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Ao menos 69 parlamentares eleitos são réus ou investigados

Levantamento do UOL aponta 33 deputados e senadores eleitos como réus e outros 36 investigados; casos envolvem suspeitas de corrupção, peculato, desvios de recursos e outros crimes

Gabriel Porta · · 5 min de leitura
1. Veja quais parlamentares eleitos são réus ou investigados por crimes
1. Veja quais parlamentares eleitos são réus ou investigados por crimes — Crédito: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Ao menos 69 deputados e senadores eleitos nas eleições de 2026 respondem a processos ou são alvo de investigações criminais, segundo levantamento realizado pelo UOL. Do total, 33 são réus em ações penais e outros 36 aparecem como investigados em inquéritos que ainda não resultaram em denúncia formal.

Os casos envolvem suspeitas de diferentes crimes, entre eles peculato, corrupção, desvio de recursos públicos, fraude em licitações, violência doméstica, injúria racial e crimes ambientais.

Segundo o levantamento, pelo menos 20 dos parlamentares que são réus respondem por acusações relacionadas ao uso ou desvio de dinheiro público.

Maioria dos casos envolve políticos com cargos anteriores

Grande parte das acusações citadas no levantamento se refere a períodos anteriores às eleições de 2026, quando os políticos ocupavam cargos como prefeitos, secretários municipais ou deputados estaduais.

Entre os parlamentares citados estão nomes que foram reeleitos para a Câmara dos Deputados e outros que conquistaram uma vaga pela primeira vez. Também há senadores eleitos entre os investigados.

Os casos estão em diferentes fases na Justiça. Ser investigado ou responder a uma ação penal não significa que o político tenha sido condenado.

Veja alguns dos parlamentares citados

Isnaldo Bulhões (MDB-AL), reeleito deputado federal, é réu por peculato. A acusação aponta suposto desvio de R$ 242 mil da verba de gabinete da Assembleia Legislativa de Alagoas, por meio de notas e recibos que seriam fictícios, quando ele era deputado estadual.

Felipe Show (União-AP), eleito deputado federal, é réu em três ações no Amapá. Em um dos processos, responde a acusações de corrupção e de obtenção, sem licitação, de uma permissão de transporte coletivo em Macapá.

Ney Santos (Republicanos-SP), deputado federal eleito e ex-prefeito de Embu das Artes, é réu por organização criminosa e alvo de suspeitas de ligação com o PCC e lavagem de dinheiro.

Júnior Betão (PL-AC), eleito deputado federal, foi condenado em primeira instância por peculato no caso da Operação Sanguessuga, que envolveu emendas destinadas a convênios do Ministério da Saúde.

Bia Kicis (PL-DF), senadora eleita, é alvo de investigação da Justiça Eleitoral, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), para apurar se uma emenda de R$ 250 mil teria sido utilizada para bancar propaganda eleitoral.

Também aparecem no levantamento Elmar Nascimento (União-BA), Yury do Paredão (MDB-CE), Félix Mendonça (MA) e Juscelino Filho (MA), reeleitos para a Câmara e investigados pelo STF por suspeitas de desvio de emendas em diferentes operações.

Mario Frias (PL-SP), reeleito deputado federal, é investigado pela Polícia Federal por suspeitas relacionadas ao uso de emendas parlamentares e à produção do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.

Wilson Santiago (Republicanos-PB), Junior Lourenço (MDB-MA), Jadyel Alencar (Republicanos-PI), Elmo Vaz (Avante-BA), João Maia (PP-RN) e Felipe Show (União-AP) são citados como réus em ações relacionadas a suspeitas de fraude em licitações.

Paulo Bilynskyj (PL-SP), reeleito deputado federal, é réu em processo por violência doméstica.

Sidney Leite (PSD-AM), também reeleito, responde a processo por suspeita de desvio de dinheiro da Manausprev, previdência dos servidores públicos de Manaus.

Juarez Costa (Republicanos-MT) é réu por corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro em processo relacionado à Operação Sorrelfa.

Casos envolvendo dinheiro público

Uma parcela significativa dos processos e investigações citados no levantamento está relacionada à utilização de recursos públicos. Entre os casos estão suspeitas de desvios de emendas parlamentares, fraudes em contratos e irregularidades no uso de verbas.

Júnior Betão é um dos exemplos. Ele foi condenado em primeira instância por peculato no caso da Operação Sanguessuga, que investigou um esquema envolvendo emendas destinadas a convênios do Ministério da Saúde.

Peculato é o crime atribuído a funcionário público que se apropria ou desvia dinheiro, bens ou valores aos quais teve acesso em razão do cargo.

Outro caso citado é o de Mario Frias. A Polícia Federal investiga suspeitas relacionadas à destinação de R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil. A apuração também busca esclarecer se os recursos tiveram relação com a produção do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.

Parlamentares contestam acusações

O levantamento do UOL também registra manifestações de alguns dos parlamentares citados.

A assessoria de Félix Mendonça afirmou que, após mais de 12 meses de investigação, não teria surgido evidência de envolvimento do deputado em supostos desvios de emendas. A defesa disse aguardar o relatório da autoridade policial, a manifestação da Procuradoria-Geral da República e a análise do ministro relator.

Mario Frias não respondeu ao contato do UOL até a publicação da reportagem. Anteriormente, porém, havia afirmado em vídeo que apresentaria os documentos necessários para provar sua inocência e colaboraria com as investigações relacionadas ao caso “Dark Horse”.

Sidney Leite negou qualquer irregularidade no processo envolvendo a Manausprev. Ao UOL, afirmou estar com a “consciência tranquila” em relação ao caso.

Segundo o levantamento, os demais parlamentares citados também foram procurados. Para aqueles que não responderam até a publicação, o espaço permanece aberto para manifestações.

Por que réus podem assumir o mandato?

Responder a uma ação penal ou ser investigado não significa que o político tenha sido condenado definitivamente.

Em regra, a Constituição prevê a suspensão dos direitos políticos após uma condenação criminal definitiva, quando não há mais possibilidade de recurso.

A Lei da Ficha Limpa, porém, estabelece situações em que uma condenação por órgão colegiado pode provocar inelegibilidade antes do encerramento de todos os recursos.

A legislação prevê restrições para condenações relacionadas a determinados crimes, incluindo delitos contra a administração e o patrimônio público, lavagem de dinheiro, organização criminosa, racismo e crimes eleitorais punidos com prisão.

Por isso, uma pessoa pode disputar e vencer uma eleição mesmo respondendo a um processo, dependendo da situação jurídica específica do caso.

Investigação não significa condenação

Os 69 casos citados pelo levantamento estão em diferentes estágios.

Entre os parlamentares, alguns são réus, o que significa que já respondem a uma ação penal. Outros ainda são investigados e não tiveram denúncia formal apresentada.

A existência de investigação ou ação penal não significa, por si só, que o parlamentar seja culpado. A responsabilidade criminal depende do devido processo legal e de eventual condenação.

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