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Servidor federal é preso no Paraná após ameaças com símbolos nazistas nas redes sociais

Servidor federal foi preso em Irati, na véspera do Ano-Novo, após publicar ameaças com símbolos nazistas nas redes sociais; o IFPR afastou o funcionário, e o caso segue sob investigação da Polícia Civil

Por Gazeta do Paraná

Servidor federal é preso no Paraná após ameaças com símbolos nazistas nas redes sociais Créditos: Reprodução das redes sociais

A última tarde do ano caminhava para o fim quando a rotina de Réveillon foi interrompida por uma operação policial no Centro de Curitiba. Enquanto muitos se preparavam para a virada de calendário, Phetronio Paulo de Medeiros, servidor público federal, era detido em um apartamento alugado para passar o Ano-Novo. A prisão ocorreu na quarta-feira, 31 de dezembro, e não foi fruto de um episódio isolado, mas do desdobramento de uma investigação que já acompanhava o comportamento do servidor nas redes sociais.

Lotado no Instituto Federal do Paraná (IFPR), no campus de Irati, região central do estado, Medeiros é técnico em contabilidade e foi preso preventivamente sob suspeita de apologia ao nazismo, ameaça de atentado e veiculação de símbolos nazistas em diferentes plataformas digitais. A ação foi conduzida pela Polícia Civil do Paraná, com apoio do Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre).

Segundo a investigação, o servidor mantinha diversos perfis em redes sociais, nos quais fazia uso recorrente da cruz suástica, símbolo do nazismo, acompanhada de expressões de exaltação ao regime alemão. As publicações também incluíam frases de ameaça, o que levou a polícia a avaliar o conteúdo como potencialmente perigoso, especialmente em períodos de maior circulação de pessoas.

O delegado Rafael Rybandt, responsável pelo caso, afirmou que o pedido de prisão preventiva foi motivado pelo padrão identificado nas investigações. De acordo com ele, o servidor costumava intensificar as postagens com ameaças e apologia ao nazismo em datas próximas ao Natal e ao Réveillon, períodos marcados por aglomerações. Para a polícia, o fato de Medeiros ser agente público vinculado a uma instituição federal de ensino tornou a resposta ainda mais urgente.

A defesa do servidor foi procurada, mas informou que, até aquele momento, ainda não havia tido acesso às informações completas sobre a prisão e que se manifestaria posteriormente.

O caso ganhou contornos ainda mais graves com a confirmação de que não se trata da primeira condenação de Phetronio Paulo de Medeiros por esse tipo de crime. Em 2024, ele foi condenado pela Justiça Federal do Rio Grande do Sul por apologia ao nazismo. A sentença apontou que, pelo menos desde 2018, o então servidor já realizava postagens com símbolos nazistas com o objetivo de divulgar a ideologia. Na ocasião, Medeiros foi condenado a dois anos e quase nove meses de reclusão, em regime inicial aberto, além do pagamento de multa. A pena privativa de liberdade acabou substituída por prestação de serviços à comunidade e aumento da multa. O processo transitou em julgado em dezembro de 2025, não cabendo mais recurso.

Natural do Rio Grande do Norte, Medeiros tem 40 anos e é graduado em Ciências Contábeis. De acordo com informações funcionais, ele trabalhou anteriormente como professor na Universidade Federal da Paraíba e, a partir de 2019, passou a atuar como técnico em contabilidade na Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Em 2024, mudou-se para Irati, onde assumiu o mesmo cargo no IFPR.

Em nota oficial, o IFPR informou que o servidor integra o quadro da instituição há cerca de um ano e quatro meses e que suas condutas, se confirmadas, afrontam diretamente os valores e princípios da instituição. A direção ressaltou que não compactua com qualquer forma de discriminação e repudiou veementemente práticas de apologia ao nazismo, xenofobia, misoginia, homofobia, racismo ou preconceito religioso.

O reitor do IFPR, Adriano Willian da Silva Viana, destacou que toda e qualquer atitude criminosa cometida por membros da comunidade acadêmica é passível de apuração imediata. Segundo a instituição, Medeiros foi afastado imediatamente de suas funções, e um processo administrativo disciplinar foi instaurado para apurar o caso, com garantia do direito à ampla defesa e ao contraditório, conforme previsto na Constituição Federal.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp