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Sistema FAEP contesta metodologia da Seab para cálculo do Valor da Terra Nua no Paraná

Entidade aponta critérios “confusos” e pede manutenção da tabela federal de 2025 para evitar distorções no ITR

Por Eliane Alexandrino

Sistema FAEP contesta metodologia da Seab para cálculo do Valor da Terra Nua no Paraná Créditos: Secom/Divulgação

O Sistema FAEP encaminhou, no dia 23 de abril, um ofício à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab) informando que não concorda com a proposta metodológica adotada para o levantamento de preços utilizados no cálculo do Valor da Terra Nua (VTN) no Estado. Segundo a entidade, os critérios apresentados são considerados confusos e não atendem aos parâmetros legais, o que pode prejudicar produtores rurais.

De acordo com o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, a metodologia proposta não oferece segurança técnica nem transparência suficiente. “Entendemos que os critérios utilizados não são suficientes para estabelecer uma metodologia válida para determinar o Valor da Terra Nua no Paraná. Hoje, os métodos de avaliação não são claros, impedindo que o produtor rural possa, eventualmente, argumentar ou apresentar uma contraprova”, afirmou. “Essa questão precisa ser mais discutida e não simplesmente imposta, de forma arbitrária, cometendo equívocos”, acrescentou.

Diante do cenário, a entidade propõe a realização de um estudo mais aprofundado sobre a coleta e o processamento de dados utilizados na definição da tabela de VTN. Até que haja revisão, o Sistema FAEP defende que seja mantida, em 2026, a Tabela de Equivalência do Sistema Interno de Preço de Terras (SIPT), da Receita Federal, publicada em 2025.

Segundo Meneguette, como o VTN serve de base para o cálculo do Imposto Territorial Rural (ITR), é fundamental que os valores estejam adequadamente calibrados para evitar distorções. “Essa tabela apresentada pela Seab não traz essa segurança para os nossos produtores rurais”, pontuou.

Laudos divergentes

Em 2024, o Sistema FAEP contratou um especialista para elaborar laudos técnicos de avaliação do VTN em 13 municípios do Paraná: Guaíra, Itambé, Luiziana, Nova Londrina, Campina da Lagoa, Itaipulândia, São João do Caiuá, Pato Branco, Floresta, Mandaguaçu, Santa Mariana, Jacarezinho e Castro. Os estudos identificaram divergências nos valores praticados, reforçando disparidades em relação aos números utilizados por prefeituras.

Os laudos foram elaborados conforme a Norma 14.653-3 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que trata da avaliação de imóveis rurais. A metodologia considera critérios como acesso, classificação do solo, cobertura vegetal, relevo, benfeitorias, nota agronômica, capacidade de uso e correção do valor médio da terra, entre outros fatores. Cada documento técnico possui mais de 140 páginas e busca garantir uma valoração homogênea dos imóveis rurais em cada município.

Foto: Divulgação

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