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Tarifa dos EUA sobre produtos do Brasil terá impacto limitado, avalia Ministério da Fazenda

Boletim MacroFiscal aponta que diversificação das exportações e abertura de novos mercados devem reduzir os efeitos de possíveis tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros

Tarifa dos EUA sobre produtos do Brasil terá impacto limitado, avalia Ministério da Fazenda Créditos: Claudio Neves/Portos do Paraná

O Ministério da Fazenda avalia que a possível adoção de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deverá ter impacto limitado na economia nacional. A análise consta da edição mais recente do Boletim MacroFiscal, elaborado pela Secretaria de Política Econômica (SPE), que aponta a capacidade de adaptação das exportações brasileiras e a diversificação dos mercados como fatores que reduzem os efeitos de um eventual aumento das barreiras comerciais.

As novas tarifas podem ser aplicadas no âmbito da investigação conduzida pelo governo norte-americano com base na chamada Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos.

Em 1º de junho, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluiu a investigação que acusa o Brasil de adotar práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano, citando temas como desmatamento ilegal, propriedade intelectual e o sistema de pagamentos Pix. Como resultado, foi proposta a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre mercadorias brasileiras.

Exportações mantiveram recuperação

Na avaliação da Secretaria de Política Econômica, o desempenho das exportações brasileiras após as tarifas impostas pelos Estados Unidos em agosto do ano passado demonstra que o impacto sobre a atividade econômica foi menor do que o esperado.

Segundo o documento, as vendas externas voltaram a crescer gradualmente a partir de novembro, indicando recuperação mesmo diante das restrições comerciais.

A Fazenda destaca que os Estados Unidos responderam por aproximadamente 11% das exportações brasileiras em 2025, participação equivalente a menos de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) antes da adoção das tarifas.

Para o ministério, o redirecionamento de parte das exportações para outros mercados ajudou a compensar as perdas provocadas pelas barreiras comerciais, reduzindo os efeitos sobre a economia brasileira.

Exceções e medidas de apoio

Outro fator apontado pela equipe econômica é que a proposta norte-americana prevê exceções para diversos produtos, o que tende a limitar os impactos sobre as exportações brasileiras.

Além disso, a Fazenda lembra que o governo federal implementou, no ano passado, medidas voltadas aos setores mais afetados, incluindo linhas de crédito, ações para ampliar a liquidez e iniciativas de diversificação de mercados internacionais.

Na avaliação da pasta, essas políticas devem continuar contribuindo para reduzir eventuais efeitos negativos sobre segmentos específicos da economia.

Cenário internacional segue incerto

O Boletim MacroFiscal também analisa o ambiente econômico internacional, marcado pelas tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã.

Segundo a Secretaria de Política Econômica, o acordo de cessar-fogo firmado entre os dois países reduziu temporariamente os riscos de interrupção na oferta mundial de petróleo, provocando queda nas cotações do barril Brent para níveis próximos aos registrados antes do conflito.

A equipe econômica observa que os avanços diplomáticos registrados entre maio e o início de julho ajudaram a reduzir as incertezas nos mercados internacionais, especialmente diante dos baixos estoques globais da commodity.

Nova escalada preocupa

Apesar da melhora momentânea, a Fazenda ressalta que a retomada das tensões na última semana voltou a elevar o risco geopolítico e pressionou novamente os preços do petróleo.

Segundo o ministério, essa nova escalada ainda não foi incorporada às projeções do Boletim MacroFiscal e representa um fator de risco tanto para a inflação ligada aos preços da energia quanto para o crescimento da economia mundial nos próximos meses.

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