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Deputado eleito Márcio Canella é preso pela PF em operação no Rio

Deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo foi preso na 8ª fase da Operação Unha e Carne, que investiga rede de postos de combustíveis

Gabriel Porta · · 4 min de leitura
Márcio Canella já havia sido preso em julho
Márcio Canella já havia sido preso em julho — Crédito: Reprodução / Redes Sociais

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (15) o deputado eleito Márcio Canella (União Brasil) e o ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro Marcus Vinicius Amim Fernandes. As prisões fazem parte da oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis.

Segundo a PF, o grupo movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. O valor consta em um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviado à investigação.

A operação também aponta possível participação de agentes públicos e articulação político-institucional no esquema.

Ao todo, a Justiça autorizou seis prisões preventivas e 16 mandados de busca e apreensão. As ordens foram cumpridas em cidades como Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo.

Quem foi preso

Além de Canella e Amim, a PF prendeu os agentes da Polícia Civil Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como "Pablo Russo", e Giovanni Gaspar Fernandes. Também foram presos Christiano Gaspar Fernandes, secretário municipal de Ordem Pública de Belford Roxo, e José Carlos Alves de Souza Júnior.

A Justiça determinou ainda o sequestro de bens e valores e suspendeu as atividades econômicas de 112 empresas relacionadas à suposta estrutura de lavagem de dinheiro.

De acordo com a investigação, 96 dessas empresas são postos de combustíveis. A suspeita é de que os estabelecimentos tenham sido utilizados para ocultar e dar aparência legal a recursos de origem criminosa.

Investigação mira rede de postos

A PF investiga a atuação de uma organização criminosa que teria usado empresas do setor de combustíveis para movimentar recursos ilícitos.

Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, Pablo Russo teria trabalhado em equipes comandadas por Marcus Amim em diferentes delegacias. A investigação também aponta que ele seria o controlador, por meio de supostos laranjas, de uma rede de postos com empresas ativas e inativas.

Os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um, por organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel.

Canella foi o segundo mais votado para deputado estadual

Márcio Canella foi eleito deputado estadual no primeiro turno das eleições deste ano. Ele recebeu 197.178 votos, o equivalente a 2,24% dos votos válidos no Rio de Janeiro, e terminou com a segunda maior votação entre os 70 deputados estaduais eleitos.

O político já foi deputado estadual e prefeito de Belford Roxo.

Canella também foi preso em flagrante em julho, quando agentes da Polícia Federal encontraram um fuzil calibre .556 no veículo em que ele estava. Na época, ele afirmou que a arma pertencia ao policial militar responsável por sua segurança.

Três dias depois, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a soltura do político. Canella passou a responder ao processo em liberdade, com medidas cautelares como uso de tornozeleira eletrônica, entrega do passaporte e suspensão do porte de arma.

Oitava fase da Operação Unha e Carne

A ação desta quinta-feira é a oitava fase da Operação Unha e Carne. A investigação já teve como alvos outros políticos e pessoas ligadas ao crime organizado, entre eles Rodrigo Bacellar, TH Joias, Thiago Rangel e o pastor Márcio Poncio.

A operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para combater organizações criminosas que atuam no Rio de Janeiro.

Segundo a PF, a ação segue diretrizes estabelecidas pelo STF na ADPF 635. O tema também foi discutido em reunião entre a direção-geral da Polícia Federal e o ministro Alexandre de Moraes em 6 de outubro.

Polícia Civil diz que não compactua com desvios

A Corregedoria-Geral da Polícia Civil informou que participa da operação em apoio à Polícia Federal.

Em nota, o órgão afirmou que não compactua com desvios de conduta e que adota medidas administrativas e disciplinares diante de indícios de irregularidades.

A instituição também informou que mantém atuação integrada com outras forças de segurança e órgãos de controle para apurar os fatos e responsabilizar os envolvidos quando houver elementos para isso.

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