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Crise dos Combustíveis: Federação dos Petroleiros aponta distorções no setor após reajuste da Petrobras Créditos: Freepik

Crise dos Combustíveis: Federação dos Petroleiros aponta distorções no setor após reajuste da Petrobras

Entidade afirma que privatização da BR Distribuidora reduziu capacidade de regulação do governo. Diesel subiu R$ 0,74 em média na última semana, impulsionado pelo conflito no Oriente Médio e dependência de importações

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) voltou a criticar nesta quarta-feira (18) o que classifica como “distorções estruturais” no setor de combustíveis, apontadas como responsáveis pela recente alta no preço do diesel nos postos brasileiros.

Em nota, a entidade, que representa 14 sindicatos da indústria de óleo e gás, atribui a elevação dos preços a fatores como privatizações realizadas nos últimos anos e margens consideradas abusivas ao longo da cadeia de distribuição.

Segundo a diretora da FUP, Cibele Vieira, o cenário atual reflete a perda de controle público sobre o setor e a dependência de importações, agravadas pela alta do petróleo no mercado internacional em meio ao conflito no Oriente Médio.

“A Petrobras pode equilibrar preços na refinaria, mas não controla o que acontece depois. Sem distribuição pública e com parte do diesel sendo importado, abre-se espaço para aumentos abusivos ao longo da cadeia”, afirmou.

Alta nos preços

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis indicam aumento de 12% no preço médio do diesel S10 entre a primeira e a segunda semanas de março.

O valor médio passou de R$ 6,15 para R$ 6,89 por litro no período.

A entidade reconhece medidas adotadas pelo governo federal para conter a escalada. Entre elas, a redução a zero das alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel e a concessão de subsídio de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores.

Além disso, o governo propôs que estados e o Distrito Federal zerem temporariamente o ICMS sobre o diesel importado.

Pressão internacional

A alta dos combustíveis no Brasil está diretamente ligada ao cenário externo. O barril do petróleo tipo Brent, referência global, é negociado na casa dos US$ 108, acumulando alta de cerca de 55% em um mês.

Como o petróleo é uma commodity com preço definido internacionalmente e o Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome, a variação externa impacta diretamente o mercado interno.

Reajuste e política de preços

No último sábado (14), a Petrobras reajustou o diesel A em R$ 0,38, elevando o preço para R$ 3,65 por litro nas refinarias.

Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o valor praticado pela estatal ainda está 59% abaixo da paridade internacional.

Desde 2023, a Petrobras adota uma política que evita repassar imediatamente as oscilações externas ao consumidor.

Ainda assim, a FUP avalia que a estatal não tem controle sobre o preço final ao consumidor.

Críticas à privatização

A entidade também critica a privatização da antiga BR Distribuidora, realizada no governo anterior. A empresa foi adquirida pela Vibra Energia, que manteve o direito de uso da marca BR até 2029.

Para a FUP, a saída da Petrobras do segmento de distribuição reduziu a capacidade de regulação dos preços no mercado.

O coordenador-geral da federação, Deyvid Bacelar, afirma que empresas privadas tendem a repassar rapidamente as variações de preço ao consumidor.

“Quando o diesel sobe, não é só o combustível que encarece, mas também o transporte, os alimentos e a inflação. O aumento se espalha por toda a economia”, disse.

O cenário global segue pressionado após a escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada no fim de fevereiro.

Uma das principais preocupações é o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás comercializados no mundo.

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