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Renato Machado, ex-âncora do Bom Dia Brasil, morre aos 83 anos no Rio

Jornalista morreu aos 83 anos no Rio de Janeiro e deixa um legado de mais de cinco décadas no telejornalismo, com passagens pelo Bom Dia Brasil, Jornal da Globo, Jornal Nacional e Globo Repórter

Renato Machado, ex-âncora do Bom Dia Brasil, morre aos 83 anos no Rio Créditos: Acervo / TV Globo

O jornalista Renato Machado, ex-apresentador do Bom Dia Brasil e um dos maiores nomes do telejornalismo da TV Globo, morreu na manhã desta quinta-feira (16), aos 83 anos, no Rio de Janeiro. Renato Machado estava internado na Clínica São Vicente, na Gávea. A causa da morte não foi divulgada.

Com uma trajetória de mais de quatro décadas na TV Globo, Renato Machado se tornou um dos rostos mais conhecidos da televisão brasileira. Ao longo da carreira, apresentou programas como o Bom Dia Brasil, Jornal da Globo e RJTV, integrou a bancada do Jornal Nacional, atuou como correspondente internacional e repórter especial, além de receber uma indicação ao Emmy Internacional.

Passagem marcante pelo Bom Dia Brasil

Renato Machado comandou o Bom Dia Brasil entre 1996 e 2010, período em que também exerceu a função de editor-chefe do telejornal.

Durante sua gestão, o programa passou por mudanças no formato, adotando uma linguagem mais dinâmica, maior interação entre os apresentadores, entradas ao vivo de repórteres e comentaristas e um uso mais amplo dos recursos do estúdio. Inicialmente, dividiu a bancada com Leilane Neubarth e, posteriormente, com Renata Vasconcellos.

Sua passagem pelo telejornal ajudou a consolidar o modelo adotado até hoje nas manhãs da TV Globo.

Carreira começou no Jornal do Brasil

Renato Machado iniciou a carreira no jornalismo em 1969, como repórter do Jornal do Brasil. Em 1982, ingressou na TV Globo e logo participou da cobertura da Guerra das Malvinas, um dos primeiros grandes trabalhos na emissora.

No ano seguinte, foi enviado para Londres como correspondente internacional. Durante o período em que viveu na Europa, acompanhou acontecimentos de repercussão mundial, como os atentados terroristas em Paris, em 1986, e o acidente nuclear de Chernobyl.

Ao retornar ao Brasil, em 1988, passou a atuar como repórter especial da emissora.

Cobertura de fatos históricos

Em 1990, Renato Machado deixou a TV Globo para trabalhar na TV Manchete, onde participou da cobertura da Guerra do Golfo.

Pouco mais de um ano depois, retornou à Globo e voltou a atuar como repórter especial. Nesse período, participou da cobertura de acontecimentos marcantes da história do país, entre eles o processo de impeachment do então presidente Fernando Collor e a morte do tricampeão mundial de Fórmula 1 Ayrton Senna, em 1994.

Em depoimento ao projeto Memória Globo, Renato definiu o telejornalismo como um aprendizado constante.

"Para ser telejornalista é necessário um acúmulo de conhecimento. É saber curiosidades sobre grua, tráfego de câmera, enquadramento, cores, texto, edição. É uma troca. Um universo de aprendizado que, a cada dia, você vê que você erra", afirmou.

Nova passagem por Londres

Em setembro de 2011, Renato Machado voltou a Londres para assumir novamente o posto de correspondente internacional da TV Globo.

Durante esse período, acompanhou acontecimentos como o ataque à redação do jornal francês Charlie Hebdo, em 2015, a crise econômica na Grécia e reportagens sobre os 95 anos de Nelson Mandela.

Foi também nessa fase que passou a unir o jornalismo a uma de suas grandes paixões: o universo dos vinhos.

Em 2014, produziu uma série especial para o Jornal Hoje sobre a região da Provença, na França, abordando a produção de vinhos, gastronomia, cultura e tradições locais.

Na ocasião, destacou que uma das reportagens era sua favorita justamente por tratar da bebida e das características da região, como o vento mistral, que ajuda na conservação das videiras.

Nos últimos anos, continuou compartilhando conteúdos relacionados ao tema nas redes sociais.

Em janeiro de 2016, deixou o posto de correspondente em Londres, sendo substituído pela jornalista Cecília Malan.

Trabalho reconhecido internacionalmente

De volta ao Brasil, Renato Machado passou a integrar a equipe do Globo Repórter como repórter especial.

Um de seus trabalhos de maior repercussão foi a reportagem "A arte como passaporte", exibida em 2016. O programa mostrou projetos sociais que utilizam música e dança para transformar a vida de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade.

A reportagem passou por Heliópolis, em São Paulo, onde apresentou o trabalho desenvolvido pelo Instituto Baccareli, e também mostrou a trajetória de uma bailarina carioca que iniciou a carreira em um projeto social da Mangueira e conquistou espaço nos palcos de Nova York.

O programa recebeu indicação ao Emmy Internacional na categoria Atualidade, consolidando mais um reconhecimento à trajetória de Renato Machado, que deixa um legado de mais de cinco décadas dedicadas ao jornalismo brasileiro.

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