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Celular via satélite chega ao Brasil, mas tecnologia ainda tem limitações

Vivo lança serviço em parceria com a Starlink, enquanto operadoras regionais negociam solução semelhante; conexão promete ampliar cobertura em áreas remotas, mas não substitui a internet móvel convencional

Repórter Gazeta do Paraná · · 4 min de leitura
Celular via satélite chega ao Brasil, mas tecnologia ainda tem limitações
— Crédito: Divulgação

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A conexão de celulares diretamente a satélites começa a ganhar espaço no mercado brasileiro e promete ampliar o acesso à comunicação em regiões sem cobertura das redes móveis tradicionais. A Vivo anunciou um serviço em parceria com a Starlink Mobile, enquanto as operadoras Unifique, Brisanet e iez! firmaram um acordo para desenvolver uma solução semelhante com a empresa americana AST SpaceMobile.

A tecnologia permite que smartphones compatíveis se conectem a satélites sem a necessidade de antenas ou equipamentos externos. A proposta é atender principalmente áreas rurais, estradas e regiões remotas onde o sinal de celular é limitado ou inexistente.

Apesar do potencial, a conexão via satélite ainda enfrenta restrições de capacidade, recepção do sinal em ambientes fechados e viabilidade comercial. Por enquanto, a tendência é que a tecnologia complemente as redes terrestres, em vez de substituí-las.

Vivo oferece conexão com a Starlink
O serviço Vivo Satélite utiliza a infraestrutura da Starlink, empresa de internet via satélite controlada pela SpaceX, de Elon Musk. A iniciativa tem potencial para alcançar cerca de 50 milhões de clientes, entre consumidores e empresas, segundo as informações divulgadas.

A oferta inicial prevê acesso sem custo adicional para clientes elegíveis durante um período promocional de 12 meses, conforme as condições de cada plano. A utilização depende de um aparelho compatível e das regras estabelecidas pela operadora.

Entre os recursos previstos estão mensagens e chamadas de voz por aplicativos como WhatsApp, iMessage e Google Mensagens, além do uso de ferramentas de localização e navegação, como Google Maps e Apple Maps.
A conexão, no entanto, não oferece acesso irrestrito à internet. Chamadas telefônicas convencionais, videochamadas e navegação livre não estão incluídas no serviço descrito.

Operadoras regionais apostam na AST SpaceMobile
Unifique, Brisanet e iez! anunciaram um acordo com a AST SpaceMobile para desenvolver serviços de conexão direta entre satélites e celulares no Brasil. As empresas pretendem disponibilizar frequências de 700 MHz e investir em estações terrestres que farão a ligação entre suas redes móveis e os satélites.

A AST trabalha na constelação BlueBird, formada por satélites em órbita baixa, com a proposta de oferecer chamadas de voz, banda larga móvel e transmissão de vídeos diretamente em smartphones convencionais.

Os termos financeiros e o cronograma de implementação não foram divulgados. Os contratos definitivos ainda estão em negociação, e a operação depende das aprovações regulatórias necessárias.

Tecnologia ainda não substitui as redes tradicionais
A conexão direta com satélites pode ajudar a reduzir áreas sem sinal, mas a capacidade de transmissão ainda é um desafio. A qualidade do serviço também pode ser afetada por obstáculos físicos e pelas condições de recepção, especialmente em ambientes fechados e áreas urbanas densamente povoadas.

Outro ponto é o custo para ampliar a infraestrutura. Para operadoras regionais, a parceria pode abrir novas possibilidades de exploração comercial das frequências de telefonia, incluindo a faixa de 700 MHz. No entanto, os possíveis retornos financeiros ainda são incertos, já que os investimentos e as condições comerciais não foram detalhados.

A Starlink já oferece internet via satélite por meio de antenas instaladas pelos clientes. Com a tecnologia Direct-to-Cell, a empresa busca ampliar sua atuação para aparelhos móveis comuns, dispensando equipamentos externos.

No Brasil, a expectativa é de que as parcerias com operadoras sejam importantes para viabilizar o serviço. A receita média por cliente é menor do que em mercados desenvolvidos, o que pode dificultar a implantação de uma operação móvel independente com grandes investimentos.

A longo prazo, a conexão direta entre satélites e smartphones também pode aumentar a concorrência no setor, caso empresas de tecnologia passem a oferecer serviços diretamente aos consumidores.

Por enquanto, o principal benefício é ampliar a possibilidade de comunicação em locais sem cobertura convencional. A utilidade para cada consumidor dependerá da compatibilidade do aparelho, das condições do serviço e da disponibilidade de sinal na região.

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