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Checagem do debate da Globo: o que é verdade nas acusações sobre Lula, Flávio Bolsonaro e o Banco Master

No quarto bloco do debate presidencial, candidatos trocaram declarações sobre condenações judiciais, suspeitas de relações empresariais, pandemia e supostos repasses financeiros. A Gazeta do Paraná reúne sete checagens e distingue fatos documentados de acusações ainda não comprovadas.

Ana Zimermann · · 6 min de leitura
Checagem do debate da Globo: o que é verdade nas acusações sobre Lula, Flávio Bolsonaro e o Banco Master
— Crédito: Reprodução/Rede Globo

Na reta final das eleições presidenciais de 2026, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) participaram, nesta sexta-feira (23), do debate promovido pela Rede Globo, antes do segundo turno marcado para domingo (25). Durante o quarto bloco, os candidatos apresentaram declarações envolvendo investigações, decisões judiciais, supostas relações empresariais e episódios ocorridos durante a pandemia de Covid-19. A Gazeta do Paraná organizou sete checagens com base nas informações disponíveis até 23 de outubro, priorizando documentos oficiais, decisões judiciais, registros de órgãos públicos e reportagens investigativas. As classificações consideram o conteúdo das afirmações e suas ressalvas, sem equiparar suspeitas a fatos comprovados.

1. Lula foi condenado por ocultação de patrimônio?

classificação: VERDADEIRA COM RESSALVAS

Lula foi condenado em 2017 por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá, que envolvia acusação de ocultação da titularidade do imóvel. A condenação foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em 2018, e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 2019. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações em 2021, por incompetência da Justiça Federal de Curitiba, e reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro no caso do triplex. Posteriormente, a pretensão punitiva foi considerada prescrita. Conclusão: Lula chegou a ser condenado, mas a decisão perdeu validade jurídica. Não existe condenação válida decorrente daquele processo.

Fontes primárias: TRF-4 — Julgamento do triplex; STF — Anulação das condenações.

2. Flávio Bolsonaro participou de passeio de lancha no dia em que o Brasil registrou 1.100 mortes por Covid-19?

classificação: VERDADEIRA COM RESSALVAS

Segundo reportagem da revista piauí, publicada em 21 de outubro de 2026, Flávio Bolsonaro teria participado de um passeio de lancha no Lago Paranoá, em Brasília, em 17 de julho de 2020. Entre os participantes estaria Alexandre Santini, então sócio do senador em uma franquia da Kopenhagen, além de empresários ligados à Precisa Medicamentos. Naquela data, o consórcio de veículos de imprensa registrou 1.110 mortes por Covid-19 no Brasil. Conclusão: o número de mortes notificadas naquele dia é verificável. A participação de Flávio no passeio foi relatada pela investigação jornalística, mas não confirmada independentemente nesta checagem. Os óbitos foram comunicados em 17 de julho, não necessariamente ocorreram nas mesmas 24 horas.

Fontes: revista piauí, reportagem de 21/10/2026; consórcio de veículos de imprensa; Ministério da Saúde — Painel Covid-19. O painel oficial pode apresentar números diferentes conforme a data de atualização e o critério de registro.

3. A ilha de Angra dos Reis nunca foi de Richarlison e a disputa já foi julgada?

classificação: VERDADEIRA COM RESSALVAS

O terreno da propriedade localizada na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), pertence à União. Richarlison afirma ter investido aproximadamente R$ 10 milhões na aquisição de direitos de ocupação e em melhorias no imóvel. A disputa envolveu empresas ligadas ao jogador e a WT Administração de Imóveis, vinculada ao advogado Willer Tomaz. A empresa de Tomaz obteve decisões judiciais favoráveis. A Sport 70, ligada ao grupo de Richarlison, posteriormente desistiu de uma das ações. Conclusão: Richarlison não era proprietário pleno do terreno, mas isso não significa que nunca tenha adquirido direitos contratuais ou realizado investimentos. A alegação de trânsito em julgado deve ser confirmada por certidões dos processos.

