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Tensão internacional cresce após ameaças dos EUA à Groenlândia

Premiê da ilha fala em preparação para possível invasão americana, União Europeia reage com medidas comerciais e críticas a Donald Trump repercutem no cenário político

Por Da Redação

Tensão internacional cresce após ameaças dos EUA à Groenlândia Créditos: Arquivo

O agravamento das tensões internacionais envolvendo a Groenlândia, os Estados Unidos e a União Europeia ganhou novos contornos nesta terça-feira (20), com declarações de autoridades locais, reações do bloco europeu e críticas do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, à postura do presidente norte-americano, Donald Trump.

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou que a população da ilha deve se preparar para a possibilidade de uma invasão militar dos Estados Unidos. Em entrevista coletiva, o premiê disse que, embora considere improvável um conflito, a hipótese não pode ser descartada diante das declarações recentes de Trump sobre o território. Segundo Nielsen, o governo local já determinou a criação de uma força-tarefa para orientar os moradores, incluindo recomendações como estocagem de alimentos e a distribuição de panfletos com instruções em caso de incursão militar.

Nielsen ressaltou que a Groenlândia integra a aliança ocidental por meio da Otan e alertou que qualquer escalada teria repercussões globais. No mesmo dia, Trump voltou a afirmar que não abrirá mão do objetivo de controlar a ilha ártica, recusando-se a descartar o uso da força. Mais cedo, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, classificou o momento como um “capítulo sombrio” e afirmou que “o pior ainda pode estar por vir”.

A ofensiva retórica dos Estados Unidos também provocou reação no Parlamento Europeu. Líderes parlamentares indicaram que a Casa deve congelar o acordo comercial firmado entre a União Europeia e os EUA no ano passado, em retaliação às ameaças de Trump de impor tarifas a países europeus contrários à anexação da Groenlândia. A expectativa é que a votação formal sobre a suspensão ocorra nesta quarta-feira (21). O presidente americano anunciou a intenção de aplicar tarifas de até 25% a partir de junho de 2026, caso haja oposição ao plano.

Autoridades europeias classificaram a estratégia como chantagem e defenderam o uso de instrumentos de retaliação econômica. A Comissão Europeia reiterou que a soberania da Groenlândia é inegociável, enquanto países do bloco anunciaram o envio de contingentes militares e a realização de exercícios na região, no âmbito da Otan.

No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar Trump durante evento no Rio Grande do Sul. Segundo Lula, o presidente americano quer “governar o mundo” por meio das redes sociais. As declarações ocorrem após um período de trégua no discurso entre os dois líderes e em meio a novas divergências sobre a política externa dos Estados Unidos.

O interesse de Trump na Groenlândia está ligado à posição estratégica da ilha no Ártico, às rotas comerciais e à exploração de matérias-primas, além do projeto do chamado “Domo de Ouro”, escudo antimísseis que o presidente norte-americano pretende construir. A crise já provocou protestos populares na Groenlândia e em Copenhague e ampliou o clima de instabilidade entre aliados históricos do Ocidente.

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