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Deltan afirma que saída de Flávio Bolsonaro dos EUA enfraquece pressão sobre Moraes

Senador eleito pelo Paraná sustenta que investigação contra Flávio poderia ser usada para dificultar um impeachment do ministro do STF; hipótese não tem comprovação pública

Repórter Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
Deltan afirma que saída de Flávio Bolsonaro dos EUA enfraquece pressão sobre Moraes
— Crédito: Divulgação

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O senador eleito pelo Paraná Deltan Dallagnol (Novo) afirmou que a saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil teria retirado do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), uma possível ferramenta de pressão política contra parlamentares da direita. A declaração foi divulgada em vídeo nas redes sociais na terça-feira (27), após notícias sobre a ida de Flávio aos Estados Unidos.

“Moraes teria uma arma para impedir o seu próprio impeachment e, com a saída de Flávio, Moraes perdeu essa arma”, declarou Deltan.

Na avaliação do senador eleito, a investigação envolvendo Flávio poderia ser utilizada para influenciar a postura de parlamentares de oposição diante de eventuais iniciativas para abrir um processo de impeachment contra o ministro. A afirmação, porém, representa a interpretação política de Deltan. Não há comprovação pública de que Moraes tenha conduzido a investigação com essa finalidade.

A discussão ganhou força após a agência Reuters noticiar, com base em fontes próximas ao parlamentar e no governo norte-americano, que Flávio havia deixado o Brasil com destino aos Estados Unidos. Até as informações divulgadas na terça-feira, a rota utilizada e as circunstâncias da viagem ainda apresentavam pontos sem esclarecimento.

Pedido de apreensão dos passaportes
Deltan também questionou o intervalo entre a divulgação do resultado do segundo turno presidencial, no domingo (25), e a assinatura da representação da Polícia Federal que solicitou a apreensão dos passaportes de Flávio.

Segundo informações atribuídas à coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo, o resultado foi confirmado às 21h09, enquanto o pedido da PF foi assinado às 21h16. A representação tinha 16 páginas e foi acolhida por Moraes naquela noite, conforme a apuração jornalística.

O intervalo de 7 minutos levou Deltan a questionar se o documento já estava preparado antes da confirmação do resultado eleitoral. A proximidade dos horários, entretanto, não comprova, isoladamente, irregularidade ou perseguição política.

O pedido estava relacionado a uma investigação que envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e possíveis operações financeiras ligadas ao advogado Willer Tomaz. Flávio e Willer negam irregularidades.

Passaportes cancelados e viagem aos Estados Unidos
Flávio tinha até a manhã de terça-feira para entregar os passaportes à Polícia Federal, conforme determinação judicial. Como os documentos não foram apresentados no prazo, a PF informou o cancelamento dos passaportes.

Na segunda-feira (26), o parlamentar havia declarado publicamente que permaneceria no Brasil para organizar a oposição ao governo Lula. No dia seguinte, surgiram informações sobre sua saída do país.

O jornal argentino La Nación também noticiou a movimentação de um jato no aeroporto de Puerto Iguazú, com previsão de voo para Miami. A informação, contudo, não confirmou que Flávio estivesse entre os passageiros. A rota efetivamente utilizada permanecia sem esclarecimento completo.

Até as informações disponíveis na terça-feira, não havia confirmação de mandado de prisão expedido contra Flávio. Eventuais consequências jurídicas do descumprimento da determinação dependem da análise das autoridades competentes.

Impeachment depende do Senado
A saída de Flávio não encerra a investigação em andamento e tampouco determina o destino de eventuais pedidos de impeachment contra Moraes.

Pela Constituição Federal, cabe ao Senado processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. O andamento de um pedido depende dos procedimentos legais e das decisões institucionais da Casa.

Deltan, que recebeu mais de 2,9 milhões de votos nas eleições de outubro e tem mandato previsto para começar em fevereiro de 2027, afirmou que pretende atuar contra o que considera abusos de poder.

O episódio mantém em evidência o embate entre setores da oposição e integrantes do Supremo, além de levantar questionamentos sobre as medidas judiciais adotadas no caso e os limites da atuação das instituições.

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