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Emprego, inflação e contas públicas: veja o que revelam os indicadores do Brasil na reta final das eleições

Levantamento da Gazeta do Paraná reúne dados oficiais sobre: mercado de trabalho, criminalidade e situação fiscal do país; números mostram redução do desemprego, mas também pressão sobre as despesas públicas e diferenças regionais nos indicadores de violência

Ana Zimermann · · 7 min de leitura
Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília; dívida bruta brasileira chegou a 82,9% do PIB em agosto de 2026.
Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília; dívida bruta brasileira chegou a 82,9% do PIB em agosto de 2026. — Crédito: Leonardo Sá/Agência Senado

A duas semanas do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, marcado para 25 de outubro, os indicadores econômicos e sociais voltaram ao centro do debate nacional. Emprego, inflação, criminalidade, dívida pública e gastos federais estão entre os assuntos que ajudam a compreender a situação do Brasil e os desafios que serão enfrentados pelo próximo governo. Levantamento realizado pela Gazeta do Paraná, com base em informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Banco Central, Tesouro Nacional e Ministério da Justiça, reúne os principais números disponíveis e apresenta um panorama da realidade brasileira. Os dados mostram que o país registrou redução do desemprego nos períodos analisados. Ao mesmo tempo, apontam aceleração da inflação em setembro, crescimento das despesas federais e manutenção de desafios na segurança pública.

Desemprego cai para 5,3%, mas subutilização ainda atinge parte dos trabalhadores

O mercado de trabalho apresentou resultados positivos em 2026. Segundo o IBGE, a taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, abaixo dos 5,6% registrados no mesmo período de 2025. O indicador representa a proporção de pessoas que estavam sem trabalho, procuravam uma ocupação e tinham disponibilidade para trabalhar. Apesar da redução do desemprego, a taxa composta de subutilização da força de trabalho permaneceu em 13,1%. Esse percentual considera, além dos desempregados, trabalhadores que gostariam de trabalhar mais horas e pessoas que poderiam trabalhar, mas não estavam procurando emprego ou não tinham disponibilidade imediata. A diferença entre os indicadores demonstra que a melhora na ocupação não elimina problemas relacionados à quantidade e à qualidade das oportunidades de trabalho. Outro aspecto importante é a informalidade, que reúne trabalhadores sem carteira assinada e outras formas de ocupação sem a proteção integral dos vínculos formais. Sua evolução precisa ser considerada na análise sobre a qualidade do emprego gerado no país.

Inflação acelera em setembro e chega a 4,58% em 12 meses

Depois de registrar queda de preços em agosto, a inflação brasileira voltou a acelerar em setembro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), utilizado como referência oficial da inflação, apresentou alta de 0,82% em setembro de 2026. No mês anterior, havia registrado deflação de 0,32%. Em julho, a variação havia sido positiva em 0,07%. Com o resultado de setembro, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,58%, conforme os dados divulgados pelo IBGE em 9 de outubro. Entre os fatores que contribuíram para a aceleração estão as despesas com energia elétrica residencial e os preços de alimentos.

A variação mensal revela a intensidade da mudança dos preços em determinado período, enquanto o acumulado de 12 meses permite observar a tendência mais ampla da inflação. A aceleração também tem efeitos diferentes sobre as famílias, dependendo da composição do consumo e da participação de itens essenciais, como alimentação, energia e transporte, no orçamento doméstico.

Feminicídios recuam no Brasil, mas aumentam na Região Sul

Na segurança pública, os dados sobre feminicídios mostram resultados distintos entre as regiões brasileiras. De acordo com informações do Ministério da Justiça, o Brasil registrou 848 vítimas de feminicídio entre janeiro e julho de 2026, contra 876 no mesmo período de 2025. A redução nacional foi de aproximadamente 3,2%. Entretanto, na Região Sul, que reúne Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, os registros aumentaram de 121 para 139 vítimas no período analisado. A elevação corresponde a 14,9%. No Nordeste, por outro lado, houve redução de 14,4%. Os números demonstram que a evolução dos indicadores de violência não ocorre de maneira uniforme no território nacional. Também é necessário diferenciar feminicídios de outros registros criminais, como homicídios dolosos, roubos, furtos e crimes patrimoniais. Cada modalidade possui características específicas e depende de séries próprias para permitir uma avaliação abrangente da criminalidade.