Fontes documentais: processos no TJ-RJ, decisões atribuídas ao STJ e registros da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), conforme informações divulgadas pelas partes e pela imprensa. As certidões integrais não foram consultadas.

4. Willer Tomaz é sócio de Flávio Bolsonaro?

classificação: SEM COMPROVAÇÃO

A Polícia Federal investiga indícios de uma possível sociedade de fato entre Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. Segundo informações divulgadas sobre a investigação, Flávio aparecia como usuário master de uma conta da Alcazar Holding, empresa ligada ao advogado, em Portugal. Um e-mail de 22 de maio de 2025 teria solicitado a exclusão desse acesso. Os investigadores também examinam viagens e relações financeiras entre empresas ligadas aos dois. Conclusão: os indícios relatados justificam a investigação, mas não demonstram, por si só, a existência de sociedade. Flávio e Willer negam o vínculo societário.

Fontes documentais: representação atribuída à PF, correspondência bancária e manifestações das defesas, conforme divulgadas pela imprensa. Os documentos integrais não foram consultados independentemente.

5. Lula recebeu uma garrafa de uísque de R$ 500 mil de Daniel Vorcaro?

classificação: SEM COMPROVAÇÃO

Mensagens atribuídas ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, divulgadas pela imprensa, indicam que ele teria procurado uma garrafa de Macallan 1945 para presentear Lula. Segundo os registros divulgados, em 29 de outubro de 2024, Vorcaro solicitou a procura da bebida. No dia seguinte, um funcionário informou preço superior a 80 mil euros, aproximadamente R$ 500 mil. Em janeiro de 2025, o advogado Walfrido Warde teria relatado que Lula agradecera pelo presente.

O presidente declarou não se lembrar de ter recebido a bebida, e o Palácio do Planalto negou o recebimento. Conclusão: as mensagens indicam uma possível encomenda e mencionam agradecimento, mas não comprovam independentemente a entrega do presente.

Fontes documentais: mensagens atribuídas ao celular de Vorcaro, conforme divulgadas por UOL e Poder360, e manifestações dos envolvidos. Não foram obtidos comprovantes de entrega.

6. O Instituto Lula recebeu R$ 30 milhões de Vorcaro para financiar um filme sobre o presidente?

classificação: SEM COMPROVAÇÃO

A acusação foi divulgada pela revista Veja em 9 de outubro, com base em material atribuído a Daniel Vorcaro. O suposto repasse teria financiado o documentário Lula, dirigido por Oliver Stone. A Polícia Federal informou que Vorcaro não prestou depoimento com o conteúdo descrito pela reportagem nem entregou à instituição os documentos mencionados. A Procuradoria-Geral da República também contestou a existência do suposto depoimento. O Instituto Lula e os responsáveis pela produção negaram o recebimento dos recursos. Conclusão: não foram apresentados comprovantes de transferência, recibos ou documentos oficiais que confirmem o pagamento de R$ 30 milhões.

Fontes: manifestações atribuídas à PF e à PGR, reportagem original da Veja e respostas dos envolvidos. A documentação integral da suposta operação não foi obtida.

7. O governo federal aplicou R$ 10 bilhões no Banco Master?

classificação: SEM COMPROVAÇÃO

Não foram identificados documentos oficiais que comprovem aplicação direta de R$ 10 bilhões pelo governo federal no Banco Master. Em nota de 19 de novembro de 2025, a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) informou que os 265 fundos de previdência complementar fechada supervisionados pelo órgão não possuíam aplicações ou posições em ativos financeiros do banco. A autarquia esclareceu que investimentos identificados na instituição estavam relacionados a regimes próprios de previdência de estados e municípios, que possuem gestão independente da União. Conclusão: a existência de investimentos de fundos previdenciários estaduais e municipais não comprova aplicação de R$ 10 bilhões pelo governo federal. A nota da Previc, por sua vez, não abrange todas as possíveis operações de entidades federais.

Fonte primária: Previc — Nota oficial sobre o Banco Master, de 19/11/2025 

 

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