pagamento”, afirmou a assessoria do candidato.

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