Dívida pública permanece como desafio para os próximos anos

A dívida pública é outro indicador relevante para avaliar a situação econômica brasileira. Sua evolução depende de fatores como juros, crescimento da economia, arrecadação, despesas governamentais e resultados fiscais. A Dívida Bruta do Governo Geral, acompanhada pelo Banco Central, considera obrigações de diferentes esferas do poder público e costuma ser apresentada como proporção do Produto Interno Bruto (PIB). Essa relação permite avaliar o tamanho do endividamento em comparação à capacidade de geração de riqueza do país. 

Os levantamentos econômicos de outubro, publicados pelo Banco Central em 30 de setembro, apontam a dívida bruta brasileira em 82,9% do PIB, somando R$ 11,055 trilhões. É importante diferenciar dívida pública de déficit primário. O déficit representa a diferença negativa entre receitas e despesas em determinado período, desconsiderados os juros da dívida. Já o endividamento representa um estoque de obrigações acumuladas ao longo do tempo. O crescimento da dívida pode elevar as despesas com juros e restringir a margem de atuação do governo, especialmente em períodos de taxas de juros elevadas.

Governo Central acumula déficit de R$ 94,9 bilhões até agosto

Os dados das contas públicas mostram aumento das despesas federais e do déficit primário acumulado em 2026. Segundo o Tesouro Nacional, o Governo Central registrou déficit primário de R$ 94,9 bilhões entre janeiro e agosto deste ano. No mesmo período de 2025, o resultado negativo havia sido de R$ 85,9 bilhões. A diferença nominal entre os dois períodos foi de R$ 9 bilhões.

Ainda de acordo com o Tesouro, as despesas totais do Governo Central cresceram 5,7% em termos reais nos oito primeiros meses de 2026, o equivalente a um aumento de R$ 96,3 bilhões depois de considerada a inflação. As receitas líquidas também avançaram 5,7% em termos reais, com crescimento de R$ 90 bilhões. Entre os componentes que contribuíram para o aumento das despesas estão benefícios previdenciários, gastos com pessoal, despesas discricionárias e créditos extraordinários. 

Apesar do crescimento do déficit acumulado, o resultado isolado de agosto apresentou melhora na comparação anual. Naquele mês, o Governo Central registrou déficit de R$ 13,6 bilhões, inferior aos R$ 15,5 bilhões observados em agosto de 2025, em valores nominais. Os resultados demonstram que a avaliação das contas públicas depende do intervalo considerado. A melhora de um mês específico pode ocorrer simultaneamente à deterioração do resultado acumulado. Também é necessário considerar que parte expressiva do orçamento federal corresponde a despesas obrigatórias, previstas na Constituição e na legislação, enquanto outra parcela depende de decisões de alocação de recursos.

Indicadores mostram avanços e desafios simultâneos

O conjunto dos dados oficiais apresenta um cenário de resultados distintos na economia e nas condições sociais brasileiras. De um lado, houve redução do desemprego nos respectivos períodos analisados. De outro, a inflação voltou a acelerar em setembro, o déficit acumulado aumentou e o endividamento público continua exigindo atenção. Na segurança pública, a redução nacional dos feminicídios contrasta com o aumento registrado no Sul, demonstrando que médias nacionais nem sempre representam a realidade de cada região. Essas diferenças também evidenciam a importância de observar o intervalo de referência de cada levantamento. Enquanto os indicadores de emprego abrangem o trimestre encerrado em agosto de 2026, os números de inflação correspondem a setembro e os dados de feminicídios vão até julho

Em meio à disputa presidencial, os indicadores ajudam a dimensionar tanto os resultados já alcançados quanto os problemas estruturais que permanecem sem solução. Para o próximo governo, independentemente do resultado das urnas, estarão entre os principais desafios a manutenção do emprego, a recuperação do poder de compra das famílias, o combate às desigualdades sociais, a redução da violência e o equilíbrio das contas públicas. O levantamento mostra que a situação brasileira não pode ser resumida a um único índice. A análise conjunta dos dados revela avanços em áreas específicas, mas também limitações e pressões econômicas que deverão continuar no centro das decisões nacionais.

Fontes consultadas: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), Síntese de Indicadores Sociais, Ministério da Justiça e Segurança Pública, Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), Tesouro Nacional, Ministério da Fazenda e Banco Central do Brasil.

 

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