Vereador acusa Prefeitura de Realeza de usar publicidade oficial para autopromoção política
Renato Figueira pede investigação do Ministério Público sobre suposto uso de recursos públicos para promoção pessoal do prefeito e de parlamentares aliados
Créditos: Divulgação
O vereador Renato Figueira (Novo) protocolou uma representação no Ministério Público da Comarca de Realeza solicitando a apuração de possível ato de improbidade administrativa por parte do prefeito Paulo Cezar Casaril (PSD), conhecido como Paulo Bateria. A denúncia aponta o uso reiterado da publicidade institucional do município para fins de promoção pessoal, em desacordo com o artigo 37 da Constituição Federal.
Segundo a representação, vídeos e postagens divulgados nas redes sociais oficiais da Prefeitura de Realeza teriam sido produzidos com recursos públicos, mas estariam sendo utilizados para exaltar a imagem do chefe do Executivo e de parlamentares aliados, deixando de cumprir o caráter educativo, informativo ou de orientação social. O vereador sustenta que o padrão profissional do material indica contratação de serviços custeados pelo erário.
O documento lista ao menos sete publicações veiculadas nos últimos meses de 2025 que, conforme a denúncia, configurariam desvio de finalidade, incluindo vídeos com agradecimentos nominais a deputados, menções diretas ao governador e postagens associando políticos a ações administrativas do município.
Na representação, Figueira afirma que a conduta viola a Constituição e a Lei de Improbidade Administrativa. “A fiscalização é uma das principais atribuições do vereador, e essa prática fere os princípios da impessoalidade e da moralidade”, resumiu.
Entre os pedidos feitos ao Ministério Público estão a retirada imediata das publicações consideradas irregulares, a abertura de procedimento investigatório e, caso confirmadas as irregularidades, o ajuizamento de ação civil pública com aplicação das sanções previstas em lei.
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O que diz o prefeito
Em nota e em contato por telefone com a Gazeta do Paraná, o prefeito Paulo Casaril (Paulo Bateria) afirmou que as publicações têm caráter estritamente informativo e de prestação de contas. “Não há promoção pessoal ou conteúdo eleitoral. Apenas informamos a população sobre obras, eventos e recursos públicos”, declarou.
O prefeito disse ainda que não foi oficialmente notificado pelo Ministério Público e minimizou a denúncia. “ Não fui notificado. Não estou preocupado. Confio que os fatos serão analisados com serenidade pelas instituições”, afirmou.
Confira a nota na integra:
O Prefeito de Realeza, Paulo Cezar Casaril, esclarece que todos os vídeos e publicações veiculados nos canais oficiais do Município têm caráter estritamente informativo e de prestação de contas, sem qualquer pedido de voto, slogan eleitoral ou promoção pessoal.
As postagens mencionadas tratam da entrega de ônibus, de eventos culturais, de ações como o Magia do Natal, de visitas institucionais e da destinação de recursos públicos, limitando-se a informar a população sobre obras, políticas públicas e iniciativas administrativas, bem como a identificar os responsáveis institucionais pela viabilização desses investimentos.
Não há, em nenhuma das publicações, personalização indevida de atos administrativos ou conteúdo de natureza eleitoral. O Município apenas cumpre seu dever constitucional de publicidade e transparência, informando a sociedade sobre a aplicação de recursos públicos e os resultados das políticas públicas implementadas.
O Prefeito Paulo Casaril reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o interesse público, e confia na correta análise dos fatos pelas instituições competentes.
Relação com Ademar Traiano
Questionado sobre o vínculo com o deputado estadual Ademar Traiano (PSD), Casaril afirmou que o relacionamento é institucional. “Realeza é grata pelos recursos enviados. Ele foi um dos deputados que mais ajudou o município, desde o início do nosso mandato”, resumiu, citando futuros investimentos de aproximadamente R$ 220 mi "Vamos receber cerca de R$ 220 mi em recusos do estado, para pavimentação urbana e rural, equipamentos públicos e obras estruturais.
O prefeito afirmou que Realeza mantém bom diálogo com diversos parlamentares e citou o envio de recursos estaduais para obras de pavimentação urbana e rural, além de investimentos em equipamentos públicos, centro do idoso, reforma da prefeitura e da Casa da Cultura. Segundo Casaril, mais de 18 deputados já destinaram verbas ao município, independentemente de filiação partidária.
Escândalos envolvendo Ademar Traiano
O deputado estadual Ademar Traiano (PSD) acumula um longo histórico de polêmicas ao longo de mais de 40 anos de vida pública, bemora não possua condenações judiciais definitivas.
Entre os principais episódios está a assinatura de um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com o Ministério Público do Paraná, homologado pela Justiça no fim de 2022. No acordo, Traiano admitiu ter pedido e recebido propina para a renovação do contrato da TV Icaraí com a TV Assembleia Legislativa, comprometendo-se a devolver valores como forma de reparação. O processo segue sob sigilo.
Traiano também foi citado em delações da Operação Quadro Negro, que investigou desvios de recursos destinados a obras em escolas estaduais. Colaboradores apontaram supostos repasses irregulares para campanhas eleitorais, o que o deputado sempre negou. O Ministério Público não divulgou desfechos específicos relacionados a ele.
O nome do parlamentar ainda apareceu em delações ligadas à Operação Lava Jato, envolvendo supostas doações de caixa dois para campanhas eleitorais em 2010. Traiano não se manifestou publicamente sobre essas acusações.
Em 2017, o deputado firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o MP-PR após a constatação de pagamentos de salários acima do teto constitucional a servidores comissionados de seu gabinete, incluindo um de seus filhos. Para evitar ação judicial por improbidade, comprometeu-se a devolver os valores.
Outro episódio de grande repercussão foi a chamada “lei do lixo”, projeto aprovado na Assembleia Legislativa que permitiria a entrada de resíduos de outros estados no Paraná. A proposta gerou forte reação pública após vir à tona que empresas ligadas a familiares de Traiano poderiam ser beneficiadas. Diante da pressão social, a norma acabou não sendo promulgada.
Apesar desse histórico de controvérsias, Ademar Traiano segue como uma das principais lideranças políticas do Paraná e permanece no comando da Assembleia Legislativa, mantendo influência no cenário estadual enquanto os casos seguem sem condenação definitiva.
Foto: Divulgação
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