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Ativistas espalham cartazes de “procurado” com foto de Flávio Bolsonaro

Senador deixou o Brasil após perder a eleição e descumprir ordem judicial que determinava a entrega dos passaportes e o impedimento de deixar o país

Gabriel Porta · · 4 min de leitura
Cartaz de Flávio “procurado” é espalhado nos EUA por ativistas
Cartaz de Flávio “procurado” é espalhado nos EUA por ativistas — Crédito: Reprodução / Redes Sociais

Ativistas de esquerda passaram a espalhar cartazes com a foto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a inscrição “procurado”, após o candidato derrotado na eleição presidencial deixar o Brasil e seguir para os Estados Unidos.

Flávio deixou o país na terça-feira (27), dois dias depois de perder o segundo turno para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A saída ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a apreensão dos passaportes do senador e proibir que ele deixasse o território brasileiro.

Apesar da ordem judicial, a Polícia Federal esclareceu que Flávio não é considerado foragido. Segundo a corporação, a existência de restrições relacionadas aos documentos de viagem, por si só, não caracteriza essa condição. A PF investiga as circunstâncias do descumprimento das medidas determinadas pela Justiça.

O que dizem os cartazes

Nas peças divulgadas pelos ativistas, Flávio é associado a acusações como tentativa de golpe de Estado, organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção, desvio de recursos públicos e crimes contra o Estado Democrático de Direito.

As acusações, porém, não correspondem a condenações contra o senador. Flávio é alvo de investigações que tramitam no STF.

Uma delas apura suspeitas relacionadas a lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo plataformas de apostas. O caso é relatado pelo ministro Alexandre de Moraes.

Outra investigação, conduzida pelo ministro André Mendonça, apura possíveis irregularidades relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A Polícia Federal investiga, entre outros pontos, suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Flávio nega irregularidades.

EUA negam participação na saída

Os cartazes também afirmam que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria interferido na eleição brasileira e ajudado Flávio a deixar o país.

A participação do governo norte-americano na saída do senador é negada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Em declaração no sábado (31), Rubio afirmou que o governo dos Estados Unidos não participou dos preparativos para a viagem.

Segundo ele, Trump autorizou a entrada de Flávio no país caso o senador chegasse a um ponto oficial de imigração. Rubio disse ainda que Flávio já possuía um visto e que o governo norte-americano soube da chegada dele aos Estados Unidos.

Antes disso, o governo brasileiro havia manifestado preocupação com uma eventual interferência estrangeira no processo eleitoral. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou durante a campanha que representantes do governo Trump haviam tomado parte nas eleições brasileiras.

Saída ocorreu após ordem de Moraes

A Polícia Federal informou que solicitou ao STF, em 25 de outubro, medidas cautelares contra Flávio depois de identificar risco de saída do país. Entre as medidas estavam a apreensão dos passaportes, a proibição de deixar o Brasil e a restrição de contato com outros investigados.

Após a decisão de Moraes, os passaportes brasileiro comum e diplomático do senador foram cancelados e um alerta migratório foi inserido no sistema da PF. Flávio também foi intimado a entregar eventuais passaportes de outras nacionalidades, mas não cumpriu a determinação.

Segundo a PF, não há registro oficial de que o senador tenha passado por um posto de controle migratório brasileiro. A investigação sobre as circunstâncias da saída continua.

Flávio se declara líder da oposição

Após chegar aos Estados Unidos, Flávio divulgou uma carta na qual afirmou ser “líder do Brasil”. Uma versão anterior do documento o apresentava como “verdadeiro presidente eleito”, mas o trecho foi alterado posteriormente.

No domingo (1º), o senador apareceu em um culto evangélico em Fort Lauderdale, na Flórida. Ele estava acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, das duas filhas e do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

A saída de Flávio ocorreu depois de ele ser derrotado por Lula no segundo turno da eleição presidencial. Segundo os dados oficiais do pleito, Lula recebeu 64.256.232 votos (51,79%), enquanto Flávio teve 59.826.041 votos (48,21%).

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