Chuvas superam média do mês em 12 dias e colocam à prova drenagem no Oeste do Paraná
Cascavel e Foz do Iguaçu registram volumes excepcionais de chuva; alagamentos, obras de infraestrutura e planos de prevenção expõem desafios para os municípios
Registros feitos pelo Simepar indicam que o Oeste do Paraná superou a média histórica de chuvas. Dados de 16 das 47 estações meteorológicas mostram que o volume de precipitações ultrapassou as expectativas para o mês de outubro ainda nos primeiros 12 dias, superando também os dados pluviométricos dos anos anteriores. Isso levanta questionamentos sobre a preparação dos municípios da região mais afetada para a prevenção dos danos causados pelo fenômeno.
O levantamento mostra que as precipitações ocorreram de maneira intensa e concentrada, principalmente nas regiões Oeste e Sudoeste do estado. Em Cascavel, o acumulado entre 1º e 12 de outubro chegou a 267,4 milímetros, diante de uma média histórica mensal de 239,5 milímetros. Isso significa que a cidade atingiu 111,6% da média de outubro em menos de duas semanas.
Em Foz do Iguaçu, os registros do Simepar indicaram 372,4 milímetros no mesmo período, equivalentes a aproximadamente 142% da média histórica de 262,2 milímetros.
Outros municípios também registraram precipitações expressivas:
|
Município |
Chuva de 1º a 12/10 |
Média histórica mensal |
|
Cascavel |
267,4 mm |
239,5 mm |
|
Foz do Iguaçu |
372,4 mm |
262,2 mm |
|
Santa Helena |
284,4 mm |
206,4 mm |
|
Assis Chateaubriand |
254,0 mm |
184,4 mm |
|
São Miguel do Iguaçu |
275,6 mm |
225,0 mm |
|
Palotina |
200,6 mm |
183,4 mm |
A concentração das chuvas também chama atenção. Somente em 12 de outubro, Cascavel registrou 111,2 milímetros, enquanto Foz do Iguaçu teve 147,4 milímetros, conforme as estações do Simepar. Os volumes representam um desafio para os sistemas de drenagem urbana, que precisam escoar grandes quantidades de água em curtos intervalos de tempo.
Impactos à população
Os temporais causaram consequências que afetaram não apenas a estrutura das cidades. Em Foz do Iguaçu, o balanço divulgado durante as ocorrências apontou nove pessoas desabrigadas e 16 desalojadas, totalizando 25 pessoas afetadas nessas duas condições.
Os alagamentos atingiram regiões como Jardim das Flores, Jardim Ipanema, Jardim Morenitas, Bourbon e a ocupação do Bubas. Também foram relatados destelhamentos em imóveis de outras regiões, exigindo distribuição de lonas e atendimento emergencial das equipes municipais.
Em Cascavel, os transtornos também se acumularam ao longo das últimas semanas. No fim de setembro, um temporal provocou alagamentos, queda de muros e danos em imóveis, incluindo problemas registrados na UPA Brasília. Já os episódios de outubro afetaram estradas rurais e exigiram atendimento da Defesa Civil.
Os impactos não ficaram restritos às áreas urbanas. O aumento expressivo da vazão do Rio Iguaçu provocou a interdição preventiva de estruturas de visitação nas Cataratas, demonstrando que as chuvas também atingiram a dinâmica dos rios da região.
Preparação dos municípios
Em agosto, a Prefeitura de Cascavel anunciou um plano de ação para enfrentar eventos climáticos extremos, envolvendo secretarias municipais, Defesa Civil, Copel, Sanepar e Corpo de Bombeiros. No mês seguinte, o município iniciou a atualização do mapeamento de 77 pontos de atenção, com auxílio de drones para identificar áreas de risco. Entretanto, ainda não há informações sobre quantos desses locais receberam intervenções preventivas.
A cidade também possui um histórico de problemas de drenagem, como os registrados na Avenida Carlos Gomes, revitalizada por aproximadamente R$ 51,1 milhões e que voltou a apresentar alagamentos em fevereiro de 2025. Para ampliar o escoamento, a prefeitura lançou uma nova licitação, estimada em R$ 3,49 milhões, para a reconstrução do Emissário do Parque São Paulo, com sessão prevista para 22 de outubro. Outras intervenções incluem obras na Rua Olavo Bilac e a nova Ponte do XIV de Novembro.
Em Foz do Iguaçu, a preparação envolve um Plano de Contingência e o monitoramento dos rios Paraná e Iguaçu, em articulação com órgãos de Defesa Civil e instituições como a Itaipu Binacional. Em julho, o município também criou o Fundo Municipal de Calamidade Pública (Fumcap), destinado a financiar ações de prevenção, atendimento emergencial e recuperação de áreas atingidas por desastres.
Apesar das iniciativas anunciadas nos dois municípios, ainda é necessário esclarecer quais medidas foram efetivamente executadas, quanto foi investido na prevenção e se as estruturas existentes são suficientes para reduzir os impactos de novos temporais. Em Foz, também falta identificar os recursos disponíveis no Fumcap e sua eventual utilização durante as chuvas de outubro.
Investimentos em prevenção ainda precisam de esclarecimentos
Apesar das medidas anunciadas pelas prefeituras de Cascavel e Foz do Iguaçu para enfrentar eventos climáticos extremos, ainda faltam informações sobre os valores efetivamente investidos e os resultados das ações preventivas.
Em Cascavel, os alagamentos recorrentes em regiões como a Avenida Carlos Gomes mantêm em discussão a capacidade do sistema de drenagem, mesmo após obras de infraestrutura. Em Foz do Iguaçu, a criação do Fundo Municipal de Calamidade Pública (Fumcap) representa uma iniciativa para financiar ações emergenciais, mas ainda não há dados consolidados sobre os recursos disponíveis e sua utilização durante os temporais de outubro.
A aplicação de recursos em obras de drenagem, manutenção de galerias e prevenção de enchentes também precisa ser esclarecida. Com a possibilidade de novas chuvas intensas, permanece a necessidade de avaliar se os investimentos realizados e as medidas previstas pelas administrações municipais são suficientes para reduzir os riscos e os prejuízos à população.
Os volumes registrados em outubro reforçam a importância do acompanhamento das políticas municipais de prevenção. Mais do que anunciar novos investimentos, o desafio das prefeituras é demonstrar quais ações foram concluídas, quais problemas permanecem e como os recursos públicos estão sendo utilizados para proteger a população diante de episódios cada vez mais intensos de chuva.
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